segunda-feira, 1 de abril de 2013

AUTOR DO MÊS: Maurício Gomyde

Por Francine Estevão

Em abril, o “Autor do Mês” é o escritor Maurício Gomyde, de "O Mundo de Vidro", "Ainda não te disse nada" e "O Rosto que Precedeo Sonho".
Maurício é Paulista, mas mora em Brasília e além de autor é músico - compositor e baterista.


Sociedade do Livro: Maurício, obrigada pela entrevista. O que nasceu primeiro na sua vida, a música ou a literatura?

Maurício Gomyde: Antes de tudo, eu que te agradeço imensamente pela oportunidade de falar aos seus leitores. Então, em relação à sua pergunta, a resposta sempre será a música. Venho de uma família de músicos. Minha mãe é pianista profissional, então cresci escutando-a ensaiar e tocar com muita gente. A literatura já veio um pouco mais tarde, na adolescência. Minha escola obrigava (que bom! rs) os alunos a escreverem muito, e tomei gosto pela coisa.

SL: E a música também marca presença nos seus livros, né. Como é misturar as duas artes?

MG: Acho que são complementares. Como sempre compus canções, naturalmente as duas artes já estavam presentes. Gosto de compor primeiro a canção e depois colocar a letra, da mesma forma que gosto de escrever o livro e inserir citações e trilhas sonoras nele. De qualquer forma, eu só escrevo escutando música, então não teria mesmo como dissociar uma coisa da outra.

SL: Normalmente, vemos mais mulheres publicando romances. Parece que há certo preconceito em homens escreverem livros do gênero. Como é ser um nome de destaque nesse nicho?

MG: Acredito que você esteja se referindo a romances românticos, certo? Quando a mestra Agatha Christie se meteu a escrever thrillers, alguém poderia ter pensado o mesmo, que não era literatura para mulheres... rsrs. Não vejo esta distinção de estilo, sabe? Para haver um romance na vida real, necessariamente terá de haver, no mínimo, duas pessoas envolvidas. Na maioria dos casos um homem, pelo menos. Ou seja, homens também podem se aventurar a contar histórias de amor, por que não? Sempre digo: enquanto houver gente no mundo, haverá romance! É meu estilo de escrita e leitura favorito, escrevo naturalmente e a turma tem gostado.

SL: Uma novidade na sua carreira é o contrato com uma editora inglesa para tradução e publicação de “Ainda não te disse nada”. Como foi o processo para conseguir esse contrato e como você recebeu essa notícia?

MG: O contato foi feito por uma agência do Reino Unido e que tem representação em São Paulo. Eles fizeram uma seleção dentre uma série de títulos de novos autores e o “Ainda não te disse nada” foi escolhido. Quando recebi a notícia, eles já vieram com o contrato. Acho interessante, porque é mais um mercado, maiores possibilidades. Minhas histórias são universais, com suas peculiaridades locais. As pessoas se apaixonam igualzinho no mundo todo, têm os mesmos interesses, as mesmas ideias, os mesmos sonhos. Acho que a história irá bem em inglês também.

SL: O autor nacional ainda passa por desafios muito grandes para se tornar reconhecido aqui no Brasil. O que você diria que pode ser feito para que os autores brazucas sejam mais reconhecidos por aqui?

MG: Em relação ao reconhecimento dos autores nacionais por aqui mesmo, acho que é questão de tempo e qualidade (e aí entra nosso trabalho). Temos que escrever cada dia melhores livros, histórias mais bem arranjadas e costuradas. Tenho certeza de que o preconceito será diminuído com bons livros. Além disso, o autor tem que botar a cara à tapa, tem que descobrir onde está seu público e ir garimpá-lo. Não adianta ficar em casa achando que vai dar certo sem esforço. Pode até acontecer, mas a chance é bem menor. Mãos à obra, então!

SL: Você é um grande adepto de promoções, sorteios e interação com o público. Você já pediu opinião sobre a capa do seu último lançamento e agora, para o seu próximo livro, você criou uma promoção para que um leitor se torne um personagem da história. Essa pode ser considerada uma parte essencial do trabalho do autor brasileiro? Essa interação com aqueles que vão ler seu trabalho?

MG: Acho que é um caminho irreversível, do autor brasileiro e do autor internacional. Seja conhecido ou anônimo. A internet está aí, nas casas e celulares de todo mundo. Por que não aproveitar este mundo de possibilidades? No meu caso, como sou autor independente, a coisa se faz ainda mais necessária. Se eu não falar de mim e se não conseguir que as pessoas espontaneamente falem do meu trabalho, serei ainda mais anônimo. Acho que se os leitores se envolverem com o livro desde o processo de criação dele (capa, book trailer, detalhes da história), vão se sentir ainda mais parte da história. Isso é muito legal.

SL: O que os seus leitores podem esperar do próximo livro?

MG: Estou na metade já. A ideia é lançá-lo no segundo semestre. As pessoas podem esperar uma história bem consistente e costurada, com personagens fortes. Mais um romance, com música, o humor de sempre. Gosto da ideia de o leitor sair leve e com a sensação de que gostaria de ter vivido aquela história. Se conseguir um pouco disso, então o dever terá sido mais do que cumprido.

Rapidinhas:

Livro favorito: O Apanhador no Campo de Centeio
Autor favorito: Nick Hornby
Um livro que leu e que gostaria de ter escrito: Alta Fidelidade

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