Que
Zumbis estão “na moda” e são tendência não é novidade, e mesmo me causando
pesadelos estão cada vez mais em alta graças a série de T.V. “The Walking Dead”
que surgiu a partir das histórias em quadrinhos de Robert Kirkman. Mas muita
gente valoriza somente obras e séries internacionais. Não estou criticando quem gosta e prefere literatura internacional, mas temos
muitos autores brasileiros bons e que, às vezes, não são conhecidos pelo
simples fato do internacional ser mais forte no Brasil e comprimir autores
nacionais.
Sim, eu leio livros estrangeiros
e amo “The Walkig Dead” e “Resident Evil”, mas hoje o post é sobre o primeiro livro a ser escrito no
Brasil com o tema “mortos –vivos” de Alexandre Callari, um dos apresentadores do programa “Pipoca e
Nanquim” e grande colecionador de HQs.
Na
história o mundo foi dominado por contaminados (zumbis) ágeis e incansáveis. Os
humanos vivem isolados em um quartel chamado Ctesifonte. Para continuarem a
viver, enviam para a cidade apocalíptica os chamados “batedores” os quais
coletam suplementos para a comunidade. Em determinado momento, um desses grupos
sai, mas demoram a voltar, e então Manes, líder do grupo, convoca mais
batedores em busca do resgate de possíveis sobreviventes, dando início à
jornada de suspense, terror e muitos, mas muitos zumbis.
Fiz a resenha do livro ano passado e entrevistei o autor quando ainda estava com nossas
parceiras do TriBooks e achei que merecia ser compartilhada com vocês. Quem
gosta do tema vai adorar o que o autor tem para revelar, e os que apoiam e difundem a nossa literatura também.
Confira a entrevista abaixo:
Qual o maior desafio de se lançar um livro com o
tema mortos-vivos no Brasil?
Acredito
que lançar um livro não é algo complicado. Qualquer um pode fazê-lo hoje em
dia. O problema é conseguir um contrato com uma boa editora (já que tem um monte
de picareta no mercado) e dar visibilidade a esse livro. Produzir é fácil,
vender é difícil. É preciso uma boa organização, perseverança, trabalho firme
em redes sociais e paciência, muito paciência. O nome do livro é firmado aos
poucos, assim como o do autor. Com um tema como zumbis, a coisa piora por causa
do preconceito que muita gente tem. Felizmente, o gênero vive um bom momento.
De onde
surgiu a idéia de lançar um livro com cd de música e com esse tema?
Tenho um
passado muito rico na música. Fiz parte de uma banda de heavy metal chamada
Delpht que chegou a ter certa importância na cena underground em SP. Produzi o
disco William Shakespeare’s Hamlet, até hoje um dos maiores trabalhos de metal
já feitos no Brasil, com 14 bandas e uma orquestra. Sabendo desse meu
background, meu editor pediu que eu fizesse uma música para lançar na Internet.
Fui resistente a princípio, mas após certa insistência dele, concordei. O
problema é que quando comecei a compor, surgiram várias músicas, e o projeto
acabou tornando-se um CD acompanhando o livro – algo bastante diferente e
inusitado. Espero que o pessoal esteja curtindo.
Por que o
tema mortos-vivos e não vampiros e lobisomens?
Gosto
muito do gênero terror, mas vampiros têm uma longa tradição na literatura, inclusive
no Brasil. Não dá para competir com Andre Vianco e Giulia Moon, então optei
pelo ineditismo. Fora isso, zumbis servem mais ao propósito da história que
queria contar. Mas não vou ficar preso a esse gênero. Meu próximo livro, que
sairá antes do Apocalipse Zumbi II, foge completamente ao que qualquer um
espera de mim – e será muito, mas muito legal mesmo. Só não posso contar o que
é.
O que é
mais compensador para você?
As
críticas positivas e reação do público. Toda semana alguém me envia um e-mail
elogiando o material, ou me adiciona no Facebook, ou se junta à página do livro
no Facebook, ou me segue no Twitter... Não recebi nenhuma resenha ou crítica
negativa ainda – e isso é o mais legal. Saber que seu trabalho está sendo
aceito pelo público.
No livro
algumas personagens suas parecem sentir compaixão pelos zumbis e os chamam de
"humanos"? Você também enxerga igual às personagens?
