segunda-feira, 21 de abril de 2014

RESENHA: "Arrabal e a Noiva do Capitão" de Marisa Ferrari

Por Carla Rojas 


Título: Arrabal e a Noiva do Capitão
Autora: Marisa Ferrari
Editora: Novo Conceito
Lançamento: 2014
Páginas: 368


Sinopse: Giordano e Giuseppe são idênticos na aparência, mas suas almas não poderiam ser mais diferentes. O bravo Giordano é o capitão-chefe da Guarda Real. Giuseppe é um ator de coração puro e alegria contagiante que viaja com sua trupe para se apresentar nas praças e castelos da região. De caráter inflexível, Giordano tem como sua maior missão proteger o Rei. Por sua vez, o sonhador Giuseppe deseja escrever uma peça de teatro com diálogos, o que seria uma inovação para a época. Embora não sejam propriamente amigos, os dois irmãos vivem uma espécie de acordo de cavalheiros, respeitando o espaço um do outro e lidando com o delicado estado de saúde de sua mãe. Até que a formosa Luigia acaba com a paz da família Romanelli...
 Arrabal e a Noiva do Capitão nos transporta para a incrível Nápoles do século 18, magistralmente reconstruída por Marisa Ferrari. Uma história que resgata a magia do teatro e nos convida a compreender a beleza que existe nas contradições.

Eu realmente comecei a ler este livro sem ter noção do que se tratava. A capa e o título me faziam pensar que era apenas mais um romance, desses ambientados em tempos antigos e sobre um amor impossível. Mas não foi essa a impressão que tive após terminá-lo. “Arrabal e a Noiva do Capitão” é sobre escolhas e obrigações, liberdade e obediência,  camaradagem e segredos e tudo mais que essas antíteses implicam. E conta com uma abordagem  ótima, aliás.

O livro começa contando o nascimento de Giordano e Giuseppe, irmãos gêmeos e filhos de Gioconda e Carlo Romanelli. E é ao redor desses dois personagens que a história vai rodar. De início já fica claro que os irmãos são o oposto um do outro, em seus modos de viver especialmente. Isso causa uma distância praticamente tangível entre eles, até que ambos se apaixonam pela mesma mulher, Luigia.

 

Inicialmente esse enredo me pareceu bem clichê, e até o seria, não fosse  o final surpreendente que , de fato, foi um desfecho sensacional pra história, dando a ela um novo sentido fora do usual. A questão psicológica e individual (principalmente no fim) também é bem forte na narrativa,  tirando-a da superficialidade de um romance empacotado.

Sim, o decorrer do livro pode ter ocorrido de maneira bem lenta para mim. Embora acredite que isso se deva mais às minhas duas últimas leituras (Garota Exemplar e A Filha do Louco) do que a uma possível letargia de Arrabal e a Noiva do Capitão, que sem as características de um thriller de suspense das outras duas obras não tinha a mesma dinâmica bem veloz e fácil para ler.

Falando agora do cenário que a autora deu à obra, talvez eu seja suspeita para falar devido a minha preferência pela Itália, mas eu adorei saber mais sobre a Nápoles do século XVIII. Existe todo um embasamento histórico que foi uma surpresa agradável tratando-se de um livro nacional (afinal, as conquistas e batalhas de Carlo di Borbone não são um tema recorrente em livros brasileiros não é? Rs). E as falas em italiano, presentes em praticamente todos os diálogos (tem até um pouquinho em francês!) não chegam a atrapalhar o entendimento(não há tradução) pois são em sua maioria interjeições, frases e palavras que podem ser entendidas pelo contexto, mesmo que você não saiba niente de italiano ou seja um principiante na língua (como eu). Marisa Ferrari está de parabéns por ter criado uma narrativa com esses detalhes.




Marisa Ferrari nasceu no Rio de Janeiro. É jornalista e pós-graduada em Filosofia Antiga. Autora de poemas, roteiros de cinema e peças de teatro, entre eles o musical infantil “;Um príncipe desencantado”

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