quinta-feira, 1 de março de 2012

Resenha: "O Barulho Na Minha Cabeça Te Incomoda?" de Steven Tyler

Por Juliana Garzon

Título Original: Does the noise in my head bother you?
Autor: Steven Tyler
Tradução: Éric R. R. Heneault, Francisco José M. Couto, Marcelo Brandão e Olga Cafalcchio. 
Lançamento: 2011
Páginas: 478
Categoria: Biografia
Editora: Benvirá
Sinopse: Steven Tyler é vocalista da famosa banda norte-americana Aerosmith, formada em Boston, Massachusetts, no início dos anos 70. Sua trajetória como líder da banda é narrada aqui, por ele mesmo, sem cortes: desde a formação como músico; o afastamento para tratar da dependência de drogas, sem muito sucesso; o regresso em 1984, quando, em turnê, Tyler chegou a desmaiar no palco... Ele também narra suas aventuras sexuais e fala do reconhecimento da paternidade da atriz Liv Tyler. Um livro polêmico - como é, muitas vezes, a vida de um astro do rock.



“I go craaaaaaazyyyyy, craaaaaazyyyyy craaaaazyyyyy for you baaaaabyyyyy" – Opa! Desculpa. 

Durante todo o tempo em que li esse livro fiquei pensando “nossa, não vejo a hora de fazer a resenha dele para o blog. Quero falar disso, e disso, e disso”. Mas eu tenho o triste hábito de não anotar as minhas ideias e aí, quando finalmente acabo não sei o que escrever aqui. E eu vou explicar por que: “O Barulho Na Minha Cabeça Te Incomoda?” não é um livro ‘preto no branco’ , do tipo ‘ou você gosta ou você não gosta’. É interessante, falando o mínimo. 

Eu sei que ninguém tá lendo isso para saber a minha história de vida, mas eu tenho um objetivo. Juro.

Então vou começar pelo começo (de preferência, né?!). Mais ou menos como eu “descobri” o Aerosmith: fase 13 anos- ‘aah, ninguém me entende’, ‘não quero fazer o que meus pais me obrigam’, ‘quem eu sou?’; e para ajudar tinha acabado de mudar de cidade e, consequentemente, de escola. AimeuDeussocorro. De alguma forma surgiu “Crazy”. Eu e minha amiga: “Eba! Vamo pro carro que tá na caragem e vamo imitar elas? Vamo!”  (Eu lembro tudo até hoje, quer que eu te mostre?!). “Noooossaaaa essa música é tudo. Que tudo vá para o inferno, vou viver craaaaaaaazy!” (Sendo que a minha ideia de viver ‘crazy’ era não levar blusa de frio para a escola quando minha mãe mandava, porque ia esfriar. Rock ‘n’ roll na veia!).

((MANO PARA TUDO! Sério, tô aqui revisando o texto antes de postar e fui pesquisar quando “Crazy” foi lançada (em 1993- pensa, eu tinha 3 anos!) E o carro que elas dirigem é um Mustang (ano 1987, eu gosto do 1969). Mas, whatever! É o meu carro! Sério, eu amo esse carro! É o destino.... Hehe. Tá, pode continuar a ler.)) 

Pesquisa no Yahoo! (na época Google ou não existia ou ainda era Gôglê- não me lembro e também não vou pesquisar): aimeuDeusparatuuudo- essa do clipe é a filha do Steven?! Ela é a Arwen de Senhor dos Anéis?! Ela é linda e alta (1.78m) e eu amo ela. Entendam: mesmo não sendo tão alta quanto ela (eu=1.77,9m- haha brincadeira!) eu era a maior da sala e me achava tudo menos um ser humano do sexo feminino com uma aparência descente. (Prometo que não vou divagar no aspecto psicológico do meu trauma de adolescência). A Liv Tyler era alta e bonita e crazy! Por que eu não podia ser também?! 

“You have to learn to crawl, before you learn to walk....”- Foi mal de novo, é que começou a tocar aqui.

