Nunca lamentei tanto uma edição da Feira do Livro de
Ribeirão Preto quanto lamento a de 2014. Apenas dois eventos da programação me
interessaram de fato e, ainda assim, eu não poderia participar porque eles
aconteceram durante a semana, de dia.
Achei que fosse implicância minha, até ouvir um número muito
grande de pessoas reclamando também do evento como um todo. Tem expositor que
já começou a repensar a participação para as próximas edições. Tem “autoridade”
que não se conforma com a falta de organização. E tem muito leitor que
costumava frequentar o evento e que não faz ideia do motivo pelo qual a
programação foi aquela.
Começando pelos expositores, o movimento caiu muito.
Normalmente, mal se anda por entre os estandes numa manhã de sábado. Neste ano,
tava sobrando espaço. Não que todos comprem, mas a curiosidade sempre atrai o
público. É meio lugar comum reclamar que os preços não compensam. Na maioria
dos casos, não mesmo. Mas uma novidade (positiva) que percebi este ano foram os
estandes promocionais. Eles estão sempre por lá com suas faixas de “tudo por 10
reais”, mas nem sempre os títulos são recentes e atrativos. Neste ano, eram.
Sobre a programação, não tem jeito. Escolher assuntos
segmentados foi um tiro pela culatra. Isso porque eles atraíram um público
diferente daquele habitual, mas espantaram os “ratos de biblioteca”. Faltaram
atrações que chamassem atenção do todo (ou pelo menos da maioria). Resultado:
muitos dos eventos quase vazios (teve programação no palco principal do Pedro
II com seis pessoas). Lamentável (para não dizer vergonhoso).
A falta de organização também abrange o item “programação”.
Acho legal disseminar a ideia do livro e da leitura pela cidade toda, mas não
adianta. Feira do Livro é = Centro de Ribeirão. Prova de que a tradição é mais
forte que a informação, não adiantou de nada a revista com a programação
informar que alguns dos eventos ocorreriam no Teatro Municipal, no Morro do São
Bento. Teve gente que acabou perdendo o evento do qual esperava participar
porque “passou batido” pela informação e acabou indo parar no entorno da Praça
XV.
Que me perdoem os atuais responsáveis pela Fundação Feira do
Livro, responsável pela organização do evento, que assumiram em 2013, mas eles
podiam fazer uma consultoria com a antiga presidente da Fundação para pegar
umas dicas. O evento declinou depois dessa mudança. Acho que a programação está
cada vez mais voltada a interesses particulares e políticos e cada vez menos
interessante do ponto de vista do público geral do evento. Aguardemos 2015, ou
não.

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