segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Resenha: "Sangue quente" de Isaac Marion

Por Maju Raz




Título: “Sangue Quente”
Autor: Isaac Marion
Lançamento: 2011
Páginas: 256
Editora: Leya
Categoria: Ficção Fantástica/Zumbis

Sinopse:Em algum momento da história, os zumbis apareceram e agora o mundo está destruído. Os humanos normais fugiram para dentro dos enormes estádios de futebol e lá criaram suas pequenas comunidades. Mas nossa história é contada do ponto de vista de R, um zumbi que se arrasta como os outros, caça como os outros, come carne e cérebros (a mais fina iguaria) como os outros, mas que, às vezes, tem sonhos de como era ser humano, tenta se lembrar de sua vida anterior e filosofa sobre isso. Um dia, em uma caçada, R encontra Julie e, no meio da carnificina que seu grupo impõe ao dela, algo o impede de matá-la. Mas o que aconteceu? Será que ele é diferente? É possível haver atração entre humanos e zumbis? Serão eles Romeu e Julieta de um mundo pós-apocalíptico?”

"Estou morto, mas isso não é tão ruim. Aprendi a conviver com isso. Desculpe não me apresentar da forma correta, mas não tenho mais um nome. Dificilmente algum de nós tem um. Nós os perdemos como perdemos chaves de carros, os esquecemos como esquecemos de alguns aniversários. O meu talvez começasse com R, mas isso é tudo que sei. É engraçado porque quando eu era vivo, sempre me esquecia do nome das outras pessoas. Meu amigo M diz que a ironia de ser um zumbi é que tudo é engraçado, mas você não consegue rir, pois seus lábios apodreceram." - Página 13

Que eu sou apaixonada por histórias de zumbis isso não é novidade, mas esse livro sim é novidade. Eu sempre passava por ele nas livrarias, olhava a capa com uma citação de Stephenie Meyer ("Nunca pensei que poderia gostar tão apaixonadamente de um zumbi. Fiquei pensando na história muito tempo depois de acabar de ler o livro.") e nem chegava perto dele. Um dia resolvi pegá-lo, então o virei e comecei a ler: “Oi, eu sou um zumbi e isso não é tão ruim assim...” aí falei: “Oi, eu sou um zumbi? Ah não, que coisa nada a ver! Um zumbi narrando? Nunca que vou ler um livro desses, que não sei o que blábláblá. Pois é, como diz aquela famosa frase “nunca diga nuca” (risos). Um belo dia minha amiga me passou o trailer do filme “Meu namorado é um zumbi” e eu ri tanto assistindo e falei “quero muito ver esse filme”. Aí que fui ver que o filme era baseado em “Sangue quente”. Ok! Calei meu bico e pedi o livro de presente de natal e graças ao bom amigo secreto que me tirou, eu ganhei.

O tema é zumbi, mas é completamente distante das histórias apocalípticas que estamos acostumados a ler e assistir. Nele o mundo que conhecemos também já não é mais o mesmo. Uma parte da população foi infectada e agora muitos são zumbis. “R” e “M” são uns desses zumbis, eles são melhores amigos. Morreram não sabem como, nem por que. Só lembram a primeira letra de seus nomes e não recordam nada do que aconteceu antes de suas mortes.

Um dia, em uma caçada R acaba conhecendo Julie (uma humana) e sente uma vontade repentina de mantê-la protegida. É a partir daí que alguma coisa dentro de R começa a transofmar. Ele começa a “amar”.

Engraçado que em outras histórias de zumbis ficamos loucos em busca de saber o que aconteceu? Da onde veio o vírus? Por que os humanos viraram zumbis? Eles vão escapar dessa? Será que a personagem principal morre? Em “Sangue quente” não. No livro de Marion refletimos nossa própria identidade:

“Por que estou fazendo isso?... quero por extensão me conhecer: quem e o que sou de verdade.” - Página 153

Interrogamos pra que caminho a humanidade está indo, onde estaria a cura pra todo o mal (que seriam os zumbis)? Ou nós humanos fizemos tanta iniqüidade e nos tornamos o “todo o mal” do mundo?

“Acho que fomos nos destruindo ao longo dos séculos, nos enterrando em ganância e ódio e quaisquer outros pecados que conseguíssemos encontrar, até que nossas almas atingiram a camada de pedra no fundo do universo. E então fizemos um buraco nessa camada e atingimos um...lugar sombrio.” - Página 236

Chamo o livro de “livro-inovação” no tema zumbi. Indico pra todos que amam esse tema e mais ainda pra os que não gostam, porque não tem nada a ver com terror e carnificina. Um romance irônico, crítico e emocionante que mostra que todos nós estamos aptos a mudar o mundo com um simples ato: basta com amor começar as transformações dentro de nós mesmos.

O filme vai estrear nos cinemas nessa sexta-feira (8) com o nome "Meu namorado é um zumbi". Segue abaixo o trailer e os primeiros 4 minutos de filme para os curiosos.






 

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