Em abril, o “Autor do Mês” é o escritor Maurício Gomyde, de "O Mundo
de Vidro", "Ainda não te disse nada" e "O Rosto que Precedeo Sonho".
Maurício é Paulista, mas mora em Brasília e além de autor é músico -
compositor e baterista.
Sociedade do Livro: Maurício, obrigada pela entrevista. O que nasceu
primeiro na sua vida, a música ou a literatura?
Maurício Gomyde: Antes de tudo, eu que te agradeço imensamente
pela oportunidade de falar aos seus leitores. Então, em relação à sua pergunta,
a resposta sempre será a música. Venho de uma família de músicos. Minha mãe é
pianista profissional, então cresci escutando-a ensaiar e tocar com muita
gente. A literatura já veio um pouco mais tarde, na adolescência. Minha escola
obrigava (que bom! rs) os alunos a escreverem muito, e tomei gosto pela coisa.
SL: E a música também marca presença nos seus livros,
né. Como é misturar as duas artes?
MG: Acho que são complementares. Como sempre compus
canções, naturalmente as duas artes já estavam presentes. Gosto de compor
primeiro a canção e depois colocar a letra, da mesma forma que gosto de
escrever o livro e inserir citações e trilhas sonoras nele. De qualquer forma,
eu só escrevo escutando música, então não teria mesmo como dissociar uma coisa
da outra.
SL: Normalmente, vemos mais mulheres publicando
romances. Parece que há certo preconceito em homens escreverem livros do
gênero. Como é ser um nome de destaque nesse nicho?
MG: Acredito que você esteja se referindo a romances
românticos, certo? Quando a mestra Agatha Christie se meteu a escrever
thrillers, alguém poderia ter pensado o mesmo, que não era literatura para
mulheres... rsrs. Não vejo esta distinção de estilo, sabe? Para haver um
romance na vida real, necessariamente terá de haver, no mínimo, duas pessoas
envolvidas. Na maioria dos casos um homem, pelo menos. Ou seja, homens também
podem se aventurar a contar histórias de amor, por que não? Sempre digo:
enquanto houver gente no mundo, haverá romance! É meu estilo de escrita e
leitura favorito, escrevo naturalmente e a turma tem gostado.
SL: Uma novidade na sua carreira é o contrato com uma
editora inglesa para tradução e publicação de “Ainda não te disse nada”. Como
foi o processo para conseguir esse contrato e como você recebeu essa notícia?
MG: O contato foi feito por uma agência do Reino
Unido e que tem representação em São Paulo. Eles fizeram uma seleção dentre uma
série de títulos de novos autores e o “Ainda não te disse nada” foi escolhido.
Quando recebi a notícia, eles já vieram com o contrato. Acho interessante,
porque é mais um mercado, maiores possibilidades. Minhas histórias são
universais, com suas peculiaridades locais. As pessoas se apaixonam igualzinho
no mundo todo, têm os mesmos interesses, as mesmas ideias, os mesmos sonhos.
Acho que a história irá bem em inglês também.
SL: O autor nacional ainda passa por desafios muito
grandes para se tornar reconhecido aqui no Brasil. O que você diria que pode
ser feito para que os autores brazucas sejam mais reconhecidos por aqui?
MG: Em relação ao reconhecimento dos autores
nacionais por aqui mesmo, acho que é questão de tempo e qualidade (e aí entra
nosso trabalho). Temos que escrever cada dia melhores livros, histórias mais
bem arranjadas e costuradas. Tenho certeza de que o preconceito será diminuído
com bons livros. Além disso, o autor tem que botar a cara à tapa, tem que
descobrir onde está seu público e ir garimpá-lo. Não adianta ficar em casa
achando que vai dar certo sem esforço. Pode até acontecer, mas a chance é bem
menor. Mãos à obra, então!
SL: Você é um grande adepto de promoções, sorteios e
interação com o público. Você já pediu opinião sobre a capa do seu último
lançamento e agora, para o seu próximo livro, você criou uma promoção para que
um leitor se torne um personagem da história. Essa pode ser considerada uma
parte essencial do trabalho do autor brasileiro? Essa interação com aqueles que
vão ler seu trabalho?
MG: Acho que é um caminho irreversível, do autor
brasileiro e do autor internacional. Seja conhecido ou anônimo. A internet está
aí, nas casas e celulares de todo mundo. Por que não aproveitar este mundo de
possibilidades? No meu caso, como sou autor independente, a coisa se faz ainda
mais necessária. Se eu não falar de mim e se não conseguir que as pessoas
espontaneamente falem do meu trabalho, serei ainda mais anônimo. Acho que se os
leitores se envolverem com o livro desde o processo de criação dele (capa, book
trailer, detalhes da história), vão se sentir ainda mais parte da história.
Isso é muito legal.
SL: O que os seus leitores podem esperar do próximo
livro?
MG: Estou na metade já. A ideia é lançá-lo no segundo
semestre. As pessoas podem esperar uma história bem consistente e costurada,
com personagens fortes. Mais um romance, com música, o humor de sempre. Gosto
da ideia de o leitor sair leve e com a sensação de que gostaria de ter vivido
aquela história. Se conseguir um pouco disso, então o dever terá sido mais do
que cumprido.
Rapidinhas:
Livro favorito: O
Apanhador no Campo de Centeio
Autor favorito: Nick
Hornby
Um livro que leu e
que gostaria de ter escrito: Alta Fidelidade

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