quarta-feira, 7 de maio de 2014

RESENHA: "Os 13 Porquês", Jay Asher

Por Francine Estevão 

Título: Os 13 Porquês
Título Original: Thirteen reasons why
Autor: Jay Asher
Editora: Ática
Lançamento: 2009
Páginas: 256

Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.



Clay chega em casa certo dia e encontra uma encomenda. Uma caixa de sapatos com várias fitas cassete dentro e uma carta. As fitas foram gravadas por Hannah, que havia se suicidado poucos dias antes. Elas continham a explicação para o suicídio. 13 motivos relacionados a 13 pessoas que receberiam as fitas.

Clay não fazia ideia do motivo pelo qual estava entre os ouvintes. Logo ele que era apaixonado por Hannah, embora ele nunca tivesse confessado isso a ela. Mas para descobrir o motivo de estar naquela “lista”, ele terá que ouvir cada história até chegar sua vez.

Acompanhamos a história enquanto Clay ouve as fitas. Enquanto lemos o que ele está ouvindo Hannah contar, acompanhamos também os pensamentos e reações de Clay.

Esperava algo mais impactante de “Os 13 Porquês”. Ao ler sinopse, resenhas e ouvir alguns comentários, acreditei que os “porquês” apresentados no livro seriam mais grandiosos. Não que alguns não sejam, pois são. Mas alguns são bem “bobinhos”, se é que posso dizer assim. No entanto, aos poucos fui entendendo que a grandiosidade do livro estava na sua simplicidade, na simplicidade dos motivos que levaram Hannah a fazer aquilo.

"No fim tudo tem importância. (...) Sei que você não tinha a intenção de me magoar. Na verdade, a maioria de vocês, que estão ouvindo as fitas, provavelmente não tinha ideia do que estava fazendo... - do que estava realmente fazendo." (p.17)

A questão é: não são necessárias grandes coisas para causar danos à vida de uma pessoa. Às vezes, a mais inocente das brincadeiras pode causar um impacto inimaginável na vida de alguém. Afinal, nunca sabemos quais são os outros problemas que a pessoa enfrenta e que, somado à nossa “brincadeira”, pode causar um grande estrago. Às vezes, algo inocente para nós pode ser uma grande batalha diária para alguém.

"E vocês - o resto - repararam nas cicatrizes que deixaram para trás? Não. Provavelmente não. Não foi possível. Porque a maioria delas não pode ser vista a olho nu." (p.61)

"Acho que essa é a questão central. Ninguém sabe ao certo quanto impacto tem na vida dos outros. Muitas vezes não temos noção. Mas forçamos a barra do mesmo jeito." (p.135)

"O problema é que não ficamos sabendo o que realmente sentem as pessoas com as quais convivemos." (p.148)

Acho que as quotes acima são suficientes para resumir a história toda e nos fazer ver que não importa o motivo, importa que ele aconteceu e que gerou consequências que poderiam ter sido evitadas.

A leitura é rápida e vale muito a pena principalmente para pensarmos nos nossos atos diários, aparentemente insignificantes, e nas consequências que eles podem gerar. E serve também para ficarmos atentos aos pedidos de socorro diários que recebemos e que às vezes nem notamos. Afinal, podemos estar agora diante de alguém que precisa de nossa ajuda, mas quando nos dermos conta, pode ser tarde demais.


"Tudo que a gente realmente possui...é o agora." (p.176)


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