quarta-feira, 28 de maio de 2014

RESENHA: "Dias Perfeitos", Raphael Montes

Por Francine Estevão

Título: Dias Perfeitos
Autor: Raphael Montes
Editora: Companhia das Letras
Lançamento: 2014
Páginas: 278

Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova literatura nacional.

Leia um trecho aqui.


"Não faz sentido...Eu deveria estar com medo, não?" (pág 58)

Dizem que todo mundo merece uma segunda chance. E eu me pergunto: todo mundo mesmo? Será? 

Eu comecei a ler “Dias Perfeitos” com uma expectativa “x” e conforme a leitura foi avançando, vi que teria que manter minha cabeça completamente aberta para o que estava por vir. Era diferente do que eu esperava, mas eu ainda não sabia se isso era positivo ou negativo. Até que eu tive o primeiro pesadelo enquanto acompanhava a história de Téo e Clarice. E confesso que, por alguns dias, fiquei meio que com medo de conhecer qualquer pessoa aparentemente normal. Porque eu acredito que esse seja o ponto onde o livro nos pega de jeito. Téo é um cara aparentemente normal, apaixonado e disposto a fazer de tudo para conquistar o amor de Clarice. No entanto, nesse caso tudo é TUDO mesmo!

O estudante de medicina e filho dedicado à mãe cadeirante Téo conhece Clarice totalmente por acaso durante um churrasco. No entanto, ele se apaixona pela jovem de imediato e dá um jeito de conseguir o telefone dela. Antes de ir embora, eles trocam um beijo rápido o que o faz pensar que Clarice também se apaixonou por ele. Sem saber como viver sem Clarice, Téo dá um jeito de se aproximar dela, no entanto acaba rejeitado quando declara seu amor. Aparentemente um cara exemplar, Téo acredita que Clarice só não sente o mesmo por ele porque não teve a oportunidade de conhecê-lo direito e é ai que toda a loucura começa.

Téo sequestra Clarice (mano, ele coloca ela dentro de uma mala como se ela fosse uma peça de roupa!) e a mantém refém e longe de tudo e de todos usando a desculpa de que ela pediu para que ninguém a incomodasse enquanto finalizava Dias Perfeitos, o roteiro de cinema que vinha produzindo sobre três amigas que viajam por Teresópolis, Ilha Grande e Paraty, parte do cenário da história de Téo com Clarice.

O livro tem alguns momentos em que pensei “aff, que besteira, até parece que ela se comportaria assim com tudo o que está acontecendo”. No entanto, bastou avançar um pouco nas páginas para ver que tudo tinha um propósito. Outras vezes, precisei parar a leitura para dar uma respirada de tão chocada que fiquei (só vou dizer uma palavra - pra não dar spoilers e ainda assim poder me comunicar com quem já leu o livro – coluna!) e pensava “meu Deus, como é possível uma pessoa ser tão horrível, fria a calculista assim?”.

O livro tem reviravoltas e reviravoltas e o leitor passa o tempo todo torcendo para que a Clarice consiga fazer algo para se livrar de Téo (quer dizer, eu espero que os leitores torçam por ela né rsrsrs). E todo o final, tanto de maneira geral quanto até a última palavra, são de deixar o leitor em choque. Depois de ler a última palavra fiquei alguns minutos olhando para o nada pensando em absolutamente tudo que havia lido desde que decidi pegar “Dias Perfeitos” e só uma coisa me veio à mente: genial. Porque é preciso ser um gênio para pensar em uma mente tão doentia quanto a de Téo e principalmente para fazer um final tão – inesperado, digamos assim mais uma vez para evitar spoilers.

Raphael Montes, a mente por trás de toda criatividade e maluquice de “Dias Perfeitos” comentou no Facebook que “O final de DIAS PERFEITOS tem causado polêmica. Alguns odeiam, ficam com raiva, querem brigar com o autor (sim, já recebi mensagens indignadas e até ofensivas). Outros amam o final, enviam elogios e dizem que o rumo não poderia ser outro. Só tenho a dizer uma coisa: acho tudo isso muito divertido”. Eu não vou dizer nem que amei nem que odiei. Se eu, como juíza de todo esse caso, faria um final diferente? Com certeza. Se eu como leitora mudaria algo? Definitivamente não. 


3 comentários:

  1. Nossa o livro parece ótimo, fiquei doida pra ler!

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  2. Medo e vontade de ler...O.O
    Ótimo texto! ;)

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  3. Estou super curiosa para ler esse livro porque os comentários são super positivos, sem falar que thrillers psicológicos me agradam bastante, principalmente quando são bem desenvolvidos.
    All My Life in Books - Aguardo sua visita!

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