terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ENTREVISTA: Camila Prietto, autora de “Em Busca do Guardião da Luz”


Em meio às festas de fim de ano, a nossa parceira Camila Prietto, autora de “Em Busca do Guardião da Luz”, deu uma paradinha na rotina corrida dessa época do ano para dar uma entrevista à Sociedade do Livro.


Acompanhem:

Sociedade do Livro: “Em Busca do Guardião da Luz” é seu primeiro livro publicado. Como foi o processo de produção até a publicação?

Camila Prietto: Ganhei um prêmio do Governo do Estado de S. Paulo que se chama PROAC. Esse prêmio pagou a publicação do livro e foi muito bacana porque foi um empurrão de verdade pra transformar um sonho em realidade. Como foi uma publicação independente o livro saiu do jeitinho que eu queria, mas claro que também não pude contar com a experiência de ninguém. Foi um processo maravilhoso de aprendizado e de muitas dificuldades, mas dei a sorte de conhecer uma equipe maravilhosa, de revisores a diagramadores e gráfica.

SL: E o livro é apenas o início de uma série. O que vem pela frente?

CP: Esse é o primeiro livro da série Mestres da Luz que contará toda a passagem de Clara pela Sociedade da Luz, seus ensinamentos e claro, sua luta com a Contra Inteligência. Mas acompanharemos principalmente a Clara em suas descobertas e dificuldades. O primeiro livro conta essa descoberta dos segredos, as 10 Dimensões e a entrada oficial dela na Esphera após descobrir o nome do Guardião. A partir daí ela começará a treinar e terá que lidar com esses poderes e conhecimento num mundo de Simples Mortais, que é o mundo que conhecemos. Mas sabedoria é responsabilidade e a partir do segundo livro, que tem o título provisório de Sob a Sombra da Verdade, ela lidará com os deveres e perigos desse conhecimento.

SL: A história é envolta em um mundo de fantasia. De onde veio a inspiração para o livro?

CP: Uma das primeiras coisas que surgiu foi a ideia dessas 10 dimensões, que apesar de serem paralelas a nossa tem um funcionamento diferente do que conhecemos. Ai veio à questão dessa menina que passaria por elas e enfrentaria os perigos e sombras de cada uma. Adorei quando surgiu a ideia de ter uma dimensão que ao pensar e sentir a mesma coisa, isso acontece. Na Dimensão da Aliança Clara conta pra Emet que quando seu pai entrou em coma ela sentiu que perdeu o chão. E isso realmente acontece! O chão se abre e ela despenca! Imagina se isso acontecesse com a gente? Quantas vezes falamos uma coisa e sentimos outra? A partir dai foram surgindo cada uma das personagens, seus cenários e perigos. Agora estou adorando criar os Opositores de cada um dos Mestres do Conselho dos Trinta e Seis!

SL: O fato de você ter uma formação artística influencia e ajuda na sua produção literária de alguma forma?

CP: O trabalho com arte nos faz ter um tipo de pensamento que transforma tudo o que acontece, sentimos ou vemos na forma teatral, no meu caso, ou musical ou em pintura. Isso é comum em artistas em geral, nosso mundo interfere na arte que criamos. No caso, sou atriz e cada criação minha parte da construção do personagem. Esse tipo de composição sempre foi o que mais gostei no “fazer teatral”. E assim continuo em toda minha obra. Começo sempre da criação do personagem e depois crio o mundo dele e seu entorno. Com perguntas simples como: O que, quando, por que e pra onde? Um homem de chapéu parado em meio a Avenida Paulista se torna um romance complexo. Gosto dessa “arquitetura de palavras” que é como descrevo o que faço. Agora no caso do teatro e da minha vivência com esse meio específico faz com que minha obra tenha uma personalidade ativa forte. Meus textos são sempre embasados em diálogos e ação. No teatro trabalhamos assim, com uma ação executada mais do que com uma estória contada. E isso marca meu livro e se torna algo que define meu estilo de texto. Ao ler o Em Busca do Guardião da Luz você verá que minha estória tem momentos de ação no presente em que o leitor é quase um participante da cena. Normalmente na obra literária a estória é contada no passado. Lembre-se do Era uma vez... É sempre uma estória que autor viveu, viu ou soube, mas normalmente no passado. É claro que muita gente que não gosta desse estilo, mas aí, é uma opção pessoal.

SL: Qual a importância da internet para o seu trabalho?

CP: Provavelmente se estivéssemos na era pré internet, não estaríamos conversando agora (a entrevista foi feita por e-mail)! Meu trabalho de divulgação do livro, assim como da minha obra em geral é feito pelas mídias sociais, blogs e sites. Tenho um site do meu livro e um blog que “converso” com os internautas diariamente. Ali, personagens expõem suas opiniões, eu conto minhas ideias e o que faço por aí. A internet nos dá essa possibilidade de aproximação com o público que nenhum outro meio de comunicação dá. Se não fosse essa plataforma de divulgação eu não estaria quase finalizando a venda de toda a primeira edição do meu livro. Foram 1500 exemplares, o que é pouco pra uma editora, mas para um livro independente é muito! É um trabalho de formiguinha em que temos que contar e pegar cada grãozinho que está no caminho, e depois andar por horas o levando pra casa. Mas vale a pena!

SL: Você acredita que ainda existe preconceito com os escritores nacionais?

CP: Eu não sei se é preconceito, falta de conhecimento ou de possibilidade. Hoje para se conhecer autores nacionais você terá que ir além dos antigos meios de compra e venda de livros. Pra isso terá que ir aos blogs, aos eventos e feiras e as resenhas dos sites. Tenho lido coisas maravilhosas que não são encontradas das grandes livrarias e não estão entre os 10 mais das revistas e jornais. E tenho que dizer, grande parte tem qualidade infinitamente superior a estes “best-sellers”. Só que pra entrar nessa “contagem” precisamos ter uma produção de mais de 10.000 livros por edição, o que nos deixa fora das estatísticas. Se existe preconceito, ele começa na nossa falta de opção, que hoje já é sanada pela internet desde que se tenha paciência de procurar os títulos e autores nacionais.

SL: O que você gosta de ler?

CP: Gosto da leitura em geral, de livros a revistas, blogs, sites e tudo o mais! E leio várias coisas ao mesmo tempo! Mas falando em literatura gosto mesmo é do livro que prende a minha atenção. Hoje procuro ler algumas coisas sem saber nada sobre o livro. Tenho descoberto textos maravilhosos que se tivesse lido a sinopse nem chegaria perto deles. Então essa pode ser uma dica! Atualmente estou me dedicando mais aos nacionais, mas temos sim que ler os grandes autores. Isso faz parte do nosso aprendizado.

Entre em contato com a autora:

e-mail: camilaprietto@gmail.com



Twitter: @camilaprietto

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