Muito tempo e muitas bandas passaram pela minha vida. Aerosmith às vezes ficava naquele cantinho empoeirado, mas sempre estava lá. Ha! Era só tocar “Crazy” (em qualquer lugar) que os meus braços iam para o ar, como seu estivesse no carro conversível. Enfim, acompanhei de longe algumas notícias da banda, mas continuei fã da Liv até hoje (tenho um amigo que já conheceu ela e disse que ela é liiiiiiinda (ah, jura?!) e muuuuito educada).

E então o Steven vida loka resolve lançar um livro. (Aliás, Fran, muito obrigada por ter me emprestado! =D).

Eu nunca havia lido uma biografia. Ainda mais uma escrita pelo próprio dito cujo. #medo

Nunca passou pela a minha cabeça que ele tinha tido uma infância tão... tão normal.  (Lógico, Juliana, ele nasceu injetando heroína, sua retardada). Não, não foi isso o que eu pensei, mas no mínimo ele havia sido criado ou por pais aloprados ou por familiares ausentes. Nope. Ele veio de berço e começou a se envolver com a música por causa do pai, imigrante italiano (Aliás, vocês sabem que o sobrenome verdadeiro do Steven é Tallarico? Não? Ha! Isso eu já sabia), que tocava em restaurantes de New Hampshire- NY. 

A escrita de Steven (não o chamem de Steve, ele não gosta) é leve e realmente me remeteu ao fluxo de consciência de Jack Kerouac em “On The Road”. Então, não fiquei surpresa quando ele disse que, nos anos 60, queria ser um beatnik. (Aaaah muleke! Tô te sacando já, meu chapa!) Não. Ele prefere descrever essa obra como seu fluxo de inconsciência. Que seja.

Steven Tyler aproveita o espaço para contar a sua história, defender-se de falsas acusações (segundo dele) e também relatar acontecimentos do ponto de vista dele. Tem muita droga. Tem muito sexo. Mais do que eu gostaria, para falar a verdade. Tio, na boa, eu não preciso ficar lendo o quanto você se vangloria do tamanho do seu equipamento ou da quantidade de posições que você faz na cama. Sério. 

Steven também relata todas as vezes em que foi parar numa clínica de reabilitação. Primeiro por causa de drogas pesadas, mas depois por causa dos remédios (drogas também, claro) que tomava por conta das dores no pé e no joelho (estraçalhados depois de anos de abuso nos palcos). Aliás, ele começou a pular feito um macaco porque tinham atirado num cara e ele ficou com medo de um fã maluco fazer o mesmo com ele, então começou a ir pra lá e pra cá, assim ficaria mais difícil de acertá-lo. 

Ele também fala sobre a sua relação de amor e ódio com o guitarrista Joe Perry, dos abusos dos agentes, produtores e executivos das gravadoras. Na época, sabe qual era o preço para se entrar no camarim e conhecer os caras? 1 grama de cocaína. 

Tudo isso é muito interessante para mim. Mas, honestamente, não sei se o seria para alguém que não tem nenhuma relação com as músicas ou que simplesmente sabe que o Aerosmith existe.

Hoje ele está sóbrio, mas, acho que ainda não tava com o tico e o teco funcionando direitinho quando escreveu o livro (que tem revisão do editor-fundador da Rolling Stone, David Dalton), porque tem hora que ele tá relatando o passado, por exemplo, em 1996, ai ele pula para 2001 e volta para 1975. What the hell, dude?! Sabe uma parte que eu não entendi nada? Ele fala que em 2002 a esposa dele, Teresa (mãe de Chelsea e Taj- os 2 filhos mais novos), morreu. Sinto muito, mas beleza. Aí, em 2006 ele estava reformando a casa bla bla bla e a Teresa e a Chelsea ficaram para supervisionar a obra. Do além?! Sério, me perdi muito na timeline. Me perdi também quando ele começa a falar de aspectos técnicos musicais. Ele é músico e tem todo o direito de falar sobre isso. Mas eu, como alguém que mal aprendeu a tocar ‘Parabéns’ no violão, também tenho todo o direito de não entender nada.

