sexta-feira, 1 de março de 2013

AUTOR DO MÊS: Carina Rissi

Por Francine Estevão


Carina Rissi é uma leitora com fascínio por amores impossíveis e se inspira em obras da clássica e reconhecidíssma Jane Austen. 

Do interior de São Paulo para a Alemanha. Seu primeiro livro, “Perdida”, foi traduzido para o alemão e entrou para a lista de mais vendidos.

“Procura-se um marido”, segundo livro da autora, já é sucesso no Brasil e esperamos que fora daqui também, em breve.

Sociedade do Livro: Carina, obrigada pela entrevista. Vamos começar com esse seu sucesso internacional. Como seu livro foi parar na Alemanha? E por que Alemanha e não outros lugares do mundo?
Carina Rissi: Oi, Francine, eu que agradeço pelo convite. =)
Eu não sei bem como o Perdida foi parar na Alemanha. Ano passado fui convidada pela CBL para fazer parte do catálogo deles, com o Perdida, na Feira do Livro de Frankfurt. Eu imagino que foi isso que gerou interesse nos leitores de língua portuguesa que vivem lá.

SL: Suas personagens geralmente são jovens. Você se inspira em experiências vividas?
CR: Mais ou menos. Acredito que cada um dos meus personagens tenha algo meu, mas normalmente coloco minhas heroínas em situações que nunca vivenciei. De preferência as mais ridículas e absurdas. rsrs

SL: Você é casada e tem uma filha. Sua família lê os seus livros? O que falam?
CR: Meu marido é meu maior fã, incentivador, crítico e tudo o mais que você possa imaginar. É ele quem lê primeiro, me ajuda na correção, aponta problemas que eu não tinha percebido antes. Não sei o que eu faria sem ele. Minha filha ainda tem 9 anos e como escrevo romances adultos ela ainda não leu nada, mas conto pra ela a história, editando. Ela adora opinar a respeito dos figurinos.

SL: Você começou sua carreira já com dois livros muito bem sucedidos. Você esperava por isso? Como se sentiu quando viu o retorno?
CR: Fui pega de surpresa, não esperava nem metade da aceitação que meus livros tiveram. É gratificante saber que consigo mexer com a emoção das pessoas, seja fazendo-as rir, chorar ou sonhar, e é um tanto assustador também. É tudo muito novo e acho que a ficha ainda não caiu. Adoro abrir meus e-mails e encontrar recados de leitores. É a melhor hora do dia.

SL: Ter ido muito bem logo de cara com seus dois primeiros trabalhos traz uma responsabilidade maior para futuros projetos? Aumenta a pressão?
CR: Sendo sincera, não. Vou explicar melhor; sou bastante insegura (em quase todos os aspectos da minha vida) então quando me sento para escrever eu deleto a informação de que alguém irá ler aquele texto em algum momento. Se eu ficar pensando no que o meu marido vai pensar, o que o avaliador da editora vai dizer, o que os leitores vão achar, eu tenho certeza que não seria capaz de concluir um único parágrafo. Penso nisso depois do projeto concluído, e aí sim, bate aquele desespero. É cômico quando envio o livro pra editora. “Mas eles vão ler!”, eu fico choramingando pela casa.

SL: E que o vem pela frente?
CR: Bem, já conclui a história de No Mundo da Luna e estou atando as pontas soltas. Adorei o resultado, acho que é meu melhor trabalho, mais maduro, me conheço melhor agora.
Depois (ou antes, não tenho certeza quanto a estratégia da editora) virá Perdida 2. Preciso finalizar esse projeto, pois até ameaça de sequestro já me fizeram rsrs.
Tenho um livro praticamente pronto que se tornou meu xodó. É um conto de fadas moderno onde o antigo e o novo se misturam, entrelaçam e confundem.  Eu acho que o título será Enquanto Você Não Vem ou Até Você Chegar, algo nessa linha.

SL: Você serve de inspiração para muita gente que quer um dia ver os próprios livros nas prateleiras de livrarias e nas mãos dos leitores. O que você diria para os novos futuros autores que enfrentam tantas dificuldades do mercado literário brasileiro?
CR: Fico muito lisonjeada com isso. <3
Bem, vai parecer bobo, mas meu primeiro conselho é BNC (Bunda Na Cadeira). Concluir um livro toma tempo, empenho e dedicação. Abusar das revisões e deixar o texto o mais perfeito possível. Depois disso é preciso um bocado de obstinação ( eu prefiro chamar de teimosia) e paciência. O mercado literário nacional é muito fechado, é difícil uma editora tradicional publicar um estreante, mas não impossível. E por fim o que, em minha opinião, é o mais importante: acreditar e apostar no seu trabalho. Se você não apostar nele, ninguém mais apostará.

SL: Agora em março (dia 23), você participa do Clube do Livro de Ribeirão. Para a sua carreira, qual a importância desse tipo de evento e de viajar pelo país se aproximando dos leitores?
CR: É vital. É quando eu consigo medir de verdade o quanto o livro agradou, onde acertei, onde podia ter feito melhor. É esse carinho que recebo dos leitores que me motiva a seguir lutando por um espaço nesse louco mundo literário.

Rapidinhas:
Livro favorito: Orgulho e Preconceito
Autor favorito: Jane Austen
Um livro que leu e que gostaria de ter escrito: sem dúvidas Orgulho e Preconceito

Nenhum comentário:

Postar um comentário