segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

RESENHA "Ele não é isso" de Rodrigo Moreira


Sinopse: Em pleno marco zero de São Paulo e escondida entre as paredes do edifício Nazareth, uma história que antes fora de amor, se tornará sofrimento, tortura e medo. Em uma noite tranquila, Matias e sua esposa, Felícia, grávida de 6 meses, são atacados por um cão. Para ele, havia sido apenas um susto. Para ela, uma dolorida, mas curável, ferida na perna. No entanto, a ignorante certeza de que tudo acabará bem, ignorando a necessidade de cuidados médicos, causará sérias consequências. O que tal negligência ocasionará às vidas dessa família? Que destino um acidente simples, revelará para o mundo? Matias, enclausurado em seu apartamento com seu filho, Júnior, viverá momentos tenebrosos e sombrios que mudarão para sempre a sua história e das pessoas à sua volta. Um pai, um filho e um destino amedrontador.

Como se fosse uma série, o livro se inicia contando várias histórias apocalípticas e ficamos refletindo qual seria o vírus que estaria matando os humanos pouco a pouco.

A gravação em forma de escrita contida na primeira narrativa me fez sentir dentro da história e fiquei bastante interessada no que estaria por vir. Depois telejornais e caixa preta de um avião foi dando um friozinho na barriga. Mais gravações, mais realidade e curiosidade.

“Nós não estamos seguros. Não estamos!”

Matias Castro é o personagem principal. O coordenador de call center está sempre correndo apressado e se justificando na vida sofrida. Viúvo, perdeu a mãe atropelada por um caminhoneiro embriagado ainda criança. Deixa seu filho, Júnior, com a vizinha Dona Celina todos os dias para ir trabalhar. Dona Celina é uma senhora de 70 anos, professora aposentada. Conhecemos também outro vizinho de Matias, Romeu Torres Gusmão cuja mãe foi internada em um hospital psiquiátrico e o pai se suicidou após um escândalo de fraude com a Receita Federal. Sua alternativa foi mudar-se para o interior do Mato Grosso e crescer com os tios.  Quando jovem foi morar em São Paulo para cursar a Faculdade de Direito e ganhar a vida.

Conhecemos todas as personagens e a história se desenvolve em um drama da vida real, normal até que....coisas estranhas começam acontecer com Júnior:

“Violentamente desferia inúmeras mordidas em seu próprio braço...”

A princípio seria apenas um perfil patognomônico do garoto, ou seja, um transtorno de conduta, mas não é bem isso que se passa. Seria mais uma história de zumbis clichê? Dei continuidade à leitura e não percebi nada de comum, achei bem interessante como a história se desenvolveu. Não posso contar pra vocês se é um livro sobre vírus, zumbis, coisas sobrenaturais ou mortos-vivos, pois penso que estragaria o suspense da trama.

“Ignorá-la, era um remorso que sua alma para sempre carregaria.”

O livro conta com 252 páginas e dentro de cada capítulo conhecemos o passado das personagens numa narração “vai e volta” e vamos tomando conhecimento de suas características pouco a pouco. Algumas de suas descrições são bem reais e sangrentas. Mais pro fim do livro o palavreado fica pesado, mas necessário pro assunto do livro. Pra quem curte o tema acho muito legal, pois valoriza o cenário. Dá um toque cinematográfico. Me lembrou um pouco do estilo de escrita de Thiago Toy, Alexandre Callari e até um toque de André Vianco.

“...só conseguiam enxergar suas pernas e um de seus braços, separado do corpo e caído dentro de uma poça escura de sangue.”

Soube dosar e descrever essas partes passado x presente e o drama contido na história de Matias como a morte de sua mãe, o passado com sua esposa e criar um filho sozinho foram interessantes e quebram um pouco da narrativa pesada de terror. Nessa parte a gente respira um pouco e toma fôlego pra que possa enfrentar mais suspense. Achei bem legal isso.

O livro vai além do terror contido na trama. Fala de como o humano é podre por dentro, como o homem está tentando sempre passar por cima do outro e levar a melhor se aproveitando da inocência de alguns. Achei isso muito interessante já que não fica só preso a uma história apocalíptica – o mundo morre aos poucos com cada atitude nossa, não é necessário um vírus ou uma catástrofe, damos conta de fazer isso com a podridão de alguns.

“Sob esse olhar, as teorias, provas, explicações, crenças, nada faria sentido diante dos avanços minuciosos da mãe natureza reforçados pela arrogância humana...”

A única coisa que tenho a reclamar do livro é o título que, a meu ver, não chama muita atenção. Penso que o autor poderia ter explorado mais o nome do livro, mas fora isso gostei muito e recomendo.

“É complicado de se abandonar aqueles que mais precisam de você. No fundo, no fundo...eu só sei amar assim.”

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