quinta-feira, 6 de outubro de 2016

RESENHA O Coração da Esfinge de Colleen Houck

Por Roh Dover

Título: O Coração da Esfinge - Série Deuses do Egito
Título Original: Recreated
Autora: Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Páginas: 368

Sinopse: Lily Young achou que viajar pelo mundo com um príncipe egípcio tinha sido sua maior aventura. Mas a grande jornada de sua vida ainda está para começar.
Depois que Amon e Lily se separaram de maneira trágica, ele se transportou para o mundo dos mortos – aquilo que os mortais chamam de inferno. Atormentado pela perda de seu grande e único amor, ele prefere viver em agonia a recorrer à energia vital dela mais uma vez.
Arrasada, Lily vai se refugiar na fazenda da avó. Mesmo em outra dimensão, ela ainda consegue sentir a dor de Amon, e nunca deixa de sonhar com o sofrimento infinito de seu amado. Isso porque, antes de partir, Amon deu uma coisa muito especial a ela: um amuleto que os conecta, mesmo em mundos opostos.
Com a ajuda do deus da mumificação, Lily vai descobrir que deve usar esse objeto para libertar o príncipe egípcio e salvar seus reinos da escuridão e do caos. Resta saber se ela estará pronta para fazer o que for preciso.
Nesta sequência de O despertar do príncipe, o lado mais sombrio e secreto da mitologia egípcia é explorado com um romance apaixonante, cenas de tirar o fôlego e reviravoltas assombrosas.

Na continuação da saga egípcia, “O Coração da Esfinge”, Colleen Houck mantem sua zona de conforto, como uma receita pronta para colocar novos ingredientes, mas dessa vez faltou o tempero tão conhecido e querido pelas fãs da autora – uma aventura repleta de mitos e lendas da qual sabemos que Houck domina tão bem.

Depois de se apaixonar por uma múmia no Metropolitan Museum of Art (MET) em Nova Iorque, e salvar o mundo do deus Seth, Lily se vê sozinha e perdida no mundo real e concreto a sua volta. Sem Amon e nem qualquer vestígio de outro deus, Lily se volta para a casa de sua avó e lá recebe a visita inesperada de Anubis, a partir daí ela precisa encarar seus medos e enfrentar o inferno – literalmente – para salvar seu amado e reivindicar uma profecia que nem sabia da existência e da qual faz parte.

No segundo livro da saga Deuses do Egito, Colleen Houck perde o que lhe era essencial. Seu jeito de contar os mitos e lendas fica travado na continuação, Lily retrocede como personagem e sua melhor qualidade - a de conseguir ser uma personagem melhor que Kelsey em A Maldição do Tigre, desaparece e conseguimos identificar a sombra da personagem nem tão querida por todos na saga anterior e de sucesso de Houck.

O temperamento forte e independente de Lily some enquanto ela busca salvar seu amado, e apesar de entendermos nas entrelinhas o novo romance despertado no livro, ainda sim é algo não natural e imbuído de força motora da própria autora, deixando claro a narrativa forçada em muitos aspectos do livro.

Um dos maiores prazeres em se ler Colleen Houck é a destreza da autora de narrar os muitos mitos existentes nas diversas culturas distribuídos em variados países e continentes pelo mundo. Em A Maldição do Tigre, Houck se torna memorável ao escrever uma narrativa cheia de conteúdos gostosos e aventuras inéditas da cultura indiana e o primeiro livro da saga Os Deuses do Egito, apesar de ser construído na mesma base, consegue sugar a mesma essência que fez com que Houck ficasse tão famosa.

Já nessa continuação, os mitos são narrados como se soubéssemos de sua história e como se a narrativa construída não precisasse de nenhuma modificação feita pela autora. As lendas são jogadas aos leitores, que ficam perdidos, e a narrativa trava, deixando claro a falta daquela essência tão conhecida da autora.

Colleen Houck é dotada de uma criatividade exuberante, presente nos seis livros já escritos pela autora, a narrativa, a construção de seus personagens e as histórias inéditas em um mundo de enredos iguais a faz se sobressair da mesmice que cerca os leitores. Apesar de “O Coração da Esfinge” fugir à regra conhecida pela autora, não a faz menos do que ela já conquistou no mundo literário. Continuarei fiel à autora, lendo os livros que ela lançará no futuro, meu conselho a todos os outros é que apenas não comece ou não tire conclusões precipitadas ao ler o segundo volume da saga egípcia. Não só a Colleen, como a todos os outros autores bons, mas que também tiveram seus momentos ruins.



Nenhum comentário:

Postar um comentário