quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

RESENHA: "Noites Italianas", de Kate Holden

Por Francine Estevão

Título: Noites Italianas
Título original: The Romantic: Italian Nights and Days
Autora: Kate Holden
Editora: Novo Conceito
Lançamento: 2014
Páginas: 272

Sinopse: Quando Kate decidiu abandonar seu passado, em Melbourne, e começar uma jornada para dentro de si mesma, foi para um país reconhecidamente romântico. Enquanto se encantava com as ruínas de Roma e as praças de Nápoles, esperava encontrar — em ruas estrangeiras — sua verdade pessoal. Mas a peregrinação de Kate exigiu coragem. Encontrar o verdadeiro amor ou, quem sabe, perder-se para sempre de maneira a não ter mais qualquer chance de resgate foram possibilidades reais na Itália... Especialmente para alguém que estava acostumada a viver entre as vielas da escuridão. Em um romântico, mas estranho país, com muitos — alguns bem significativos — casos de amor, e mais algumas noites de sexo sem compromisso, ela vai se perguntar se é, verdadeiramente, um espírito livre, ou uma atriz que decorou tão bem o seu papel de mulher sedutora que já não consegue desvencilhar-se dele...


“Noites Italianas” mostra outro lado da vida da autora, Kate Holden. São seus primeiros passos depois de abandonar a prostituição e o vício em heroína – experiências relatadas em “Na Minha Pele”. Em Roma e Nápoles, Kate nos mostra os caminhos que seguiu em busca de si mesma e as recaídas que teve em uma terra onde era difícil resistir à tentação.

Cada capítulo representa seu envolvimento com um homem diferente e as experiências vividas ao lado deles, sempre na busca por um amor verdadeiro, mesmo sabendo que aqueles relacionamentos não virariam nada. É o fim da vida como ela conhecia e sua apresentação a um mundo ao qual ela ainda precisa se adaptar.

Por mais que o livro traga os relatos de uma fase pós-sofrimento da vida de Kate, eu senti que suas histórias neste momento são mais carregadas de tristeza e melancolia do que em “Na Minha Pele”. Em seu primeiro livro autobiográfico, existia conformismo e ela relatava suas experiências até com certo humor apesar de àquele ser um momento mais difícil em sua vida. Já neste livro, existe a incerteza constante sobre quem ela é depois de tudo que passou e quem ela deseja ser. Nos deparamos com uma situação muito comum no dia a dia de todos nós: é mais fácil continuar sendo e fazendo tudo como estamos acostumados do que mudarmos e enfrentarmos uma nova realidade. Aqui somos apresentados a uma Kate insegura e cheia de medos que aos poucos, através das relações vividas na Itália, vai se conhecendo um pouco melhor e se afirmando na vida enfrentando as dificuldades em deixar o passado pra trás mesmo que inconscientemente.

Fica impossível não comparar “Noites Italianas” com “Na Minha Pele”. A minha percepção foi a de que no primeiro livro, ela tinha histórias muito mais interessantes a contar do que agora. No entanto, para quem, assim como eu, gostou muito de “Na Minha Pele” e acabou criando uma simpatia por Kate, o livro despertou o interesse por mostrar a continuidade da história da vida dela. É meio que um sentimento de otimismo porque vemos que mesmo depois de tantos momentos ruins e de tanta dificuldade, ela vai encontrado o caminho que gostaria de trilhar. 

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