domingo, 29 de janeiro de 2012

Resenha: "Desastre" de S. G. Browne

Por Juliana Garzon

Título Original: Fated
Título Nacional: Desastre
Autor: S. G. Browne
Tradução: Inês Pimentel
Lançamento: 2010
Páginas: 271
Categoria: Romance
Editora: Leya

Sinopse:
Regra Nº1: Não se envolva com humanos.
Num mundo onde os sentimentos, caminhos e valores dos seres humanos são comandados por entidades superiores, o destino pode ser traiçoeiro. Conheça Fado, um imortal que designa sinas aos homens, mora num apartamento de luxo em Nova York e veste uma atraente roupa humana. Solidário com seus clientes e apaixonado por uma vizinha, passa a burlar suas tarefas, alterar destinos e bagunçar as coisas no reino dos Céus. Com um texto leve, hilário e muito atual, Desastre vai fazer você repensar suas escolhas, acreditar no poder do amor, e descobrir que até a Morte não é assim tão má pessoa.


“Desastre” é um dos livros mais divertidos que já li. O sarcasmo escorre pelas páginas (eba!) e as referências são, realmente, super atuais. A escrita leve e o apelo sexual “mascaram” a profundidade do assunto discutido nesta obra. Desde a primeira página acompanhamos a história pelos olhos de Fado. Não, não é erro de digitação. Fado segundo o dicionário é a mesma coisa que Destino. Mas não aqui, onde todos os humanos são controlados e guiados por entidades imortais. 83% da população mundial estão no caminho do Fado, que controla a sina de todas essas pessoas. O problema é que normalmente elas são perdedoras, bêbadas, drogadas e criminosas. A diferença entre Fado e Destino é que quem está no caminho do Fado não tem muito que fazer para melhorar de vida, o que não significa que ele não tem a opção de ter uma vida comum. Tem sim, só que a maioria dos humanos que está na trilha do Fado escolhe a alternativa errada quando chega a uma encruzilhada, diferentemente da população que está na trilha de Destino (que, aliás, é uma ruiva sexy apaixonada pela cor vermelha). Os privilegiados, que já nascem no caminho de Destino, são geralmente ganhadores de prêmios tipo Pulitzer, Oscar e Nobel.  

Fado, Destino e Morte são as únicas entidades imortais que são proibidas de interferirem nas escolhas dos humanos. Já as outras, como Felicidade, Justiça, Gula, Preguiça, Sorte e etc tocam as pessoas ao longo do caminho, ajudando-os ou prejudicando-os de forma totalmente subjetiva. Todas essas entidades são, na verdade, bolas de luz, mas usam uma vestimenta humana para observar os humanos, quando estão na Terra adotam pseudônimos (O do Fado é Fábio) e têm um padrão de vida altíssimo. Todos respondem ao supremo Jerry, ou Deus, se você preferir.

Fado não acredita na raça humana, já que lida com milhões de fracassados todos os dias. Mas isso muda quando ele se envolve com uma humana, que, ironicamente, está na trilha de Destino.

A obra nos faz refletir sobre como as nossas ações afetam os outros, por mais que seja dar um simples e educado ‘bom dia’ a um estranho no meio da rua ou gritar com alguém no trânsito. E isso vai muito além dos “seis graus de separação”. Além disso, o livro traz de forma leve as crenças de religiões que pregam que nós também somos influenciados por entidades (espíritos) e a reencarnação.

“Aquele que fala sem mágoas, de forma honesta, cria carma positivo.”, ele [Carma] diz com os olhos fechados, expondo a filosofia do carma no budismo.
“Dedique-se a ações positivas, evitando o que poderia causar algum mal.
“Viva de uma forma que não provoque sofrimento nem a si nem a ninguém.”


- “Desastre”, pg. 148



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