quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

RESENHA: "A Lista dos Meus Desejos", de Grégoire Delacourt

Por Francine Estevão

Título: A Lista dos Meus Desejos
Título original: La liste de mes envies
Autor: Grégoire Delacourt
Editora: Alfaguara/Objetiva
Lançamento: 2013
Páginas: 152

Sinopse: Até que ponto o dinheiro traz felicidade? Essa é a questão central de A lista dos meus desejos, o fenômeno de crítica e público que ultrapassou a marca de 400 mil exemplares vendidos na França e será levado às telas em 2013. Jocelyne Guerbette é uma mulher de meia-idade que sempre teve uma vida modesta e pacata. Mora há décadas numa pequena cidade francesa com o marido, tem um armarinho e escreve um blog sobre costura que, sem suspeitar, é cada dia mais lido. Jo tem duas amigas inseparáveis — as gêmeas Danièle e Françoise, donas de um salão de beleza — que sempre apostam na loteria e sonham com o que fariam se ficassem milionárias. Um dia, pressionada pelas irmãs, Jo decide comprar um bilhete. E ganha, sozinha, 18 milhões de euros. É o início de uma reviravolta em sua vida. Por um lado, tudo em que ela sempre acreditou começa a desmoronar diante de seus olhos. Por outro, poderá descobrir a felicidade onde nunca havia esperado. A lista dos meus desejos é um livro sobre a felicidade, e um conto de fadas moderno sobre a redenção nos momentos mais difíceis. Sem saber como lidar com a quantia de dinheiro exorbitante, Jo decide não contar ao marido sobre a fortuna recebida. Ela teme pelo pior: tanto dinheiro recebido de uma só vez possa trazer mais tristeza que felicidade. E, de fato, aos poucos a vida da personagem passará por mudanças irreversíveis, trazendo perigos nunca antes previstos. Numa trama pontuada pelo amor e pela imprevisibilidade do destino, Grégoire Delacourt desenvolve uma história sobre as prioridades do desejo. 


Seu enredo e a forma como a história é contada são bastante lineares, sem muitos altos e baixos, muito embora a vida de Jo, a personagem principal, passe por alguns altos e baixos. Tanto ela quanto a vida que leva são bastante pacatas, até meio entediante e acho que esse tédio acaba se transferindo para nós, leitores, enquanto acompanhamos a história. Não to dizendo que não gostei, acho que ele passa sua mensagem de um jeito meio próprio, mas é que a leitura acaba sendo um pouco lenta, mesmo com o livro sendo bem curto.

Jo é uma mulher normal. Insatisfeita com seu corpo, quase aos 50, dois filhos, casada há muito tempo com um cara cheio de sonhos e uma situação financeira nem boa nem ruim, mas insuficiente para realizar os sonhos sustentados por eles. Dona de um armarinho e “autora” de um blog sobre armarinhos, tricô e essas coisas, que tem ajudado a vida de muita gente mesmo sem ela saber.

Mesmo sem ter muita ambição na vida, Jo decide jogar na loteria por insistência de suas duas amigas, gêmeas, que sonham com o prêmio há anos. Por uma ironia do destino, ela ganha 18 milhões de libras (e só fica sabendo quase no fim do prazo pra resgatar o valor). Sem saber o que fazer com a quantia e depois de ser alertada de que tanto dinheiro poderia causar danos à sua vida (“O dinheiro é uma benção e um infortúnio”), Jo toma uma decisão: não contar sobre o prêmio pra ninguém e nem descontar o cheque por enquanto.

"Precisa de quarenta minutos para me explicar que o que está acontecendo representa uma bênção e um infortúnio. Sou rica. Poderei comprar o que quiser. Poderei dar presentes. Mas atenção. Devo desconfiar. Porque, quando temos dinheiro, passamos a ser amadas de uma hora para outra. Desconhecidos apaixonam-se subitamente. Vão pedi-la em casamento. Enviar-lhe poemas. Cartas de amor." - pág 37

Mesmo mantendo segredo e com o cheque escondido dentro de um sapato, a impressão que temos é que, se não todo mundo, pelo menos seu marido sabe do prêmio. Começamos a desconfirar das pessoas ao redor dela, seus comportamentos com Jo e essas coisas.

Então passamos a acompanhar o medo e a insegurança de Jo que se divide entre contar ou não para as pessoas que ela foi a ganhadora dos 18 milhões, o comportamento das pessoas e uma lista que ela decide fazer sobre o que poderia fazer com aquele dinheiro, a lista dos seus desejos. Trocadilhos à parte, a lista dos desejos dela deixa um pouco a desejar. Embora esse seja o foco do livro, a lista em si aparece pouco e não há muita “discussão” sobre isso na história de maneira geral. Eu esperava que tivesse mais conteúdo sobre a lista dela, que mescla entre comprar um descascador de batatas e pano de chão até chegar ao carro dos sonhos do marido dela.  

Por fim, o livro é mais uma reflexão sobre o que o dinheiro pode fazer com a nossa vida. Às vezes, 18 milhões mudam a nossa vida. Mas talvez, não da forma como imaginávamos que seria.

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