sexta-feira, 10 de março de 2017

RESENHA Ninfeias Negras de Michel Bussi

Por Maju Raz

Título: Ninfeias Negras
Título Original: Nymphéas Noirs
Autor: Michel Bussi
Editora: Arqueiro
Páginas: 352
Sinopse: Vencedor de cinco prêmios literários, Ninfeias negras foi o romance policial mais premiado da França em seu lançamento.
Giverny é uma cidadezinha mundialmente conhecida, que atrai multidões de turistas todos os anos. Afinal, Claude Monet, um dos maiores nomes do Impressionismo, a imortalizou em seus quadros, com seus jardins, a ponte japonesa e as ninfeias no laguinho.
É nesse cenário que um respeitado médico é encontrado morto, e os investigadores encarregados do crime se veem enredados numa trama em que nada é o que parece à primeira vista. Como numa tela impressionista, as pinceladas da narrativa se confundem para, enfim, darem forma a uma história envolvente de morte e mistério em que cada personagem é um enigma à parte – principalmente as protagonistas.
Três mulheres intensas, ligadas pelo mistério. Uma menina prodígio de 11 anos que sonha ser uma grande pintora. A professora da única escola local, que deseja uma paixão verdadeira e vida nova, mas está presa num casamento sem amor. E, no centro de tudo, uma senhora idosa que observa o mundo do alto de sua janela.


“...a arte não é uma questão de contos e lendas.”

Conheci Monet, a fundo, quando cursei Jornalismo na matéria “História da Arte”. Eu e meu grupo fizemos um trabalho especial só desse pintor maravilhoso que pintou mais de 250 Ninfeias (Série Nenúfares) e nos encantamos com esse espetacular pintor francês. Quando vi o título deste livro não teve erro, quero!

“Vou pintar Ninfeias! Só que não do jeito velho de Monet. Vou pintar um Ninfeias de jovem!”

Escolhi pelo título, apaixonei na capa e achei sensacional a escrita de Michel Bussi. Uma deslumbrante obra-prima tecida com tramas cheias de mistérios com final chocante.

“Esquecem a carnificina, a barbárie, e admiram a loucura.”

Ao ler a primeira página já fiquei mega intrigada com a descrição da história:

“Num vilarejo, viviam três mulheres. A primeira era má; a segunda, mentirosa; a terceira, egoísta... As três tampouco tinham a mesma idade. De modo algum. A primeira tinha mais de 80 anos e era viúva. Ou quase. A segunda tinha 36 e nunca havia traído o marido. Ainda.
A terceira estava prestes a completar 11 anos e todos os meninos de sua escola queriam ser seu namorado. A primeira só usava preto, a segunda se maquiava para o amante, a terceira enfeitava os cabelos para que voassem ao vento.
Vocês já entenderam. As três eram bem diferentes. Tinham, porém, um ponto em comum, um segredo, de certa forma: todas elas sonhavam em ir embora. Sim, ir embora de Giverny, esse vilarejo tão famoso que provoca em tantas pessoas a vontade de atravessar o mundo inteiro só para ali passear por algumas horas...”

Um homem é encontrado assassinado em Giverny, um vilarejo conhecido por sua conexão com Monet e suas famosas pinturas famosas de Ninfeias. As pistas estão estranhas, parece que o homem assassinado foi mexido de lugar. A polícia investiga, encontra bilhete com frases e poucas pistas e isso deixa os investigadores mais confusos ainda.

“O crime de sonhar eu consinto que seja instaurado.
Se eu sonho, é com aquilo que me proíbem.
Vou me declarar culpado. Gosto de estar errado.
Aos olhos da razão o sonho é um bandido.”

De alguma forma, ligadas ao caso, estão essas três mulheres que me intimaram na primeira página - viúva idosa, uma menina de onze anos e uma bela professora com um marido chato, bobo e obsessivo.

“Além do mais minhas emoções dizem respeito apenas a mim...”

Investigações, mistérios, aflição! A senhora de 80 anos que narra o livro, algumas vezes, nos deixa curiosos e aflitos, será que alguém mais vai morrer? Ela sabe de tudo, dá algumas pistas, mas nos deixa mais confusos e nos faz “pensar errado”.

“Não estão mais entendendo? Ainda estão se perguntando que papel desempenho nesta história toda? Asseguro a vocês que não tenho nenhuma antena sofisticada para captar através das paredes da casa de Monet a conversa daqueles dois imbecis...”


De repente outras pistas e um antigo caso de um menino que afogou em 1937 surge no meio da outra investigação com um antigo delegado, mais suspeitas, mais medo, mais minha cabeça ficou embaralhada, não conseguia resolver o mistério. Pensava nas pistas até na hora do banho de tão intrigada que fiquei. Eis que vem a grande revelação final! M-E-N-T-I-R-A! Choquei, pasmei e me surpreendi! Como não tinha pensado nisso!? Vocês terão que ler pra conferir. SHOW!

“...a genialidade incomoda todos os que não a tem, ou seja, quase todo mundo.”

O escritor sabe do que fala e usa muitas linguagens técnicas de obras de arte de Claude Monet e as entrelaça com mistérios. Arte entrelaçada na arte, frases de impacto e um certo fundo poético. Amei Michel Bussi.

“O mergulho no vazio. O desconhecido.
A queda sem fim, como em Alice de Lewis Carroll. Fechar os olhos e acreditar no País das Maravilhas.”

“Como nas histórias infantis, como em Branca de Neve. Mas desconfiem mesmo assim: não é minha maçã que está envenenadas. São as cerejas.
Questão de gosto.”




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