sexta-feira, 29 de agosto de 2014

RESENHA “As Gêmeas” de Saskia Sarginson

Por Carla Rojas 

Título Original : The twins
Editora: Novo Conceito
Lançamento: 2014
Páginas: 313
Sinopse: As gêmeas Isolte e Viola eram inseparáveis na infância, mas se tornaram mulheres muito diferentes: Isolte tem um emprego glamouroso em uma revista de moda de Londres, namora um fotógrafo e vive em um bairro descolado. Viola, desesperadamente infeliz, luta contra um transtorno alimentar e não faz questão de se ajustar a nenhum grupo. O que pode ter acontecido para levar as gêmeas a seguirem trajetórias tão desencontradas? À medida que as duas jovens começam a reviver os eventos do último verão em família, terríveis segredos do passado vêm à tona – e ameaçam invadir suas vidas adultas.
       





Não estava animada para ler este livro. Os motivos? A capa, apesar de bela, é sombria e eu não estava no clima para um drama. E a frase na capa: “Elas eram idênticas em todos os sentidos, até que o impossível as separou” me parecia forçada e muuuito melodramática. Eu não me sinto nem um pouco atraída a ler livros cujo enredo principal trate de alguma ligação especial entre irmãs gêmeas, o que certamente tem a ver com o fato de eu mesma ter uma irmã gêmea (não somos idênticas como na obra, mas mesmo assim). As primeiras 80 páginas não me cativaram, confusão na narração e excesso de flasbacks me fizeram demorar um mês para voltar a lê-lo (quem me conhece sabe que isso é totalmente fora do normal rsrsrs). Retomei a leitura para aprender a aprecia-lo apesar dos tropeços.

A narrativa pode ser confusa no começo. São dois modos de narração: em terceira pessoa para Isolte, e primeira para sua irmã, Viola. Essa mudança de pessoa me incomodava e eu não entendia o porquê dessa diferença. Pensei que talvez fosse uma maneira de diferenciá-las, até me ocorrer que essa mudança de pessoa fosse apenas um reflexo das personagens. Uma tentativa de aproximar mais o leitor da dor que Viola sente ao mesmo tempo em que se mostra um distanciamento maior de Isolte (isso certamente seria algo condizente com a maneira que ambas tratam seus passados). Se for esse o caso, parabéns a escritora, uma sutil sacada. Se não o for, bem, devia ter sido (hahaha!).

De inicio já somos informados sobre a ocorrência de algo, ainda durante a infância das gêmeas, completamente trágico e relacionado à polícia que seria o tal evento que “as separa”. Vemos também como Isolte já era mais forte que Viola, narradora desse primeiro capítulo, que logo revela-se adulta, debilitada e atormentada pelos fantasmas do passado. Issy, em contra-mão, é bem sucedida profissionalmente, tem um namorado fotógrafo, e não aparenta graves sequelas do ocorrido. É esse o grande mistério da trama, descobrir o que poderia ter acontecido que resultaria em consequências tão diferentes.

Tá certo que lançar um enigma nas primeiras páginas e fazer o leitor ler  o livro inteiro em busca das respostas é bem comum, mas nesta obra desvendamos o passado ao mesmo tempo em que acompanhamos o presente. Sim, o livro não segue uma ordem cronológica. Se você não for um amante da descontinuidade terá sérios problemas com ele. Para mim, demorou um bocado até que eu me acostumasse a uma narrativa tão quebrada. Isso não teria sido um obstáculo não fosse a falta de empatia por qualquer uma das protagonistas, devido ao seu estilo de vida enquanto crianças ser completamente distante de tudo que eu,  e grande parte da população, já vivenciaram. Em sua infância, Issy e Viola viveram primeiramente em uma comunidade hippie, com uma mãe fora do usual, logo se mudaram para uma cabana praticamente no meio de uma floresta. Algo bem livre, fora dos padrões, e quase desregrado. Mais um elemento para aumentar a áurea de mistério da trama.

Para entender as personagens só prosseguindo na leitura. A análise inicial pode ser desanimadora mas o ritmo é intenso e logo o leitor é preso  em seu suspense. Não dá pra falar muito sobre o desenvolvimento do livro sem soltar spoilers, por isso, limito-me a dizer que a autora consegue administrar nossa curiosidade ao ir dando pequenas pistas e revelando surpresas até o desfecho do enredo. Que eu considerei bem satisfatório, aliás. Nada extremamente absurdo ou terrivelmente simples. Uma vez que o passado se torna claro, resta descobrir o que será do futuro das irmãs, parte fica a cargo da imaginação do público. Fique avisado, o final é aberto, nada de conclusões definitiva. Embora eu tenha gostado desse fim, sei que muitos não o farão.

Concluindo, este não é um livro para todos. Mudanças de escrita, de POV’s, descontinuidade, final aberto tendem a causar certos desagrados ao público. Especialmente quanto combinados. Mas, se você estiver buscando apenas um thriller repleto de ação e  incógnitas, leitura recomendada!


Baixe o primeiro capítulo do livro aqui.

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