quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

RESENHA O feiticeiro de terramar de Ursula K Le Guin

Por Mariana Lucera

Título: O feiticeiro de terramar
Autora: Ursula K Le Guin
Editora: Arqueiro
Páginas: 175
Sinopse: Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.
Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.
Publicado originalmente em 1968, O feiticeiro de Terramar se tornou um clássico da literatura de fantasia. Ged é um predecessor em magia e rebeldia de Harry Potter. E Ursula K. Le Guin é uma referência para escritores do gênero como Patrick Rothfuss, Joe Abercrombie e Neil Gaiman.


O feiticeiro de Terramar não é um livro para ser lido com pressa. Apesar de conter poucas páginas, não é aquela leitura leve que você devora em uma tarde.

Digo isso porque, após as primeiras cinquenta páginas, percebei que a história do feiticeiro Geb era um daqueles livros que você deve ler com uma xícara de chá do lado. É o tipo de livro que esquenta o seu coração e faz você entender como pode ser bela a literatura fantástica, o romance de fantasia.

A autora consegue transformar uma história que a priori deveria ser para crianças, também para adultos, mesclando magia e a dura realidade de termos de lidar com nossos atos, escolhas e erros.

Desde início acompanhamos o Gavião em seu treinamento para se tornar um grande feiticeiro. Quando criança, ele era arrogante, ganancioso e cheio de defeitos e acaba liberando um grande mal no mundo no formato de uma sombra.

Depois de quase pagar com a própria vida e ficar marcado para sempre pela mácula que deixou transitar livremente por esse mundo, o rapaz aprende uma grande lição sobre humildade e começa a pensar e ponderar mais sobre seus atos.

Quando ele deixa as terras onde passou anos estudando e sai pelo mundo em busca de respostas e ações que um feiticeiro deve fazer para ajudar os outros, como a conversa que ele tem com o grande dragão da ilha de Pendor, você percebe toda a magia da construção da trama de Ursula K Le Guin.

Geb passa por um processo de crescimento tão extenso, que vai muito além das quase 200 páginas de leitura. Ele vive fugindo da sombra, sempre com um medo mortal de que ela o encontre e termine o que começou, no entanto, um dia ele percebe que precisa caçá-la e colocar ele mesmo um fim naquilo que começou lá atrás.

O desfecho não é apoteótico, ou cheio de batalhas, como estamos acostumados a ver nos livros do gênero, no entanto, ele satisfaz o leitor ao entregar a conclusão da jornada de Geb. Falando nisso, o livro não tem cenas de ação, são poucos momentos que podem ser considerados ação propriamente, e também não há reviravoltas na trama, ela segue uma calma sequência, diferente do que estamos acostumados a ler por aqui.

Dizem que esse é o prelúdio do Ciclo de Terramar, a série de Ursula K. Le Guin, sendo assim, nos resta esperar o que virá a seguir. Certamente serão livros cheios de cuidado e esmero para contar não uma aventura, mas uma história profunda sobre os fundamentos da magia.

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