
Carina Rissi é uma
leitora com fascínio por amores impossíveis e se inspira em obras da clássica e reconhecidíssma Jane Austen.
Do interior de São Paulo
para a Alemanha. Seu primeiro livro, “Perdida”, foi traduzido para o alemão e
entrou para a lista de mais vendidos.
“Procura-se um marido”,
segundo livro da autora, já é sucesso no Brasil e esperamos que fora daqui
também, em breve.
Sociedade do Livro: Carina, obrigada pela entrevista.
Vamos começar com esse seu sucesso internacional. Como seu livro foi parar na
Alemanha? E por que Alemanha e não outros lugares do mundo?
Carina Rissi: Oi, Francine, eu que
agradeço pelo convite. =)
Eu não sei bem como o
Perdida foi parar na Alemanha. Ano passado fui convidada pela CBL para fazer
parte do catálogo deles, com o Perdida, na Feira do Livro de Frankfurt. Eu
imagino que foi isso que gerou interesse nos leitores de língua portuguesa que
vivem lá.
SL: Suas personagens geralmente são jovens. Você se
inspira em experiências vividas?
CR: Mais ou menos. Acredito que
cada um dos meus personagens tenha algo meu, mas normalmente coloco minhas
heroínas em situações que nunca vivenciei. De preferência as mais ridículas e
absurdas. rsrs
SL: Você é casada e tem uma filha. Sua família lê os
seus livros? O que falam?
CR: Meu marido é meu maior
fã, incentivador, crítico e tudo o mais que você possa imaginar. É ele quem lê
primeiro, me ajuda na correção, aponta problemas que eu não tinha percebido
antes. Não sei o que eu faria sem ele. Minha filha ainda tem 9 anos e
como escrevo romances adultos ela ainda não leu nada, mas conto pra ela a história,
editando. Ela adora opinar a respeito dos figurinos.
SL: Você começou sua carreira já com dois livros muito
bem sucedidos. Você esperava por isso? Como se sentiu quando viu o retorno?
CR: Fui pega de surpresa, não
esperava nem metade da aceitação que meus livros tiveram. É gratificante saber
que consigo mexer com a emoção das pessoas, seja fazendo-as rir, chorar ou
sonhar, e é um tanto assustador também. É tudo muito novo e acho que a ficha ainda
não caiu. Adoro abrir meus e-mails e encontrar recados de leitores. É a melhor
hora do dia.
SL: Ter ido muito bem logo de cara com seus dois
primeiros trabalhos traz uma responsabilidade maior para futuros projetos?
Aumenta a pressão?
CR: Sendo sincera, não. Vou
explicar melhor; sou bastante insegura (em quase todos os aspectos da minha
vida) então quando me sento para escrever eu deleto a informação de que alguém
irá ler aquele texto em algum momento. Se eu ficar pensando no que o meu marido
vai pensar, o que o avaliador da editora vai dizer, o que os leitores vão
achar, eu tenho certeza que não seria capaz de concluir um único parágrafo.
Penso nisso depois do projeto concluído, e aí sim, bate aquele desespero. É
cômico quando envio o livro pra editora. “Mas eles vão ler!”, eu fico choramingando pela casa.
SL: E que o vem pela frente?
CR: Bem, já conclui a história
de No Mundo da Luna e estou atando as pontas soltas. Adorei o resultado, acho
que é meu melhor trabalho, mais maduro, me conheço melhor agora.
Depois (ou antes, não
tenho certeza quanto a estratégia da editora) virá Perdida 2. Preciso finalizar
esse projeto, pois até ameaça de sequestro já me fizeram rsrs.
Tenho um livro
praticamente pronto que se tornou meu xodó. É um conto de fadas moderno onde o
antigo e o novo se misturam, entrelaçam e confundem. Eu acho que o título será Enquanto Você Não
Vem ou Até Você Chegar, algo nessa linha.
SL: Você serve de inspiração para muita gente que quer
um dia ver os próprios livros nas prateleiras de livrarias e nas mãos dos
leitores. O que você diria para os novos futuros autores que enfrentam tantas
dificuldades do mercado literário brasileiro?
CR: Fico muito lisonjeada
com isso. <3
Bem, vai parecer bobo,
mas meu primeiro conselho é BNC (Bunda Na Cadeira). Concluir um livro toma
tempo, empenho e dedicação. Abusar das revisões e deixar o texto o mais
perfeito possível. Depois disso é preciso um bocado de obstinação ( eu prefiro
chamar de teimosia) e paciência. O mercado literário nacional é muito fechado,
é difícil uma editora tradicional publicar um estreante, mas não impossível. E
por fim o que, em minha opinião, é o mais importante: acreditar e apostar no
seu trabalho. Se você não apostar nele, ninguém mais apostará.
SL: Agora em março (dia 23), você participa do Clube do
Livro de Ribeirão. Para a sua carreira, qual a importância desse tipo de evento
e de viajar pelo país se aproximando dos leitores?
CR: É vital. É quando eu
consigo medir de verdade o quanto o livro agradou, onde acertei, onde podia ter
feito melhor. É esse carinho que recebo dos leitores que me motiva a seguir
lutando por um espaço nesse louco mundo literário.
Rapidinhas:
Livro favorito: Orgulho e Preconceito
Autor favorito: Jane Austen
Um livro que leu e que gostaria de ter escrito: sem
dúvidas Orgulho e Preconceito
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