Steven não se arrepende de todas as drogas que usou (consumiu o equivalente a 20 milhões de dólares), o que me surpreendeu. Ele se defende dizendo que ninguém disse a ele que elas faziam tão mal assim, que era o único estilo de vida que conhecia e que todo mundo fazia a mesma coisa. Ty-Ty, sua mãe nunca te ensinou o ditado da ponte?! 

Ele também me pareceu pouco a favor da monogamia para rockstars. Ele traiu a esposa na estrada e defendeu que ‘faz parte do trabalho’. Desculpa, mas ai não, né? Dorothea Bongiovi, por favor, explica para ele. 

Meu Deus, eu to escrevendo demais! Mas ainda tenho algumas partes do livro que quero dividir com vocês.

Uma passagem muito bonita está na página 158: “Seja dono de seus erros! Escreva algo, cante algo- por pior ou melhor que seja- que ninguém fez antes.”

Amém, irmão!

Na página 229... ELE DEU EM CIMA DA JOAN JETT, MEEEEEOOOWWW!!!! Sabe como? Ficou sentado pelado na frente da porta do quarto de hotel dela e ela respondeu: “Não curto dez polegadas, baby” e bateu a porta na cara dele. Chorei de rir.

Na 304 ele fala sobre como o público vê a banda num show, sem toda a minúcia técnica, e descreve perfeitamente como eu me senti no show do Bon Jovi em 2010 (saudade!) e do Paramore em 2008 (?), isso é, enquanto tentava não morrer no último:  “Eles focam na imagem de Joe [Perry, o guitarrista] diante deles, o cara legal que viram na contracapa. Ah, meu Deus, é ele, e é ao vivo, e ele está no palco! Steven Tyler- ao vivo e em pessoa”... e aí começa a xingar a imprensa. É, ele não gosta de nós. Hahaaaa, já pensou eu chegar nele: “E aí, Steve, beleza? Meu nome é Juliana e sou jornalista” “@$$¨%&%&!!!!”.

Steven Tyler conversa com o leitor e aaaai, como eu amo isso! Quando é feito da maneira certa, claro; ainda que eu não saiba definir essa maneira.  Mas amo o jeito que ele faz na página 399, depois de divagar um pouco sobre o sentido da vida: “Espere! Pare! Não acabei! Você está louco, isto não é o final do livro! Tenho mais para dizer, seu puto! Vire a porra da página!”.

A minha resposta? “Calma Steven, seu porra loca, eu tô com você desde os 13 anos!”.

 Hehehe.



8 comentários:

  1. Ri muito, adorei a parte da Dorothea (embora eu morra de ciúme dela), estudei com uma menina insuportável que tinha o sobrenome Tallarico e que porra de ditado é esse da ponte?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Velho! "Se 'fulano' pular da ponte, você também pula?"

      Excluir
  2. Também nao tinha entendido a parte da ponte, Thanks Fran por perguntar!! hahaha. Como sempre as resenhas da Ju super hilárias, me acabei de rir aqui do 10 polegadas!!

    ResponderExcluir
  3. Se você não conseguiu acompanhar o livro fora da ordem cronológica então não assista aos filmes de Tarantino, nem assista (500) days of summer.

    ResponderExcluir
  4. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  5. Gente eu queria esse livro em PDF vocês poderiam me ajudar? Meu imail é yeda-hellen@hotmail.com

    ResponderExcluir
  6. Eu li o livro recentemente, e sobre a confusão que ocorreu na sua cabeça naquela parte que o steven diz que chelsea e teresa foram la ver a casa e blabla não passa de um equivoco, pois a esposa dele que morreu, é a cyrinda foxe, não a teresa, que está viva. Entretanto, entre as outras, achei sua resenha digníssima! Parabéns.

    ResponderExcluir