Título Original: The Ice Man
Título Nacional: O Homem de Gelo – confissões
de um matador da Máfia
Autor: Phillip Carlo
Lançamento: 2007
Páginas: 486
Editora: Landscape
Categoria: Biografia
Sinopse: Esta é
a biografia de Richard Leonard Kuklinski, que exerceu a profissão de matador de
aluguel por quarenta e três anos, e executou mais de 200 pessoas sob a tutela
da máfia de New Jersey. O homem de gelo - confissões de um matador da máfia é
fruto de mais de 240 horas de entrevistas frente a frente com Kuklinski na
Penitenciária Estadual de Trenton. As entrevistas foram realizadas pela rede de
TV HBO, cujo documentário final recebeu diversos prêmios.
O autor Philip Carlo
divide a obra em cinco capítulos e mostra como era a relação de Kuklinski com
seus pais e irmãos, os primeiros trabalhos para a máfia, os assassinatos com
requintes de crueldade, a profissão, a relação com seus filhos, esposa e, finalmente,
a prisão.
Richard Kublinski recebeu
o apelido de homem de gelo porque deixava algumas de suas vítimas em um
congelador, retirando-as depois de alguns dias. Deste modo os investigadores
não conseguiam precisar quando o crime havia sido cometido. Segundo a produtora
da HBO, Gaby Monet, Kuklinski era um homem frio e totalmente desinteressado
pelos sentimentos humanos, porém de uma sinceridade tremenda. Quando os chefões
da emissora assistiram o trabalho de Gaby, ficaram extasiados. Qualquer
espectador que o assistisse sentiria calafrios. Ele matava com revólveres,
veneno, porretes, facas, usando os próprios punhos, chave de parafuso,
picadores de gelo e até mesmo fogo. O documentário foi ao ar pela primeira vez
em novembro de 1999 e da noite para o dia Richard se transformou em um
superstar do crime.
Só para se ter uma idéia
da frieza de Kuklinski, os mafiosos, sabendo de sua fama, o pagavam o dobro do
valor combinado se ele fosse capaz de levar a vítima à morte com um alto grau
de sofrimento. Certa vez, descobriu um modo de eliminar os corpos de suas
vítimas: jogava-os em uma caverna infestada de ratos que devoravam o cadáver
rapidamente, eliminando qualquer pista ou vestígio.
Mas qual seria a causa de
tanta crueldade? O que aconteceu com Richard Kuklisnki para que ele viesse a se
transformar no homem de gelo? Segundo o próprio assassino, se alguém contribuiu
para isso, esse alguém foi seu pai. "Eu não culpo ninguém por nada, mas
ele fez de mim uma pessoa perversa, disso eu tenho certeza".
Um
pai dedicado, um marido fiel e o matador favorito da Máfia.
Em
"O Homem de Gelo", Phillip Carlo retrata com detalhes a história de
Richard Kuklinski desde seu nascimento até sua morte.
O
polonês que ficou conhecido como um dos assassinos mais famosos da história dos
EUA (graças aos vários documentários da HBO sobre sua vida) tem em sua conta ao
menos 200 assassinatos praticados das mais variadas formas. Ele matava com
armas, facas, veneno, o que fosse, e se desfazia dos corpos das maneiras mais
bizarras possíveis. Alguns, ele deixava caído no mesmo lugar em que a morte se
dera, outros ele congelava, dava de comida aos ratos, esquartejava e guardava
em barris, entre outros métodos nada sutis.
O
mais curioso no livro e em toda a história de Richard é que por pior que ele
seja (o Richard), você acaba criando uma simpatia pelo “Grandalhão”.
Acredito
que isso não justifique suas ações, já que até mesmo o próprio Richard diz que não
sabe o que as justifica, mas o autor se preocupa em contar alguns dos motivos
que podem ter levado Richard a praticar tantos crimes.
Kuklinski
teve uma infância difícil. Ele era motivo de piada por parte dos colegas e
apanhava do pai. Durante essa fase, Richard perdeu um irmão que morreu depois
de uma agressão do pai. Ele então começou a roubar para comer e aos poucos foi
se envolvendo no mundo do crime e suas ações ilegais foram crescendo até que
ele começou a roubar carros além de revistas com histórias de crimes reais que
ele lia na marra, já que nunca foi um bom aluno e mal sabia ler.
Depois
de anos aguentando piadas e chacotas, ele decidiu que era hora de parar com
aquilo e foi assim que o “polaco” cometeu seu primeiro assassinato e sua
primeira omissão de corpo. Assim, Richard começou a ganhar espaço e respeito,
mesmo que ninguém soubesse que era dele a autoria dos crimes que começaram a
aparecer.
“Eu
nunca, nunca mais na minha vida vou permitir que alguém abuse de mim.” (p.45)
Richard
então passa a cometer mais e mais crimes, ficando cada dia melhor no que ele
faz (muitas vezes simplesmente por prazer) e se tornando um especialista em
fazer isso de maneira que nunca ninguém nem suspeite dele. Com isso, o
assassino profissional em que ele se torna começa a ficar conhecido pelas
famílias de mafiosos que passam a contratá-lo para fazer grandes serviços em
troca de muito dinheiro.
Ele
se torna o favorito da Máfia até ficar rico com isso e conseguir sustentar (bem)
sua família (que não faz nem ideia do monstro que ele é). Eis ai seu grande
ponto fraco, sua família. Apesar das agressões à sua mulher, ele a ama mais que
tudo e vai ser fiel a ela até o fim da vida. Ele também possui um amor
incondicional pelos filhos que têm tudo do bom e do melhor, principalmente no
que depender de Richard.
Aos
poucos, o autor do livro vai mostrando como Richard vai crescendo e ganhando
respeito no mundo do crime embora não possa ser incorporado a nenhuma família
da Máfia por não ser italiano e a forma como ele vai se tornando um pouco daquilo
que o pai dele era para ele, sua mãe e irmãos.
Por
outro lado, o livro mostra também o descaso da polícia e de outras autoridades com
as vítimas de Richard, principalmente aquelas que apareciam mortas no meio da
rua do nada.
Foram
anos de crimes em plena luz do dia – bastava um movimento errado no trânsito
para que ele saísse de si e matasse o motorista do outro carro – impunes.
No
fim, Richard acaba preso e acaba revelando, aos poucos, seus grandes feitos
desde o primeiro até o último crime cometido.
Algumas
cenas são extremamente fortes e ficam pior ainda se você tiver a consciência de
que tudo aquilo que você está lendo realmente aconteceu.
O
livro contado entre narrativas e declarações do próprio Richard, da sua família
e de outras pessoas que participaram de alguma forma de sua vida faz a leitura
fluir, o leitor se envolver e terminar o livro com seu próprio julgamento sobre
Richard. Aliás, esse é um aspecto interessante de “O Homem de Gelo”. Em momento
algum o autor faz algum julgamento de Richard. Percebemos com a leitura que os
fatos são narrados sem juízo de valor.
Além dos documentários, a história de Richard Kuklinski deve virar em breve um filme. Mais especificamente uma adaptação deste livro. As gravações começaram neste ano.



















