segunda-feira, 22 de setembro de 2014

O Livro no cinema: O Doador de memórias

Por Maju Raz

Título: O Doador de Memórias
Título Original: The Giver
Autora:  Lois LowryEditora: ArqueiroPáginas:  188Lançamento: 2014


Sinopse: Ganhadora de vários prêmios, Lois Lowry contrói um mundo aparentemente ideal onde não existe dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não existe amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes da pequena comunidade, satisfeitos com suas vidas ordenadas, pacatas e estáveis, conhecem apenas o agora - o passado e todas as lembranças do antigo mundo foram apagados de suas mentes. Uma única pessoa é encarregada de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz idéia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.

“Haverá mudanças.”


Eu assumo. Comprei o livro, pois vi o trailer no cinema. Quando vi as suas só 188 páginas pensei: deve ser muito bom esse livro! Tá bom! Eu assumo também que julguei seu conteúdo por conta do trailer do filme também... Então comecei a ler e já captei algumas ideias de temas distópicos já vistos, por exemplo, em 1984, Jogos Vorazes, Divergente sem um governo ditatorial com uma sociedade reprimida. As pessoas são levadas a tomar decisões sim, mas elas já são “acertadas”, ou seja, previnem os sentimentos com remédios, as comunidades são livres, ninguém sente ódio, dor, raiva, ninguém ameaça ninguém e os únicos que defendem o sistema são os anciões.

O livro apresenta essa sociedade e depois introduz Jonas, um Onze (onze anos), que está nervoso, pois está prestes a fazer sua ultima formatura e se ternar um Doze para sempre. Agora ele vai saber qual será a sua atribuição (profissão) da vida toda. Ele é então escolhido para ser o “Guardião das Memórias” e passa a conhecer o Doador, que vai dar as memórias de muitas antigas gerações a Jonas.

"- Jonas não foi indicado para uma atribuição, ele foi escolhido. [...] Jonas foi escolhido para ser o nosso próximo Recebedor de Memória."

Os sentimentos “existem”, mas são todos mascarados com remédios. A consciência não faz link com as emoções, não há o que pesar, não há o bem e o mal e eles vivem na mesmice do dia-a-dia “vivem normais”. Mas é aí que você se questiona – nós também não vivemos a mesmice? Eles VIVEM?  

“Nunca obtivemos domínio completo sobre a mesmice.”

Entre os pontos negativos, eu achei que o livro demorou demais contado a história de Jonas, como ele vive, o que come, o que faz, anda de bicicleta, quando vai ser sua formatura... A gente não sabe o por quê de o mundo estar como está e aguarda uma explicação sem sucesso pra isso.  E aí você espera, espera, espera algo acontecer e quando acontece – Pluft! Acabou o livro. Tudo bem que o livro é uma trilogia e eu posso estar sendo ansiosa e injusta julgando seu conteúdo primário e seu final um pouco vago por isso.  O segundo livro não é uma continuação direta do primeiro, mas as duas histórias se descobrem no último livro. Então vamos aguardar para ler e ver se há mais explicações para nós.

“...lembranças causam uma dor terrível.”



Fora isso a questão das memórias, dos sonhos, o ponto de sentimento X emoções que Jonas que vai recebendo, das coisas que ele vai distinguindo e reconhecendo, os cheiros, músicas, cores, sinestesias foram muito fortes tanto no livro quando mais ainda no filme. Amei essas partes.

No filme a fotografia começa em preto e branco, pois é assim que todos da comunidade enxergam. E passa a ganhar cor quando Jonas enxerga diferente as coisas. Gostei bastante dessa jogada. A trama ganha fôlego nos flashbacks de memórias mundiais e quando ele difere do livro – no momento em que Jonas se envolve de amores com Fiona e nos processos em que percebe que o homem renunciou a tudo – dor, música, paixão, AMOR.  Achei que o filme salvou o livro e fez com que eu gostasse o que não tinha gostado do romance.

“As lembranças precisam ser partilhadas.”

Jonas e Gabe
O que tanto o filme quanto o livro quiseram explorar foi o impacto sensorial  e emocional das lembranças esquecidas pela humanidade -  tristeza, dor, família, guerra, descobertas, segredos, paixões, festas, costumes, culturas, decepções e o mais importante: AMOR. Vale a pena trazer tudo isso de volta pelo amor? O homem é tão egoísta e egocêntrico que briga por diferenças, que exclui por indiferenças. Vale a pena ter tudo isso quando se “vive um dia normal em uma sociedade pacata? 

Eles mostraram que sim, vale. E eu também acho - O amor vale por tudo, o amor é tudo. Somos nós que com nossa falta de amor estragamos a beleza das coisas, das pequenas coisas, de um simples ato de amar uma criança, um irmão que não é nosso de sangue (como Gabe no romance), mas que é nosso irmão próximo. Esquecemos o real significado de amor e nossa “memória” se perde em cada ato de vingança, rancor, ódio, guerra e tudo mais simplesmente pela falta de amor.

Pode parecer piegas, mas mesmo o livro não valendo pela falta de uma explicação ou enrolação ele valeu por toda a mensagem que quis passar. E o filme mesmo tendo sido tachado como “feito para se encaixar na mediocridade da fantasia juvenil atual”, vale a pena ser visto também pela mesma mensagem. +AMOR <3


“Gostei do sentimento do amor. Gostaria que ainda tivéssemos isso.” 


Confiram o Trailer de "O Doador de Memórias":


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