quarta-feira, 15 de outubro de 2014

RESENHA: "Primavera Eterna", Paula Abreu

Por Francine Estevão

Título: Primavera Eterna
Autora: Paula Abreu
Editora: Arqueiro
Lançamento: 2014
Páginas: 128


Livro enviado pela editora para resenha.


Sinopse: Maia é uma jovem publicitária bem-sucedida. Tem um emprego estável, um namoro estável, uma vidinha estável. Até demais. Certo dia, tentando imaginar como seria sua vida no futuro, o casamento, os filhos, visualiza duas crianças loirinhas correndo... Loirinhas? Então ela se dá conta de onde vem aquela cor de cabelos: Diogo, o menino por quem se apaixonou à primeira vista aos 12 anos, numa cidadezinha do interior, onde costumava passar os fins de semana com a família. Acontece que ele se mudou para os Estados Unidos há mais de dez anos, e a essa altura da vida, já nem deve se lembrar mais dela. Mesmo assim, num impulso, Maia pede férias na agência, inventa uma viagem de trabalho como desculpa para o namorado e vai para Nova York, atrás do seu primeiro amor. Primavera Eterna é a história de uma jovem cheia de sonhos esquecidos, que ousa arriscar tudo o que tem e acaba encontrando a si mesma.


Li “Primavera eterna” em dois dias (ou melhor, duas sentadas). Além de ser curtinho, a história, com o jeitão de “crônica” daquelas que a gente ama ler todos os dias no jornal, é uma delicinha e a leitura flui rapidamente enquanto passamos apenas um dia na vida de Maia. Um dia muito importante na história da Maia do passado, do presente e do futuro.

"As tragédias gregas sempre se passam no espaço de um dia. É em um dia especial que o herói rememora a sua vida e percebe que tudo aconteceu para que fosse conduzido àquele dia trágico quando, enfim, encontra o seu destino. Mas o livro de Maia não é trágico; ao contrário, tem humor. E o humor é a forma mais generosa de lidar com a tragédia. Quando Maia nos leva ao fundo do seu sofrimento e ao  mesmo tempo o ridiculariza, transforma a vida em picadeiro e lá todos nós já fizemos o nosso número - quem não foi ridículo quando amou?" (p. 120)

Ela e Diogo se conheceram ainda crianças, mas o garoto foi o primeiro amor de Maia, aquele que ela nunca esqueceu mesmo com o passar dos anos e com a distância que se impôs entre os dois depois da mudança dele para Nova York com os pais sem dar tempo de se despedirem.

Nos anos que se passaram, Maia escreveu muitas cartas pra Diogo declarando seu amor por ele. Mas não recebeu nenhuma resposta, nunca. Uma vez, quando ele visitava o Rio, combinaram de se encontrar, mas ele não apareceu e ela ficou esperando sozinha por horas.

Mesmo depois de tudo isso, ao se imaginar mãe de duas crianças loiras e se dar conta de que a cor do cabelo dos futuros filhos tinha tudo a ver com Diogo, a bem comportada publicitária de sucesso, resolveu dar um tempo em tudo e partir para Nova York para reencontrar o rapaz.

Cheia de dúvidas sobre com o que iria se deparar caso Diogo aparecesse no local em que marcaram de se encontrar, revisitamos alguns momentos do passado de Maia, de sua história com o seu primeiro amor, de seus relacionamentos, de sua vida profissional, e de como foi que ela chegou até ali sem se esquecer dele, mesmo que sua imagem já não estivesse mais tão nítida na memória de Maia depois de 15 anos. E criamos, nesse meio tempo, uma ideia de quem é Diogo e do que ela poderá encontrar depois de tanto tempo.

Adorei a forma como a autora, Paula Abreu, conduziu a história. Me pareceu algo tão real que me fez ter a sensação de que ela contava uma história verídica. Além disso, me fez pensar um pouquinho nessa nossa mania de viver presos ao passado e de encontrar esperança nem que seja em uma linha tão fina. E será mesmo que “é o primeiro amor que nos move por toda a vida?”?


Um comentário:

  1. Ai que delicia de livro, eu gosto de livros pequenos, sou mt curiosa kkk' quando eu ver por aqui eu vou comprar

    Dá uma olhada na resenha que fiz do livro A bandeja
    http://www.byanak.com.br/2014/08/despertar-bandeja-lycia-barros.html#comment-form

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