quarta-feira, 3 de julho de 2013

RESENHA: "Paperboy" de Pete Dexter

Por Francine Estevão

Título: Paperboy
Título Original: Paperboy
Autor: Pete Dexter
Lançamento: 2013
Páginas: 333
Editora: Novo Conceito
Categoria:

Sinopse: Hillary Van Wetter foi preso pelo homicídio de um xerife sem escrúpulos e está, agora, aguardando no corredor da morte. Enquanto espera pela sentença final, Van Wetter recebe cartas da atraente Charlotte Bless, que está determinada a libertá-lo para que eles possam se casar. Bless tentará provar a inocência de Wetter conquistando o apoio de dois repórteres investigativos de um jornal de Miami: o ambicioso Yardley Acheman e o ingênuo e obsessivo Ward James. As provas contra Wetter são inconsistentes e os escritores estão confiantes de que, se conseguirem expor Wetter como vítima de uma justiça caipira e racista, sua história será aclamada no mundo jornalístico. No entanto, histórias mal contadas e fatos falsificados levarão Jack James, o irmão mais novo de Ward, a fazer uma investigação por conta própria. Uma investigação que dará conta de um mundo que se sustenta sobre mentiras e segredos torpes. Best-seller do The New York Times, Paperboy é um romance gótico sobre a vida aparentemente sossegada das cidades do interior. Um thriller tenso até a última linha, que fala de corrupção e violência, mas que, ao mesmo tempo, promove uma lição de ética.



“Paperboy“ é um livro com começo e fim pouco interessantes, mas com um meio que prende o leitor. Principalmente se você, assim como eu, for jornalista.

“- O que você quer saber sobre aquilo? – Ele questionou.- Era verdade?- Você disse que era verdade – disse ele. – Estava no jornal como a verdade.” – p.272

O xerife do Moat foi assassinado e Hillary Van Wetter foi para a cadeia esperar pela sua vez no corredor da morte, mesmo que não haja provas concisas contra ele.  Lá dentro, o suspeito-condenado recebe cartas de Charlotte Bless, uma personagem curiosa que tem o estranho hábito de enviar carta para detentos. No caso de Van Wetter, Charlotte resolve apostar que com a ajuda dos jornalistas do Miami Times Ward James e Yardley Acheman ela conseguirá tirá-lo da prisão e se casará com ele.

Juntos, Charlotte, Yardley, Ward e seu irmão mais novo, Jack James, que nos conta a história, vão trabalhar tentar descobrir a verdade por trás do crime que abalou todo o condado de Moat, cidade de origem de Ward e onde seu pai mantém um pequeno, mas bem sucedido jornal local, o Moat County Tribune.

O livro mostra a visão de Jack de todo o caso desde seu acontecimento até sua apuração e conclusão. O jovem nadador que deixou a faculdade para dirigir o caminhão de entrega de jornais da empresa do pai e sem nenhuma intenção de se tornar jornalista, acaba relatando os bastidores da notícia. O que jornalistas fazem para conseguirem o que querem, até onde o que se busca é a verdade por trás dos fatos e entre outras coisas, o que uma notícia pode provocar em cada parte envolvida na história.

Um jornalista interessado, um jornalista interesseiro, uma mulher em busca de um casamento e de um ideal (salvar a vida de um homem e fazer o que ela acredita ser justo), uma cidade (pequena – com todas peculiaridades de cidades pequenas), dois jornais e muitas histórias em meio à tudo isso.

“Paperboy” acaba, por fim, nos questionando e nos fazendo repensar diversos valores. Além daqueles cotidianos, que estão presente na vida de todos, acho que é também (mais) um bom livro pra fazer jornalistas pensarem nas atitudes que tomam na busca por informações.

O livro foi adaptado para o cinema e Pete Dexter foi o responsável pelo roteiro do filme. O longa (que vai chegar ao Brasil com o nome de “Obsessão”) tem Zac Efron como Jack, Nicole Kidman como Charlotte, Matthew McConaughey como Ward, John Cusack como Hillary Van Wetter e David Oyelowo como Yardley. A estreia está prevista para este mês (julho/2013).


3 comentários:

  1. Eu li esse livro recentemente, e até mesmo publiquei uma resenha na internet sobre o mesmo. Gostei da sua visão da obra, e concordo que o final e começo são pouco interessantes. E achei que o final inconclusivo, que faz com que o leitor tire suas próprias conclusões é completamente ideal para um Thriller Jornalístico.

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  2. terminei de ler o livro ontem, sendo que tinha visto o filme semana retrasada; e gostei mais do filme que tem mais ação.
    o livro é sobre a ética do jornalismo investigativo, enquanto que o filme (como diz o acertado título brasileiro) é sobre a obsessão que Jack tem pela Charlotte e Ward pelo caso.
    o final do filme me agradou muito mais por ser bem violento, mas ambos tiveram um desfecho praticamente parecidos.
    e outro detalhe importante a mais do filme, é a questão do racismo dos anos 60/70 nos EUA, pouco abordado no livro.
    não é uma das leituras mais fáceis essa mesmo, não por causa da escrita, mas sim por causa da história que fica mais parada do meio para o final.

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    1. Infelizmente ainda não assisti ao filme, mas gostei da sua visão comparativa dos dois. Oportunamente assistirei. Obrigada pelo comentário.

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