sábado, 10 de março de 2012

Trailer de OTR promete uma adaptação digna de Kerouac

Tradução de artigo e opinião por Juh Garzon


Por Jerry Cimino (fundador do Beat Museum em São Francisco, USA)

Depois da morte de seu pai, o aspirante a escritor, Sal Paradise, encara uma página em branco na sua máquina de escrever imaginando qual o caminho que sua vida iria seguir. Um segundo depois um carro verde vem esterçando e para e Sal encontra seu “muso” quando Dean Moriarty aparece na cena. A vida de Sal nunca mais vai ser a mesma a partir do momento em que Dean leva a todos a uma viagem que nem sabíamos que existia.

O trailer da adaptação de Walter Salles do livro “On The Road”, de Jack Kerouac, acabou de ser lançado. Ele traz uma satisfação cinematográfica pela qual os fãs do livro esperaram por mais de 30 anos.

Sal Paradise, claro, é Jack Kerouac, e Dean Moriarty é Neal Cassady, o icônico herói de Kerouac.

Por décadas os fãs da Geração Beat discutiram a controvérsia de se deviam até tentar fazer esse filme. Eu entendo os dois lados da discussão. “On The Road” é um livro muito pessoal para muitas, muitas pessoas. No Beat Museum, em São Francisco, nós recebemos diariamente pessoas do mundo inteiro que estão em sua própria jornada, iniciada pela leitura dos livros de Kerouac. “On The Road” ocupa um lugar especial no coração de várias dessas pessoas e elas não querem que a sua visão do livro de Kerouac (e suas jornadas particulares) sejam prejudicadas.

O outro lado da discussão é, claro, que “On The Road” tem que ser um filme. O próprio Jack Kerouac mandou uma carta para Marlon Brando em 1959 implorando a Brando que fizesse o filme. Kerouac entendia que um livro não é um filme e ele até disse a Brando que estava disposto a escrever o roteiro ele mesmo, incorporando qualquer mudança que fosse necessária para que a história do livro funcionasse como um filme.

Em 2012 essa discussão ainda não terminou. Mas com o lançamento do trailer da adaptação de Walter Salles para “On The Road” eu acredito que a equipe encontrou magnificamente o equilíbrio entre a obrigação para com os fãs e as próprias inspirações artísticas.

Nesse 1 minuto e 45 segundos de trailer está capturada toda a energia, a paixão, a excitação em a incerteza do próprio livro. A sexualidade crua de Garrett Hedlund como Neal Cassady e Kristen Stewart, como sua esposa de 16 anos, Lu Anne Henderson. Dos salões de dança de Nova York aos quartos de hotéis de Denver para as casas de prostituição no México, as palavras de Kerouac tomam vida na tela.

Com o lançamento desse trailer parece que a francesa MK2 Produções, a brazileira Videofilmes e a empresa de Francis Ford Coppola American Zoetrope combinaram a entrega de uma interpretação de tirar o fôlego de uma história que os fãs de Kerouac conhecem tão bem.

E para aqueles fãs que têm segurado a respiração por todos esses anos, esperando para ver se o filme encontraria suas expectativas- clique em ‘play’ e veja se você não respira mais aliviado.


Legenda: Hedlund Brasil.
...

Fãs de Kerouac e de membros do elenco esperaram o dia inteiro ontem pela estreia desse trailer, que foi atrasada por problemas técnicos com o arquivo de vídeo, segundo relatos oficiais nas redes sociais. Muita gente desistiu de esperar, ficou nervosa e começou a xingar a produtora e outras pessoas simplesmente resolveram continuar em frente ao computador e aguardar o prometido: o trailer iria ser lançado. E foi. Meu Deus, ele foi!

Cerca de oito horas depois do horário previsto de lançamento, o trailer de “On The Road” finalmente (por favor, destaque para o “finalmente”) foi publicado na internet para o ávido grupo de fãs e se espalhou como rastilho de pólvora.

A raiva, a impaciência, a falta de esperança... Tudo desapareceu ao vermos essas cenas de apenas 1min45 de duração. Como disse no Facebook, eu assisto a esse trailer esperando que, de alguma forma, essas cenas vão se estender e, de repente, vou ver duas horas de filme. É o que eu quero. Eu quero ver o Sal conhecendo Dean, quero ouvir o que eles vão conversar. Eu quero ver o Sal colhendo algodão. Quero ver o Dean dançando loucamente (meu Deus, eu estou falando que quero ver um cara dançando). Quero vê-lo brigando com a Marylou, com a Camille. Meu Deus, eu quero vê-lo dirigindo pela neve com a cabeça para fora da janela do Hudson!!!

Tem tanta coisa que eu quero ver nesse filme. Tem tanta, tanta coisa para se ver na vida. E eu quero ver tudo. Agora. E de novo. Por que?

Porque... “para mim, pessoas mesmo são os loucos, os que estão loucos para viver, loucos para falar, loucos para serem salvos, que querem tudo ao mesmo tempo agora, aqueles que nunca bocejam e jamais falam chavões, mas queimam, queimam, queimam como fabulosos fogos de artifício.”



“Na Estrada- On The Road” estreia no Brasil dia 15 de junho.
Mais informações aqui.

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