quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

RESENHA: "Nada", de Janne Teller

Por Francine Estevão

Título: Nada
Título Original: Intet
Autora: Janne Teller
Editora: Record
Lançamento: 2013
Páginas: 127

Sinopse: “Nada importa.” “Você começa a morrer no instante em que nasce.” Pierre Anthon está no sétimo ano e tem a certeza de que nada na vida tem importância. Por isso, ele decide abandonar a sala de aula e passar os dias nos galhos de uma ameixeira, tentando convencer seus companheiros de classe a pensar do mesmo modo. Agora, diante da recusa do menino de descer da árvore, seus colegas farão uma pilha de objetos que significam muito para cada um deles, e com isso esperam persuadi-lo de que está errado.
A pilha começa com uma coleção de livros, uma vara de pescar, um hamster de estimação... Contudo, com o passar do tempo, os participantes se desafiam a abrir mão de coisas ainda mais especiais. A pilha de significados logo se transforma em algo macabro e doentio, que coloca em xeque a fé e a inocência da juventude.
Após grande aclamação da crítica e inúmeros prêmios, Nada é considerado um clássico moderno, tendo vendido cerca de 240 mil exemplares na Alemanha e com direitos de tradução para 22 países. Printz Honor de 2011.


Quando minha amiga me falou sobre um livro chamado “Nada”, que falava sobre um menino que resolveu morar em cima de uma árvore por acreditar que nada na vida valia a pena, eu pensei “PRECISO desse livro”.

Para quem não sabe, minha relação com a palavra nada e o sentido (ou a falta de sentido) que essa simples palavra de quatro letras dá à vida é tão forte que ela foi a escolhida para ser o nome do meu blog pessoal (Sobre o Nada) justamente por eu acreditar que tudo na vida é sobre absolutamente nada.

Li o livro da Janne Teller em no máximo duas horas de tão curto e tão envolvente que ele é. Confesso que o final não foi exatamente o que eu esperava (embora eu não saiba bem qual seria um final ideal), mas quando você reflete, percebe que ele casa perfeitamente com o propósito do livro. O final é tão impactante quanto todas as poucas páginas de “Nada” que nos fazem pensar nas coisas que realmente são importantes na nossa vida, o que significa, de fato, ser importante e o quão relativo é a importância das coisas.

Janne Teller foi incrivelmente brilhante ao criar a história de “Nada”. O livro tem passagens bastante leves e outras completamente aflitivas, perturbadoras, que nos fazem passar alguns minutos em choque antes de prosseguir com a leitura. Ela toca na ferida de maneira suave, mas sem deixar de nos fazer parar pra pensar.

Pierre Anthon é um aluno da 7ª série que, no primeiro dia depois da volta às aulas, decide abandonar a classe. Ele sobe em uma ameixeira e passa a viver lá em cima, importunando seus antigos colegas de escola sobre o quão vazio é o sentido das coisas. Ele é um defensor absoluto do nada. Mas os seus colegas ainda são jovens demais para se render à probabilidade de a vida não ser nada e não levar a lugar nenhum. Por isso, toda a turma da classe de Pierre se une com o objetivo de provar ao garoto que a vida tem sim um significado.

Depois de muito pensar sobre como fazer isso – e quase desistir se rendendo à teoria de “nada” de Pierre - de forma a convencer Pierre a descer da ameixeira e parar de tentar convencê-los da importância do nada (ou da falta de importância de tudo), eles decidem reunirem “objetos” que são importantes para cada um deles e ao final mostrar aquele monte - que eles chamam de “significado” - ao colega.

Apesar de ser conduzida por jovens, a história nos apresenta alguns aspectos bastante pesados que nos incomodam não apenas pelos fatos em si, mas pelo motivo pelo qual acontecem. Acredito que ele mostra a trajetória de perda da inocência adolescente destes jovens em busca de algo que não os impeça de crescer e seguir suas vidas em frente.

Eu gostaria de falar mais sobre a história, mas ai cairia no mal dos spoilers. Então vou parar por aqui. Apenas para completar – e convencer todos vocês a lerem “Nada” – o livro tem o poder de mexer com a cabeça de cada leitor de um jeito único. Você vai julgar cada personagem (não só Pierre), suas atitudes e descobertas e vai parar para pensar em suas próprias atitudes e nos significados da sua própria vida. O que é tão importante pra você, por que e onde isso vai te levar?

2 comentários:

  1. Ótima resenha de um ótimo livro.
    Durante a leitura às vezes pensava: "esperava mais", mas tem cenas tão boas e que nos fazem pensar muito (tem filosofia pura nesse livro mesmo com personagens tão jovens).
    Um dia ainda pretendo relê-lo, já que é tão curto e rápido de ser lido por ser bem envolvente. (apesar que teve hora que pensava também: quantos personagens! não acaba nunca esse lance de um "desafiar" o outro).

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  2. Oi, resenha interessante, tenho esse livro mas ainda não o li por bobeira, mas essa semana irei ler, sua resenha me incentivou, obrigada!

    Abraços,

    https://meucantinhodatranquilidade.blogspot.com.br/

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