Não. No
meu ponto de visto, eu cortava a cabeça de quem precisasse. Mas como sei que
nem todos seriam duros assim, tive que criar ambientes mais verossímeis. O
mundo pode vivenciar o pior de todos os cenários, que ainda haveria compaixão,
e isso é uma realidade que precisa ser expressa.
No filme
"Terra dos Mortos" os zumbis "pensam", porque os seus não?
Há muitas
interpretações para zumbis. Quis que meus monstros fossem brutais, selvagens e
desprovidos de emoção – seres movidos apenas pela necessidade mais básica: se
alimentar. Não quero evolução para eles, quero apenas um elemento perigoso, mas
até certo ponto previsível. A grande incógnita do livro acaba girando em torno
dos próprios seres humanos. Nunca sabemos o que eles farão.
O que
acha dos filmes e seriados mais recentes com o tema mortos-vivos como
"Resident Evil", "The Walking Dead", etc? Acha legal a
idéia de filmes baseados em HQs e livros?
Sou a
favor de adaptações, mas elas precisam ser bem feitas. Resident Evil não é um
filme de terror, mas uma aventura/ficção científica de ação, voltado para o
público jovem. Para essa proposta, o filme é bem sucedido. Mas eu curto mais
longas casca-grossa, como REC e Madrugada dos Mortos. A série The Walking Dead,
embora esteja fazendo muito barulho, não está cumprindo com as expectativas.
Mas estou curioso mesmo para saber o que Brad Pitt vai aprontar no ano que vem,
com a estreia de World War Z.
Pretende
lançar um filme sobre seu livro?
Meu livro
está na mão de uma grande produtora de cinema. Seria um sonho vê-lo filmado,
mas não alimento grandes esperanças. Estou, a passos de formiguinha,
trabalhando nessa direção, porém é extremamente difícil. Mas se me fizessem uma
proposta, eu aceitava na hora.
Você
também teve compaixão de alguma personagem e não a matou? Ficou com pena de
matar alguém?
Não.
Pessoas morrem. É a vida.
Você
comentou comigo sobre a continuação da série, pode nos dizer um pouquinho do
que está por vir?
Sim. O
Quartel tomou consciência de que seus recursos acabarão muito antes do que os
zumbis. Eles precisam partir para as cabeças e tomar as rédeas da situação, mas
isso não será nada fácil. Como vencer onde os próprios governos e exércitos do
mundo inteiro fracassaram? Qual será a estratégia? Veremos no próximo volume
outras comunidades de humanos, nem todas boazinhas. A tensão entre Manes e
Espartano irá se intensificar à medida que as opiniões de ambos irem em
direções cada vez mais opostas. Algo ainda pior do que ocorreu no volume 1
acontecerá com a comunidade do Quartel no final de volume 2. Teremos novos
personagens entrando e mais algumas perdas. Mas antes de entregar mais o jogo,
convido a todos a conhecerem o primeiro volume a também a HQ, que sairá
provavelmente em abril. Ela se chamará Apocalipse Zumbi: Crônicas do Dia Z e
irá narrar os primeiros dias da epidemia.
Agradecemos
pelas experiências compartilhadas conosco;) Você tem alguma mensagem a passar
para nossos leitores?
Obrigado
a todos que acompanharam esta entrevista e espero encontrá-los em um futuro
próximo. Grande abraço!
Título: Apocalipse Zumbi – Os primeiros anos
Autor: Alexandre Callari
Lançamento: 2011
Páginas: 346
Categoria: Suspense/Terror
Editora: Évora
Autor: Alexandre Callari
Lançamento: 2011
Páginas: 346
Categoria: Suspense/Terror
Editora: Évora
Sinopse: O caos reina no mundo. A civilização entrou em colapso. As comunicações,
a energia elétrica e a vida em sociedade, como a conhecemos, praticamente se
extinguiram. Nem toda nossa tecnologia foi capaz de nos proteger e evitar que
dois terços da humanidade morressem. Os poucos que sobreviveram estão exaustos
e tentam reunir o que ainda resta das suas forças e recursos para se manterem
vivos. E, para piorar, eles não estão a sós. Dia e noite, são perseguidos pelos
contaminados – sempre à espreita com seus olhos vermelhos, pele pálida, dentes
podres e uma terrível sede de sangue e de carne humana. Nesse cenário de terror
e desesperança, Manes luta desesperadamente para manter sua comunidade unida.
