quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

RESENHA "Twittando o amor", Teresa Medeiros

Por Carla Rojas Montero


Título: Twittando o amor
Autora: Teresa Medeiros
Editora: Novo Conceito
Lançamento: 2014
Páginas: 202


Skoob


Sinopse: O Twitter é uma festa que nunca termina onde todo mundo fala ao mesmo tempo e ninguém diz nada... Abigail Donovan é uma escritora de sucesso. Ela quase ganhou o prêmio Pulitzer e até foi elogiada no programa da Oprah. Então, por que ela passa os dias e noites escondida no chiquérrimo condomínio onde mora, na companhia de seus dois gatos, sem conseguir escrever? Quando o seu editor a obriga a entrar no mundo das redes sociais para expandir seus horizontes, Abby imagina que vai ser obrigada a conversar com adolescentes que teclam escondido do porão de casa. Mas ela acaba conhecendo Mark Baynard, um professor britânico sexy, bem-humorado e inteligente que está viajando pelo mundo em busca de aventura. Abby tenta resistir ao seu charme, enquanto Mark começa a quebrar a resistência dela aos pouquinhos... Inclusive a resistência a se comunicar por meio de mensagens curtas. Agora que Abby voltou a escrever e a viver , ela descobre que Mark guarda um segredo que poderá mudar para sempre a vida dos dois.


 Vou falar hoje do mais recente livro que eu ganhei em um sorteio. Twittando o amor veio parar nas minhas mãos no último sábado, em que foi realizado o Clube do Livro Ribeirão. O que basicamente significa que foi uma total surpresa pra mim. Não conhecia o livro e, embora sua narrativa quase que inteiramente escrita por meio de tweets parecesse interessante, a capa e o título me deixavam meio receosa.


 Ele flui me maneira bem rápida (a maioria da obra é composta de diálogos no Twitter, ou seja, 140 caracteres ou menos) é engraçado e tem umas tiradas ótimas. Ele também é recheado (muito mesmo) de referências aos mais variados assuntos. Temos literatura inglesa clássica, seriados de TV de Lost a Golden Girls, sendo o último uma série de comédia que terminou em 1992 e que eu só conheço devido a um material de curso de inglês nem tão atual assim.


A história acompanha Abby, uma autora com um sério bloqueio criativo, e quase sofrendo de lutando para seguir sua vida depois de ter feito grande sucesso com seu primeiro livro, que havia sido indicado pela Oprah e quase ganhou o prêmio Pulitzer. Mas aí tudo muda quando ela começa a usar o Twitter (ou pelo menos tenta usá-lo). Como Abby se encaixa na lista daqueles que não possuem um iPhone nem um smartphone, e não sabem nem porque precisariam de um, ela tampouco está familiarizada a hashtags, DM, ou qualquer coisa envolvendo a rede social. E acaba contando com a ajuda de um estranho para  ajudá-la a entrar nesse universo.


Confesso que no início achei bem Abby bem tediosa, ela praticamente nem sai de casa (a não sei para conseguir sua dose de Starbucks diária), não consegue passar do capítulo 5 de seu novo livro, só tem uma única amiga, e está tão travada em sua própria vida que só conseguia sentir pena e tédio. Quando Mark Baynard (o tal que vai ajudá-la) aparece pelo menos uma dose de humor é acrescentada. As mensagens que eles trocam são divertidas e daí saem tiradas ótimas, o que dá um novo ar à obra. Fiquei impressionada com a conversa que eles mantinham, tão cheia de referências e pegadinhas que ficou claro desde o início para mim que eles tinham tudo a ver um com o outro. Só que eu assisti tudo isso à distância, pois não entendia um terço do que eles diziam.


Eu sei que com a tradução, quando há situações em que uma determinada frase ou expressão tem sentido apenas em um determinado país ou cultura, existem duas soluções: ou coloca-se uma nota de rodapé explicando o caso ou se adapta a frase em questão para algo que seja facilmente compreendido dentro do novo contexto. Quando se trata de referências à séries de TV, filmes e músicas o jeito seria ir com a nota de rodapé. Só que o livro inteiro tem apenas três delas. E eu não sei vocês, mas eu não tenho o costume de ler um livro com o computador ligado e o Google me esperando para descobrir quem são Gilligan, Skipper ou Thrurston Howell III*. 


Entendo que também não daria para para lotar um livro com notas de rodapé pois elas dão um triste ar de livro didático e quebram o ritmo de leitura, que neste caso seria lamentável pois tiraria a rapidez e a fluidez proporcionadas pela forma de narração em forma de tweets. Mas não dava mesmo para achar um meio termo? 


Fazer um leitor se sentir perdido não é a melhor forma de conquistá-lo. 

E esse incomôdo apenas deu mais destaque as outras coisas que tinham me irritado: a capa e o título.






Capas americanas, que sinceramente me pareceram bem mais bonitas e apelativas.

Primeiramente a capa me desagradou devido a sua aparência meio...caricata. Realmente acho que não precisava dos pássaros azuis se apaixonando, das nuvenzinhas ao fundo e do título na mesma fonte da rede social. Até a lombada me pareceu exagerada. Poxa, a menção ao twitter não podia estar presente de forma mais discreta? Um pouco mais elegante quem sabe. Sim, o livro é leve e divertido, graças principalmente ao meio de comunicação que a autora escolhe para contar a sua história, mas não é tudo sobre o twitter. O que eu mais encanta na obra é o enredo, então porque não ressaltar o conteúdo em vez da plataforma utilizada? 

Mas o que mais prejudica a impressão inicial do livro é o título. Quando percebi que o nome original "Goodnight Tweetheart" havia sido substituído por algo tão genérico quanto "Twittando o amor" fiquei decepcionada. Especialmente porque "Boa noite tweetheart" é a maneira que Mark se despede de Abby toda vez que eles conversam, sendo algo fofo e marcante. Custava mantê-lo? Boa noite Tweetheart me parece uma opção viável e certamente mais encantadora.

Somando todos esses problemas é claro que não deu para simplesmente ignorar uma erro gramatical aqui uma desatenção na tradução ali. Se numa página os personagens combinam de se encontrar às 3 da manhã, não é possível que na outra o horário apareça como 15h00. Principalmente quando algumas frases extrapolam o limite de 140 caracteres. Sim, eu testei. Essa foi a gota d'agua, um romance não pode rolar via Twitter se a regra principal do mesmo é quebrada, frases longas demais nessa plataforma não existem. Ou pelo menos, não devia existir. Resumindo? #traduçãoFAIL.

Ao final de contas, eu só consegui curtir mesmo o livro depois do segredo de Mark ter sido revelado, sim, ele pode ser considerado clichê (existe uma quantidade limitadas de segredos capazes de mudar vidas), no entanto, foi o primeiro momento em que consegui superar os problemas de tradução e me senti próxima dos personagens. Torci por eles. Uma pena, tivesse havido um cuidado maior ao traduzi-lo o livro não teria tantas contra-indicações.

Concluindo, se você for um maníaco por televisão americana, ou um americano que assiste muita TV, este é o seu livro. Umas duas ou três referências que eu peguei realmente me fizeram rir muito e exclamar em voz alta "Genial". Imagino o impressionante que seria se alguém entendesse todas elas. Porém se você se irritar tanto com erros em uma obra quanto eu, bem...melhor ler outro livro.




* personagens de A Ilha dos Birutas (Gilligan's Island), transmitida entre 1964 a 1967. Série reconhecida em seu país como um ícone da cultura popular americana.

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