Por Francine Estevão
Título Original: Forgive me, Leonard Peacock
Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Lançamento: 2013
Páginas: 223
Sinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em
que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o
ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do
Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais
importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado por filmes de Humphrey
Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino;
Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que
está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro,
conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus
segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.
Matthew Quick é o tipo do autor que nos chama a
atenção. É como se ele pedisse ao leitor que o lesse lenta e atenciosamente,
prestando realmente atenção ao que ele tem a dizer. E embora seu livro tenha
esse aspecto reflexivo, o texto é leve e uma delícia de ser degustado.
Mais uma vez o autor nos apresenta (assim como em "O Lado Bom da
Vida") um personagem principal problemático, mas que, apesar de tudo, tem
em si uma esperança sem fim de ser salvo.
Leonard está no fim da adolescência e muito provavelmente no fim de sua
vida também. Traumatizado por algo que aconteceu entre ele e seu melhor amigo
ainda quando eram duas crianças, ele está fixado no seu plano de matar seu
ex-melhor amigo e se matar em seguida. Mas ele não fará isso de qualquer jeito.
Tudo foi calmamente planejado. Ele fará isso no fim do dia de seu aniversário
de 18 e depois de ter entregue quatro presentes aos seus quatro únicos
amigos.
"Que aniversário esse.Que vida.Ergo a P-38 e volto a pressionar o cano em minha têmpora.Fecho os olhos.Aperto o gatilho."
A história de Leonard nos vai sendo contada através da sua relação com
esses poucos amigos e, ao mesmo tempo que vemos o quanto ele está decidido a
seguir com seu plano até o fim, percebemos que existe nele uma esperança de que
alguém perceba o que está prestes a acontecer de forma que ele não faça o que
tanto planejou.
É impossível ler "Perdão, Leonard Peacock", sem ser tocado
pela história e sem parar pra pensar na nossa própria vida. Nas nossas ações e
tudo que fazemos que afeta a vida dos outros ao nosso redor, positiva e
negativamente. Além daquilo que nos afeta. Pode parecer clichê, mas Matthew
Quick sabe escrever isso de um jeito único e especial.
Entre as muitas coisas que adorei no livro uma delas são cartas que
aparecem no meio da história, como se fossem cartas de pessoas do futuro
conversando com Leonard. No início, essas cartas nos dão uma esperança de que o
livro esteja sendo contado por um Leonard já adulto. Mas na hora certa,
passamos a entender o que elas são (e claro, ficamos com vontade de fazer a
mesma coisa! Pelo menos eu fiquei!). Outro aspecto que adorei foram os muitos
momentos em que ele conta sua experiência como observador no metrô. Ele fica
olhando pras pessoas e escolhe uma para seguir e ver como será o dia dela, isso
porque ele precisa encontrar uma forma de provar a si mesmo de que ser adulto
não é tão chato nem tão infeliz quanto parece.
Por fim, eu diria que o livro é para muitos dos leitores a esperança - o
presente - que eles precisam para continuarem acordando todos os dias e
seguindo suas vidas mesmo que no momento, elas estejam chatas.
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Não conhecia o livro,
ResponderExcluira estória é bem diferente,
mas não é o tipo de leitura que me agrada :/
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