terça-feira, 26 de agosto de 2014

Que eu não perca a fé na humanidade pois na Bienal do Livro de São Paulo eu já perdi

Por Maju Raz

#BienalFail #Caos #TundoJuntoEMocosado
Que eu não perca a fé na humanidade, mas na Bienal eu já perdi. Vou te falar que está difícil. Vou te falar que cansa ter que brigar por tudo que é direito seu e se desgastar por pouco.

A viagem era pra ser divertida. Só foi por que estava com amigos e por que revi e conheci pessoas boas – Os escritores da NC e meus colegas de trabalho também da NC, a linda da Mariana Mortani do Blog Magia Literária <3 e Nathalia Alexandre da Arqueiro que foi mega fofa com a gente.  São essas as pessoas que me prendem ter fé na humanidade.

Fomos todos ansiosos e contentes para a Bienal de São Paulo deste ano, não diferente de quando fomos em 2012. Ao chegar em São Paulo a fila para pegar o ônibus gratuito que leva até a exposição virava o quarteirão.

-Gente, vamos a pé senão não aproveitamos nada...

Chegamos. Fila na entrada. Uma multidão aglomerada e mocosada se socando e se empurrando para entrar. Meus três amigos foram para um portão e eu fui atrás da minha credencial. Fui puxada e minha bolsa novinha foi rasgada. Estou me perguntando até agora por que eu fui puxada se a pessoa atrás de mim iria entrar de qualquer jeito.

Entro. Outra fila para se credenciar. Desconfiam de que não sou jornalista e me falam que sou blogueira e que tenho direito a credencial de blogueira. Tenho que entrar no e-mail do meu celular e mostrar a confirmação de credencial + meu MTB com a carteira de trabalho. Eu não posso ser blogueira e jornalista ao mesmo tempo? E se eu não tivesse internet no celular, como faria? O problema nem é esse. O problema é a forma com que as pessoas falam e tratam você. Grosseria e cara fechada.

O mais engraçado: Minha amiga que também é blogueira e jornalista não conseguiu credencial e eu sim, por que?

Entrei e cadê meus amigos?

Whatsapp: “-Maju, está lotado aqui fora! Não vamos conseguir entrar nunca!”

Eu consegui entrar por volta de umas 10:40 da manhã. Meus amigos me encontraram 11:20 da manhã no estande da NC. E pra chegar até lá? Mais estapeamento e mocosamento...

Stress no último! Por que estou escrevendo este post só hoje? Meu ombro ainda dói e minha cabeça ainda lateja. Não sou exagereda, sou realista.

O lugar era claustrofóbico e não comprei NENHUM livro que queria. Fila, fila, fila pra tudo e pra todos. Horários que mudam, senhas que esgotam, pessoas chorando. Trocentos autores famosos NO MESMO DIA? Como ver o seu preferido? Gente sem nível cultural nenhum pra frequentar uma Bienal.

Estava na fila da Cia das letras com a Roh do Tribooks e o botton da mochila dela caiu. Passou um homem e pediu licença. Eu disse: “Só um momentinho que já saio”. Então ele me disse: “Momentinho nada! Anda logo! E começou a me xingar...

Passou, ele saiu dalí. Deu uns minutos e ele voltou só pra esbarrar em mim de propósito e duas vezes! O que uma pessoa dessas vai fazer numa Bienal?

Tenho mais uma história ainda dentro da Cia das Letras pra contar. Mas essa vou usar as palavras da Roh do Tribooks, pois elas expressam muito bem o que aconteceu:

...Aconteceu no estande da Companhia das Letras. Entrei no estande porque adorava ( verbo no passado ) os livros da editora. Depois de comparar os preços do estande com os preços que estavam no site da Submarino (como todo leitor teve a inteligência de fazer) e descobrir que algumas promoções realmente valiam a pena eu enfrentei a fila gigante. Eu e minha amiga, aquela que pegou o MTB no bar da esquina de acordo com a ser humana da Bienal. Decidimos que aqueles livros valiam a espera. Ficamos andando na fila uns 40 minutos dentro do estande. Quando do nada, a fila para de existir e me sinto completamente perdida. Cade a fila? Para onde foi? Voltei para onde eu estava e perguntei para outra ser humana do estande da Companhia das Letras e expliquei que do nada a fila (que em primeiro lugar, o próprio pessoal da Cia das Letras mandou eu ficar) tinha acabado e ela me responde com um simples:  "Sim, vou te mandar para o final da fila".

Eu: "Moça, faz 40 minutos que estou na fila que vocês mandaram eu ficar, porque do nada você vai me mandar para o final da fila?"
Ser humana: "Vou te mandar para o final da fila, só que a fila para o caixa está de 2 horas"
Eu: "Não moça, espera. Não estou entendendo".
Ser humana da Companhia das Letras: "NÃO ESTÁ ENTENDENDO O QUÊ? É SÁBADO! É BIENAL".
Em choque eu tentei fazer ela entender que eu não estava brava com ela: "Moça, só estou querendo entender porque você está me mandando para o final da fila sendo que eu já estava na fila."
Ser humana: "Você não estava na fila, nunca esteve, aquela não era a fila do caixa."

Minha amiga vira para mim e fala: "Ro, esses livros não valem a humilhação". Joguei meus livros na mão da ser humana e fui embora.

Se não conseguiram entender, vou explicar mais detalhadamente:
1- O próprio pessoal da Companhia das Letras me encaixou na fila e disse que era para o caixa.
2 - a fila se dispersa, e mais tarde fui entender que esse pessoal da frente saiu sem pagar por isso dispersou.
3 - Me enviam para o final da fila, gritaram comigo e contradizendo o próprio coleguinha da editora, dizem que eu não estava na fila para o caixa. 

Preciso falar alguma coisa a mais? Não né...Humanos parecendo Gnus possuídos em debandada. Fila de duas a três horas pra comprar livro que estava mais barato em livrarias virtuais...espaço pequeno nos estandes com FILAS nos corredores que atrapalham se locomover. Falta de água pra VENDER...Banheiro? Fila pra fazer xixi e por aí vai a tão esperada Bienal...

Fila, povo mocosado, fila, povo se debatendo, fila, fila, fila, fila, falta de preparo, falta de espaço, falta de acatamento – CAOS!

Chega. Só de ter que relembrar tudo para escrever eu já me estresso de novo com a falta de organização e respeito que tiveram com as pessoas.

Leiam mais sobre o evento AQUI no Tribooks. Você com certeza vai sentir a mesma angústia e stress que sentimos com esse texto.

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