quinta-feira, 1 de agosto de 2013

AUTORA DO MÊS: Iris Figueiredo

Por Francine Estevão

Iris Figueiredo é autora do livro “Dividindo Mel” e em breve, lança seu segundo livro (que sai até o fim do ano, pela editora Generale). O título provisório é “Bastidores da minha vida online”. Você também já deve ter ouvido falar dela por causa do blog “Literalmente Falando”. E, agora, ela é a nossa “Autora do mês” de agosto!


Confiram a entrevista que ela deu à Sociedade do Livro.

Sociedade do Livro: Os textos do seu blog têm um aspecto mais cotidiano. Já seu primeiro livro, conta uma história adolescente. Qual o perfil da escritora Iris?

Iris Figueiredo: Eu gosto de escrever sobre coisas reais. Apesar dos meus livros serem adolescentes, eu pego muito daquilo que eu e minhas amigas vivemos, e gosto de colocar em uma narrativa que seja fácil o leitor se identificar. As crônicas são sobre situações cotidianas, então não foge muito do que eu gosto de escrever. Eu gosto de escrever sobre o que acontece ou sobre o que pode acontecer. Acho que esse é meu perfil.

SL: Você também é uma leitora assídua. O que você mais gosta de ler, quais autores te inspiram?

IF: Assim como o que eu gosto de escrever, eu também gosto de ler sobre situações mais "críveis". Eu amo YA, mas contemporâneo. Eu até gosto muito de fantasia, ficção científica... Mas eu prefiro os livros "pés no chão". Gosto muito do John Green, da Sarah Dessen, da Maureen Johnson e das comédias românticas da Meg Cabot. Eles me inspiram bastante, mas acho que meu estilo de escrita tem mais em comum com a Dessen do que com o dos outros. De nacionais, adoro a Babi Dewet, Paula Pimenta e Carol Sabar.
Eu também amo livros mais "tristes", desses que te dão uma pancada. Gosto muito de histórias de personagens com problemas psicológicos, que tratam de bullying, distúrbios e traumas. Destaco "As vantagens de ser invisível", "Garotas de vidro", "Os treze porquês" e "As virgens suicidas". Muita gente não gosta desse tipo de livro, a temática é forte e tira a gente da zona de conforto, mas eu amo.

SL: Você é muito ativa nas redes sociais. Está sempre respondendo os fãs, fazendo novos amigos, conhecendo gente que só tinha contato com você pela internet. Como é essa relação com seu público? Alguma história te marcou?

IF: Foi na internet que fiz muitos amigos que hoje são imprescindíveis no meu dia-a-dia. Conheci minha melhor amiga pelo twitter, por exemplo. Eu gosto de como as redes sociais nos aproximam das pessoas. Às vezes pode ser um pouco invasivo, mas na maior parte das vezes, é algo legal. Um dia eu encontrei uma menina na livraria que disse que lia o blog e me acompanhava pelo twitter, que se identificava muito comigo e tinha vontade de ser minha amiga. Eu achei isso muito engraçado na hora, mas é verdade: a gente conversa tanto nas redes sociais que acaba se sentindo amiga de quem tá do outro lado. Eu gosto de conversar com os leitores, estar mais próxima deles. Eu gosto de falar de igual pra igual, saber como as pessoas recebem aquilo que estou postando e as redes sociais me propiciam isso.

SL: Quando você criou o Literalmente Falando já pensava em publicar um livro? Como as coisas aconteceram?

IF: Eu sempre quis publicar um livro. Quando criei o Literalmente Falando, eu estava escrevendo um livro e compartilhava os trechos com minhas amigas. Eu tenho várias histórias inacabadas, desde a época do Ensino Médio. Lembro que eu dizia na escola que queria publicar um livro até meus 21 anos e as pessoas começavam a rir da minha cara. Antes dos 20 já tinha um livro e um conto publicados e meu segundo livro será publicado quando já tiver 21. Foi um sonho que eu consegui transformar em realidade, um sonho bem mais antigo do que o Literalmente Falando.

SL: Há planos de um livro com os textos do seu blog? Ou “Bastidores da sua vida online”?

IF: Eu adoraria publicar um livro de crônicas no futuro, mas ainda não é uma prioridade. Alguns leitores do blog já pediram por isso e eu espero conseguir ter crônicas o suficiente no futuro para montar um livro. Ia ser bem divertido!

SL: Além do segundo livro, quais as novidades para quem acompanha seu blog e que já se tornou fã da Mel?

IF: Há planos de visitar diversas cidades e feiras com o próximo livro. Para a divulgação dele, vamos preparar outras coisas bem diferentes também. Eu pretendo escrever contos com os personagens, mas por enquanto fica só no campo das ideias.

SL: Você trabalha em uma editora. Todo mundo sabe que ser autor nacional não é fácil. Como a Iris dos bastidores da literatura analisa a situação dos escritores nacionais?

IF: Eu acho que falta profissionalização. A maior parte dos autores nacionais age como amador e quer ser tratado como profissional. A gente esquece que nosso livro, quando chega na mão da editora, passa a ser visto como um produto. É uma cadeia com muitos profissionais envolvidos até chegar às livrarias. É preciso estudar, saber ouvir críticas, se aperfeiçoar e tentar ser o melhor possível. Por isso é importante ler bastante sobre o mercado, ter cuidado com a própria imagem...
Hoje em dia um autor não precisa só saber escrever. Eu acho que existe muito espaço para autores nacionais crescerem, mas o trabalho com um autor nacional estreante demanda mais tempo e cuidado com a editora do que publicar um best-seller estrangeiro, por isso a seleção é mais cuidadosa. Assim, só se destacam aos olhos dos editores aquele que é aparentemente mais preparado. Mostre seu trabalho na internet, faça um nome. E procure um agente! É muito importante. Ele vai te ajudar a gerenciar todo lado profissional que você nem faz ideia e tornar mais fácil a ponte entre você e uma editora.

SL:  Você serve de inspiração para muita gente que gosta de escrever, tem blog e quer publicar um livro. É tão simples na prática quanto (parece) na teoria? O que você tem a dizer para esse público?

IF: Para mim, não foi complicado entrar no mercado. Parece até meio mágico, foi tudo bem natural. Mas acho que foi porque, antes de entrar, eu já procurei me informar bem para saber onde estava me metendo. Tudo fica mais simples se você se informa, se especializa. Não estou dizendo que foi fácil, mas que foi simples, porque eu já sabia o que teria que enfrentar no meu caminho. Eu quebrei a cara algumas vezes no processo, mas acho que bem menos do que teria quebrado se tentasse entrar nesse mundo às cegas. É um mercado, e como todo mercado, você tem que estar preparado de algum jeito. Acho que é nisso que a gente tem que pensar sempre.

Rapidinhas:

Livro favorito: A redoma de vidro, Sylvia Plath
Autor favorito: Sarah Dessen
Um livro que leu e que gostaria de ter escrito: Just Listen, da Sarah Dessen.


3 comentários:

  1. Fran,
    Já tinha no meu blog sobre festas infantis uma coluna chamada Biblioteca Mirim. Assistindo uma entrevista da Iris, senti uma vontade enorme de transformar essa coluna em um blog e assim nasceu a Bibliotecamirim.blogspot.com
    Será um prazer recebê-la.
    Beijinhos
    Aline Gago
    http://bibliotecamirim.blogspot.com

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  2. Obrigada pela entrevista, chuchu. Adorei responder as perguntas :)

    Bjs

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    1. Que bom que gostou, Iris! Ficamos muito felizes que você aceitou o convite para participar do quadro! Beijos

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