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No novo livro titulado “Dr. Sleep”, os leitores vão se deparar com a
narração de Danny Torrance já adulto que estará cuidando de idosos em um asilo
e vai ter que lidar com o sobrenatural mais uma vez.
O filme foi lançado em 1980 e dirigido por Stanley Kubrick. Jack Nicholson fez o papel principal
interpretando Jack Torrance, e em várias de suas entrevistas alegou que foi marcado
pelas características de sua personagem e não conseguiu deixar de inserir
muitos gestos de Torrance em outras atuações dele.
Cena Clássica do Filme
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| Difícil escolher qual cena é a mais assustadora no filme |
A sequência de Stephen King estará nas livrarias dos Estados Unidos em
24 de setembro desse ano, ainda sem previsão de editora brasileira.
O autor leu o primeiro capítulo do seu novo suspense durante um festival
literário de uma universidade americana e autorizou a divulgação. Confiram:
Fonte: Pausa Para Um Café

"No segundo dia de Dezembro do ano de 1977, um dos grandes hotéis resorts
do Colorado queimou até o chão.
O Overlook foi declarado com perda total depois de uma investigação do
marechal dos bombeiros. O corpo de bombeiros declarou que a causa tinha sido
uma caldeira com defeito. O hotel foi fechado para o inverno, quando ocorreu o
acidente, e apenas quatro pessoas estavam presentes. Três sobreviveram.
O zelador de inverno, John Torrance foi morto durante uma frustrada e
heróica tentativa para soltar a pressão da caldeira de vapor, que havia chegado
a um nível desastrosamente elevado, devido a uma válvula de alívio inoperante.
Dois dos sobreviventes foram a esposa e filho do zelador. A terceira pessoa foi
o chef do Overlook, Richard Halloran, que tinha deixado seu emprego de
temporada na Flórida e veio para verificar os Torrances por causa, do que ele
chamou de “um palpite forte” que a família estava em apuros.
Os adultos sobreviventes escaparam muito feridos da explosão, somente a
criança não se feriu – fisicamente, pelo menos.
Wendy Torrance e seu filho receberam uma quantia em dinheiro, cedida
pela empresa proprietária do Overlook. Não era grande coisa, mas o suficiente
para sustentá-los bem durante os três anos que ela ficaria sem trabalhar por
causa de lesões nas costas. Ela consultou um advogado que lhe disse que se ela
estivesse disposta a resistir e jogar duro, ela iria ganhar mais – talvez muito
mais – porque a coorporação estava ansiosa por evitar um processo judicial.
Mas ela, assim como a coorporação, só queria deixar o inverno desastroso
no Colorado para trás. Ela iria se recuperar, ela disse, e o fez, apesar dos
seus ferimentos nas costas terem a atormentado até o fim de sua vida. Vértebras
despedaçadas e costelas quebradas podem ser curadas, mas nunca param de doer.
Winnifred e Daniel Torrance viveram em Maryland por um tempo e depois se
mudaram para Tampa. Às vezes, Dick Halloran, aquele dos palpites poderosos,
vinha de Key West para conversar com eles – para visitar o jovem Danny
especialmente. Eles tinham uma certa ligação.
Em uma manhã, no início de março de 1981, Wendy ligou para Dick e
perguntou se ele poderia vir. Danny, disse ela, havia acordado no meio da noite
e disse-lhe para não entrar no banheiro. Depois disso, ele se recusou a falar
qualquer coisa.
Ele acordou com vontade de fazer xixi e um vento forte soprava lá fora.
Estava quente – na Flórida era quase sempre quente – mas ele não gostava do som
e supunha que nunca iria gostar. Ele lembrava o Overlook, onde o defeito da
caldeira tinha sido o mínimo dos perigos.
Ele e sua mãe moravam em um cortiço, em um pequeno apartamento no
segundo andar. Danny saiu do quartinho, ao lado do de sua mãe e atravessou o
corredor. O vento soprava, e as folhas de uma palmeira morta batiam ao lado do
edifício. O som era esquelético.
Eles sempre deixavam a porta do banheiro aberta quando ninguém estava
usando, porque a fechadura estava quebrada. Agora estava fechada – não porque
sua mãe estava lá. Graças as lesões faciais sofridas no Overlook, ela agora
roncava – um suave som de “queep, queep” – e ele podia ouvi-lo vindo do quarto.
Bem – ele pensou – ela fechou-a por acidente, é só isso.
Porém, ele agora entendia o que acontecia. Ele era um menino de palpites
e intuições poderosas, mas às vezes você tinha que saber. Às vezes, você tinha
que ver. Isso era algo que ele havia aprendido no Overlook, em um quarto no segundo
andar.
Estendendo um braço que pareceu muito longo, muito elástico e sem osso,
ele girou a maçaneta e abriu a porta.
A mulher do quarto 217 estava lá, como ele previu que estaria. Ela
estava sentada nua na privada, com as pernas e coxas pálidas e inchadas. Seus
seios pendiam como balões vazios. O cabelo abaixo do seu estômago era cinza.
Seus olhos também eram cinzentos, como espelhos de aço.
Ela o viu e seus lábios se esticaram em um sorriso.
Feche os olhos – Dick Halloran disse uma vez – Se você vir alguma coisa
ruim, feche os olhos e diga a si mesmo que não há nada ali e quando abri-los
novamente, aquilo terá ido embora. Mas não havia funcionado no quarto 217
quando ele tinha cinco anos e não iria funcionar agora quando ele tinha oito.
Ele sabia disso. Ele podia sentir o cheiro dela, ela estava apodrecendo.
A mulher – ele sabia o nome dela, era a Sra. Massey – levantou-se sobre
os pés roxos estendendo as mãos para ele. A carne em seus braços pendiam, quase
escorrendo. Ela estava sorrindo do jeito que se faz quando você vê um velho
amigo, ou talvez, algo bom para comer.
Com uma expressão que poderia parecer calma, Danny fechou a porta
suavemente e deu um passo para trás. Ele observou quando a maçaneta virou para
a direita, esquerda, direita de novo e então parou. Ele tinha 8 anos agora e
era capaz de, pelo menos, ter algum pensamento racional em meio ao horror – em
parte porque em algum lugar profundo de sua mente, ele estava esperando por
isso, embora pensasse que seria Horace Derwent que acabaria por aparecer, ou
talvez o barman, que o pai havia chamado de Lloyd. Ele supôs que deveria saber
que seria a Sra. Massey, mesmo antes de finalmente acontecer.
Porque, de todas as coisas mortas-vivas no Overlook, ela tinha sido a
pior."
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