Ela subsiste em uma construção cercada por paredes de concreto chamada Quartel.
Porém, quando alguns de seus membros estão em apuros do lado de fora, sendo
cruelmente caçados pelos contaminados, Manes parte para resgatá-los. A sua
ausência e a chegada do enigmático Dujas abalam severamente o tênue equilíbrio
interno do Quartel, colocando em risco a vida de todos. O perigo e o medo tomarão
conta deste, que é um dos poucos redutos em que homens e mulheres vivem em
“segurança”. Cheio de intrigas, mistério e horror, Apocalipse Zumbi é uma
aventura de ficção eletrizante, com muitos elementos de realidade que mexerão
com a mente e o coração dos leitores. Alexandre Callari oferece nesta obra o
melhor do gênero zumbis e, ao mesmo tempo, cria um mundo à parte, que conta com
suas próprias regras e lógica. Bem-vindo ao universo de Apocalipse Zumbi!
“-Não há um único ser
humano no mundo que não tenha perdido alguma coisa. Mesmo se o Dia Z jamais
tivesse ocorrido, desde o começo dos tempos, todos sempre perderam alguma
coisa. A existência é efêmera, e a perda faz parte dela. O que importa não são
os momentos que perdemos,mas, sim, os que ganhamos.” Página 312.
E se um belo dia você
acorda e o mundo está de ponta cabeça e repleto de mortos-vivos? O que você
faria?
Eu sempre gostei
muito de games sobre Zumbis. Apaixonei-me pelo “Resident Evil” e por “Terra dos
Mortos”. Depois veio “Extermínio”, “Zumbilândia”, “Fome animal”, “Eu sou a
Lenda” até que descobri “O Despertar dos Mortos” de George A. Romero. Sei que
fiz um processo inverso já que esse último é o melhor filme de terror sobre
mortos-vivos de todos os tempos.
E se nós misturarmos
um pouco dos filmes acima citados com mais um clima de fim do mundo você
encontra “Apocalipse Zumbi” de Alexandre Callari. . O livro é o primeiro a ser
escrito no Brasil com o tema “mortos-vivos”. Callari é escritor, professor, e
tradutor. Também trabalha com música e traduziu “Conan – o Bárbaro” da Editora
Évora. É editor e apresentador do site Pipoca & Nanquim.
A história mostra os
dias ameaçadores que uma comunidade fragilizada vive dentro de um Quartel
chamado Ctesifonte. Seguimos o dia-a-dia de humanos (alguns sem esperança de
vida e outros com expectativa) “liderados” por Manes, um homem bronco e justo.
Criaturas famintas caminham pela terra em busca de carne humana. Manes faz o
que pode para manter a comunidade juntamente com a ajuda dos batedores, homens
que saem em busca de suplementos para a comunidade.
Qualquer descuido
pode ser mortal, já que lá fora estão os contaminados famintos por carne
humana. A paz dentro do Ctesifonte já não era uma das melhores, afinal, que ser
humano gosta de ficar preso? Com a chegada do “novato” e estranho Dujas o
equilíbrio que já estava cambaleando cai de vez e nos faz pensar: o perigo
verdadeiro está lá fora ou ao nosso lado? Às vezes os maiores inimigos não são
os zumbis, e sim, os próprios humanos.
É a luta dignidade X
humanidade em pleno apocalipse. Vemos confrontos com zumbis e humanos assim
como nos deparamos com a exploração da natureza do nosso próprio ser. Alguns
personagens foram tão individualistas que chega a dar raiva do ser humano. Em
compensação outras personalidades têm compaixão até dos contaminados.
Eis que um grupo de
batedores é atacado! Então Manes e seu outro bando de batedores se ausentam da
comunidade para ajudar seus amigos lá fora, num mundo apocalíptico cheio de
contaminados. Contudo o estranho Dujas poderá colocar a perder todo o esforço
que Manes tem feito para sobrevivência do Ctesifonte. Aguardo ansiosamente os
próximos volumes de um projeto que pretende ser uma trilogia.
BookTrailer de Apocalipse Zumbi

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