quarta-feira, 4 de junho de 2014

RESENHA: "Todo Dia", David Levithan

Por Francine Estevão

Título: Todo Dia
Título Original: Every Day
Autor: David Levithan
Editora: Galera Record
Lançamento: 2013
Páginas: 280


Sinopse: Neste novo romance, David Levithan leva a criatividade a outro patamar. Seu protagonista, A, acorda todo dia em um corpo diferente. Não importa o lugar, o gênero ou a personalidade, A precisa se adaptar ao novo corpo, mesmo que só por um dia. Depois de 16 anos vivendo assim, A já aprendeu a seguir as próprias regras: nunca interferir, nem se envolver. Até que uma manhã acorda no corpo de Justin e conhece sua namorada, Rhiannon. A partir desse momento, todas as suas prioridades mudam, e, conforme se envolvem mais, lutando para se reencontrar a cada 24 horas, A e Rhiannon precisam questionar tudo em nome do amor.


“É difícil estar no corpo de alguém de quem você não gosta, porque, mesmo assim, você  tem que respeitá-lo.”

“Todo dia” é um livro completamente diferente de qualquer outro que eu já tenha lido. Ele me fez pensar em como seria a minha vida se eu estivesse no lugar de “A”, se eu fosse, a cada dia, uma pessoa diferente. O autor nos convida a refletir um pouco sobre as muitas possibilidades que existem em cada um de nós e nos faz imaginar possíveis respostas aos enigmas apresentados.

“Não sei como isso funciona, nem o porquê. Parei de tentar entender há muito tempo. Nunca vou compreender, não mais do que qualquer pessoa normal entenderá a própria existência. Depois de algum tempo é preciso aceitar o fato de que você simplesmente existe. Não há meio de saber o porquê.”

“A”, o personagem principal, acorda cada dia em um corpo diferente, independente de sexo, opção sexual, religião, raça, ou qualquer outra coisa. Apenas o que se repete é sua idade. E mesmo sem saber porque, como ou até quando, aos 16 anos ele já está bem adaptado à essa rotina de ser algo diferente. Não um homem, não uma mulher, não uma alma, não um espírito, não uma entidade, simplesmente algo diferente com o qual ele aprendeu a lidar.

Depois de tanto tempo nesse “papel”, digamos assim, “A” aprendeu a simplesmente passar pela vida das pessoas de quem ele ocupa os corpos, sem interferir. Ele acessa as memórias de quem ele é no dia, aprende rapidamente a se comportar como o dono original do corpo, e depois, ao fim do dia ele se vai levando apenas algumas poucas memórias sobre a pessoa que ele habitou.

No entanto, tudo muda quando “A” amanhece no corpo de Justin. Não porque Justin seja diferente, mas por causa da sua namorada Rhiannon. Ao se deparar com a jovem, “A” sente que há algo de especial nela, algo que Justin não sabe valorizar, mas que ele sabe. E então toma uma decisão. Pela primeira vez ele vai se arriscar a ir além do que está acostumado a fazer no corpo das outras pessoas. E, inevitavelmente, acaba se apaixonando por Rhiannon. A partir de então, seus dias nunca mais serão os mesmos. “A” passa a se fortalecer como personalidade mesmo que não tenha um corpo próprio e vai tentar encontrar uma maneira de se aproximar de Rhiannon e fazer essa paixão dar certo.


Ao longo das 280 páginas de “Todo Dia” conhecemos inúmeras histórias diferentes. Algumas extremamente tocantes, outras que nos fazem pensar em como aquela pessoa faz da vida um desperdício. Uma falha que senti foi que, mesmo sem ser homem ou mulher, quando “A” se refere a si mesmo, ele usa o masculino, o que me deixou com a impressão de que ele era homem. Achei que o autor podia ter se atentado melhor a usar o artigo sempre de acordo com o corpo que “A” habitava fazendo dele algo ainda mais indefinido. Mas fora isso, a história é toda fofa e uma das mais “quotáveis” que já li! Também adorei o final. Pois, por mais que não obtenhamos algumas das respostas às perguntas que nos fizemos enquanto acompanhávamos a história, o desfecho é positivamente inesperado. Talvez, nem sempre precisemos das respostas, basta sabermos lidar melhor com as perguntas e conviver com elas de forma pacífica.

Um comentário:

  1. Adorei!!! O livro, o texto, o "quotáveis"...kkkkkkkk
    Parabéns! ;)

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