terça-feira, 11 de agosto de 2015

RESENHA Fragmentados de Neal Shusterman

Título: Fragmentados
Título Original: Unwind (The Unwind #1)
Autor: Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Páginas: 368

Sinopse: Em uma sociedade em que os jovens rejeitados são destinados a terem seus corpos reduzidos a pedaços, três fugitivos lutam contra o sistema que os fragmentaria.
Unidos pelo acaso e pelo desespero, esses improváveis companheiros fazem uma alucinante viagem pelo país, conscientes de que suas vidas estão em jogo. Se conseguirem sobreviver até completarem 18 anos, estarão salvos. No entanto, quando cada parte de seus corpos desde as mãos até o coração é caçada por um mundo ensandecido, 18 anos parece muito, muito longe.
O vencedor do Boston Globe-Horn Book Award, Neal Shusterman, desafia as ideias dos leitores sobre a vida: não apenas sobre onde ela começa e termina, mas sobre o que realmente significa estar vivo.


''As pessoas não são completamente boas nem completamente ruins. A gente passa a vida toda entrando e saindo das sombras e da luz. Neste momento, eu estou feliz por estar na luz.''

Distopia, mas não uma Distopia qualquer. Fragmentos é de arrepiar! É diferente do que se lê de atual desse tema por aí e acredite se quiser - o ser humano seria muito capaz de cometer algumas das várias atitudes abordadas pelo tema do livro.

Os Estados Unidos experimentaram um tipo de segunda guerra civil instigada pelo “pró-escolha “ e “pró-vida” e defensores impelidos a se destruirem reciprocamente. Para terminar essa guerra funcionários do governo se uniram para criar uma lei que onde a vida humana não pode ser tocada a partir do momento da concepção até que a criança faça treze anos, porém entre as idades de treze e dezoito anos, um pai pode optar por "abortar" uma criança, ou seja, fragmentados - os órgãos da criança são transplantados em diferentes doadores. Assim “todos ganham” – “a vida não termina”, sociedade fica repleta de doadores de órgãos sem tecnicamente ninguém ir contra a lei e os pais eliminam seus filhos não desejados.

“Já tem um trabalho bem definido para si, o de mudar o mundo e tudo mais, mas as coisas já estão em movimento; tudo o que ele tem a fazer é manter o ímpeto. E não precisa fazer isso sozinho. ”

Connor é um adolescente muito difícil de ser controlado na visão de seus pais, Risa  é uma tutelada da Casa Estatal e o Estado não tem grana para mantê-la. Ambos estão condenados a serem fragmentados. Quando seus caminhos se cruzam com o dízimo (, uma criança concebida e criada para ser fragmentada) chamado Lev, eles escapam do mundo que conhecem e se tornam fugitivos.

''A única razão para eu estar vivo é que aquela pessoa foi fragmentada.
 - Então - diz Connor -, a sua vida é mais importante que a dela? ''

Esse é um romance acelerado que critica a ética do que acontece com as crianças indesejadas e as consequências. O autor nos passa conceitos como “fragmentar”, abandonar os filhos indesejados, aborto e do dízimo, pessoas que são obrigadas a serem o que os pais querem. Uma questão também legal do livro é a da “doação de órgãos”. Como muita gente opta por não doar os órgãos após morrer, existe o tráfico de órgãos – o livro é basicamente uma metáfora desse tema.

“Fragmentários em fuga são tão comuns hoje em dia que há equipes inteiras da polícia juvenil dedicadas a encontrá-los. As autoridades transformaram a coisa em uma arte. ”

O estilo de escrita é simples, mas os conceitos são muito profundos. Nos faz pensar sobre o que a vida realmente significa e do nada você se pega sentindo emocionalmente ligada a algumas das personagens. Perturbador, emocionante e com certeza vai assombrar alguma parte do seu interior.

"As autoridades transformaram a coisa toda em uma arte."







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