Por Francine Estevão
Fotos: Maju Raz
A
escritora infanto-juvenil Thalita Rebouças foi a autora homenageada da 12ª edição
da Feira do Livro de Ribeirão Preto e esteve na cidade nesta sexta-feira
(25/05), para participar do evento.
Eu a entrevistei por telefone, para a Rádio BandNews FM
Ribeirão Preto, e a escritora disse ter adorado a homenagem e estar ansiosa
para encontrar os fãs.
“Eu já tenho o maior carinho por Ribeirão, está já é a
terceira vez que participo da Feira do Livro. Ser homenageada do jeito que foi
feita a escolha, por votação popular via internet, então foi muito bacana os
jovens de Ribeirão terem escolhido meu nome, então eu estou muito feliz porque
tenho o maior carinho por qualquer evento que promova a literatura e o hábito
da leitura.”
Segundo Thalita Rebouças, falar que os jovens, em sua
maioria não gostam de ler, já é coisa do passado. “Isso acontecia há 12 anos,
quando comecei a escrever. A verdade é que os adolescentes e pré-adolescentes estão
lendo cada vez mais. No começo perguntava para 30 pessoas numa turma em uma
sala de aula quem gostava de ler e três levantavam a mão. Agora, quem não gosta
de ler tem vergonha disso e então 25 levantam a mão pra dizer que gostam de ler.”
De acordo com a escritora, sagas como Harry Potter, por
exemplo, foram as motivadoras para essa mudança no perfil do jovem leitor. “Harry
Potter tem muito a ver com isso. E cada vez mais autores estarem escrevendo
para esse público juvenil, também.”
E o público infanto-juvenil não é fácil. Thalita ressalta
que nessa fase, eles não são nem crianças nem adultos, então são delicados e
exigentes,
Então, como será que ela faz para agradar os milhões de fãs
que tem espalhados no Brasil e em Portugal (onde sete de seus livros já foram
publicados)? “Eu acho que o que meus livros têm são coisas que acontecem na
vida deles. São histórias que fazem rir e que não querem passar nenhuma lição de
moral. Eu quero fazer, com meus livros, que a partir do humor, do riso, que
eles pensem, reflitam e tirem as próprias conclusões. Eu não quero dizer o que é
certo o que é errado, eu não quero ser uma tia chata ou preocupada. Eu só quero
fazer companhia para eles e aproximar eles do hábito da leitura. E tem dado
certo, graças a Deus!”
Uma forma de aproximar ainda mais a leitura dos jovens, é o
projeto “Ler é bacana” que a escritora criou há mais ou menos sete anos. O
projeto “nasceu como uma resposta que eu arrumei para dar as pessoas que
falavam pra mim ‘ eu não gosto de ler’ e eu perguntava por que e eles falavam ‘ah
ler é chato’. Na verdade ler não é chato, é o oposto de chato, ler é bacana”.
Ela inclusive trouxe para a cidade vários broches com o lema
da campanha para distribuir entre o público dos três eventos que ela participou
na cidade. Uma conferência pela manhã, uma salão de idéias a tarde e uma
bate-papo na Fnac do Ribeirão Shopping, a noite.
E com 37 anos, Thalita já não é mais uma adolescente (embora
tenha o jeitinho alegre de uma). Simpática, ela responde como consegue escrever
para jovens como se fosse um deles. “Eu penso no que eu gostaria de ler se eu
tivesse 13, 14 anos. Então eu sento no computador, viro uma menina de 13, 14
anos e ai não fico me julgando. A mulher, jornalista, de 37 anos revisa, mas é
a menina de 13, 14 que escreve, que dá asas a imaginação. Para mim é muito
simples, flui naturalmente o texto na hora que eu to escrevendo.”
Ela explica também de onde vem a marca quase registrada de
sua carreira, o “Fala Sério”. “O Fala Sério veio não só por causa da gíria que é
tão popular, mas veio pela coisa do falar seriamente. Todos os textos “Fala Sério”
têm momentos em que os personagens conversam seriamente, têm momentos
emocionantes, têm momentos que fazem pensar. Então foi uma maneira de usar
tanto a coisa gaiata da gíria quanto o lado sério da coisa.”
E para fechar a entrevista à BandNews FM Ribeirão Preto com
chave de ouro, Thalita Rebouças falou sobre a responsabilidade de escrever para
o público infanto-juvenil. “É uma responsabilidade grande porque a minha função,
a minha missão, é formar leitores. O que eu quero mesmo com meus livros é fazer
com que o adolescente perca a implicância com o livro e vire um adulto leitor
porque quanto mais a gente lê, melhor a gente escreve, melhor se comunica e
quando crescer mais vai ficar melhor no mercado de trabalho, numa entrevista de
trabalho, de emprego. Então, o que eu quero é aproximar o jovem do hábito da leitura. Pra mim, a minha responsabilidade é essa.
A partir de mim, eles podem ir para Dostoievski, Kafka, Shakespeare, Jorge Amado,
Saramago, Vargas Llosa...não importa. O que eu quero é que eles, a partir de
mim, se interessem pelo hábito de ler.”



Ótima entrevista, objetiva e bem elaborada.
ResponderExcluirComo é bonito a autora dizer que a missão dela é formar leitores.
Parabéns a ela.A missão é árdua,porem a cada criança que ela vê com um livro, tenho certeza que ela sente um pouquinho da missão cumprida.