Iris Figueiredo é autora do livro “Dividindo Mel” e em breve, lança seu segundo livro (que sai até o fim do ano, pela editora Generale). O título provisório é “Bastidores da minha vida online”. Você também já deve ter ouvido falar dela por causa do blog “Literalmente Falando”. E, agora, ela é a nossa “Autora do mês” de agosto!
Confiram a entrevista que ela deu à Sociedade do Livro.
Sociedade do Livro: Os textos do seu blog têm
um aspecto mais cotidiano. Já seu primeiro livro, conta uma história
adolescente. Qual o perfil da escritora Iris?
Iris Figueiredo: Eu gosto de escrever sobre
coisas reais. Apesar dos meus livros serem adolescentes, eu pego muito daquilo
que eu e minhas amigas vivemos, e gosto de colocar em uma narrativa que seja fácil
o leitor se identificar. As crônicas são sobre situações cotidianas, então não
foge muito do que eu gosto de escrever. Eu gosto de escrever sobre o que
acontece ou sobre o que pode acontecer. Acho que esse é meu perfil.
SL: Você também é uma leitora assídua. O que você mais
gosta de ler, quais autores te inspiram?
IF: Assim como o que eu gosto de escrever, eu
também gosto de ler sobre situações mais "críveis". Eu amo YA, mas
contemporâneo. Eu até gosto muito de fantasia, ficção científica... Mas eu prefiro
os livros "pés no chão". Gosto muito do John Green, da Sarah Dessen,
da Maureen Johnson e das comédias românticas da Meg Cabot. Eles me inspiram
bastante, mas acho que meu estilo de escrita tem mais em comum com a Dessen do
que com o dos outros. De nacionais, adoro a Babi Dewet, Paula Pimenta e Carol
Sabar.
Eu também amo livros mais "tristes", desses que te
dão uma pancada. Gosto muito de histórias de personagens com problemas
psicológicos, que tratam de bullying, distúrbios e traumas. Destaco "As
vantagens de ser invisível", "Garotas de vidro", "Os treze
porquês" e "As virgens suicidas". Muita gente não gosta desse
tipo de livro, a temática é forte e tira a gente da zona de conforto, mas eu
amo.
SL: Você é muito ativa nas redes sociais. Está sempre
respondendo os fãs, fazendo novos amigos, conhecendo gente que só tinha contato
com você pela internet. Como é essa relação com seu público? Alguma história te
marcou?
IF: Foi na internet que fiz muitos amigos que
hoje são imprescindíveis no meu dia-a-dia. Conheci minha melhor amiga pelo
twitter, por exemplo. Eu gosto de como as redes sociais nos aproximam das
pessoas. Às vezes pode ser um pouco invasivo, mas na maior parte das vezes, é
algo legal. Um dia eu encontrei uma menina na livraria que disse que lia o blog
e me acompanhava pelo twitter, que se identificava muito comigo e tinha vontade
de ser minha amiga. Eu achei isso muito engraçado na hora, mas é verdade: a
gente conversa tanto nas redes sociais que acaba se sentindo amiga de quem tá
do outro lado. Eu gosto de conversar com os leitores, estar mais próxima deles.
Eu gosto de falar de igual pra igual, saber como as pessoas recebem aquilo que
estou postando e as redes sociais me propiciam isso.
SL: Quando você criou o Literalmente Falando já pensava
em publicar um livro? Como as coisas aconteceram?
IF: Eu sempre quis publicar um livro. Quando
criei o Literalmente Falando, eu estava escrevendo um livro e compartilhava os
trechos com minhas amigas. Eu tenho várias histórias inacabadas, desde a época
do Ensino Médio. Lembro que eu dizia na escola que queria publicar um livro até
meus 21 anos e as pessoas começavam a rir da minha cara. Antes dos 20 já tinha
um livro e um conto publicados e meu segundo livro será publicado quando já
tiver 21. Foi um sonho que eu consegui transformar em realidade, um sonho bem
mais antigo do que o Literalmente Falando.
SL: Há planos de um livro com os textos do seu blog? Ou
“Bastidores da sua vida online”?
IF: Eu adoraria publicar um livro de crônicas no
futuro, mas ainda não é uma prioridade. Alguns leitores do blog já pediram por
isso e eu espero conseguir ter crônicas o suficiente no futuro para montar um
livro. Ia ser bem divertido!
SL: Além do segundo livro, quais as novidades para quem
acompanha seu blog e que já se tornou fã da Mel?
IF: Há planos de visitar diversas cidades e
feiras com o próximo livro. Para a divulgação dele, vamos preparar outras
coisas bem diferentes também. Eu pretendo escrever contos com os personagens,
mas por enquanto fica só no campo das ideias.
SL: Você trabalha em uma editora. Todo mundo sabe que ser
autor nacional não é fácil. Como a Iris dos bastidores da literatura analisa a
situação dos escritores nacionais?
IF: Eu acho que falta profissionalização. A
maior parte dos autores nacionais age como amador e quer ser tratado como
profissional. A gente esquece que nosso livro, quando chega na mão da editora,
passa a ser visto como um produto. É uma cadeia com muitos profissionais envolvidos
até chegar às livrarias. É preciso estudar, saber ouvir críticas, se
aperfeiçoar e tentar ser o melhor possível. Por isso é importante ler bastante
sobre o mercado, ter cuidado com a própria imagem...
Hoje em dia um autor não precisa só saber escrever. Eu acho
que existe muito espaço para autores nacionais crescerem, mas o trabalho com um
autor nacional estreante demanda mais tempo e cuidado com a editora do que
publicar um best-seller estrangeiro, por isso a seleção é mais cuidadosa.
Assim, só se destacam aos olhos dos editores aquele que é aparentemente mais
preparado. Mostre seu trabalho na internet, faça um nome. E procure um agente!
É muito importante. Ele vai te ajudar a gerenciar todo lado profissional que
você nem faz ideia e tornar mais fácil a ponte entre você e uma editora.
SL: Você serve de inspiração para muita gente que
gosta de escrever, tem blog e quer publicar um livro. É tão simples na prática
quanto (parece) na teoria? O que você tem a dizer para esse público?
IF: Para mim, não foi complicado entrar no
mercado. Parece até meio mágico, foi tudo bem natural. Mas acho que foi porque,
antes de entrar, eu já procurei me informar bem para saber onde estava me
metendo. Tudo fica mais simples se você se informa, se especializa. Não estou dizendo
que foi fácil, mas que foi simples, porque eu já sabia o que teria que
enfrentar no meu caminho. Eu quebrei a cara algumas vezes no processo, mas acho
que bem menos do que teria quebrado se tentasse entrar nesse mundo às cegas. É
um mercado, e como todo mercado, você tem que estar preparado de algum jeito.
Acho que é nisso que a gente tem que pensar sempre.
Rapidinhas:
Livro favorito: A redoma de vidro, Sylvia Plath
Autor favorito: Sarah Dessen
Um livro que leu e que gostaria de ter escrito: Just
Listen, da Sarah Dessen.

Fran,
ResponderExcluirJá tinha no meu blog sobre festas infantis uma coluna chamada Biblioteca Mirim. Assistindo uma entrevista da Iris, senti uma vontade enorme de transformar essa coluna em um blog e assim nasceu a Bibliotecamirim.blogspot.com
Será um prazer recebê-la.
Beijinhos
Aline Gago
http://bibliotecamirim.blogspot.com
Obrigada pela entrevista, chuchu. Adorei responder as perguntas :)
ResponderExcluirBjs
Que bom que gostou, Iris! Ficamos muito felizes que você aceitou o convite para participar do quadro! Beijos
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