Por Francine Estevão
Além de
escritor, Danilo Barbosa é
publicitário e coordenador do Clube do Livro de Ribeirão. E também amigo da
equipe da Sociedade.
E por que
ele merece um mês todinho dele? Porque ele acaba de relançar seu primeiro
livro, "Arma de Vingança".
SL: Arma de Vingança é mesmo seu
primeiro livro ou você já escreveu outras histórias antes, mas que (ainda) não
foram publicadas?
DB: Foi o meu primeiro livro mesmo.
Tenho outras ideias bem loucas em andamento, que espero liberar logo para os
leitores. Acho que estou apenas aguardando o momento certo. Um autor nunca
sobrevive com apenas um escrito. Os personagens povoam a nossa cabeça.
SL: Lembro que, quando te
conheci, estávamos em uma livraria e quando você foi pegar seu livro pra me
apresentar, havia apenas 2 exemplares. Tanto é que o livro está na segunda
edição e segue fazendo sucesso. Qual o gostinho desse reconhecimento?
DB: É muito bom ter esse contato com
a galera. Ser um escritor brasileiro que, sem nenhuma campanha de marketing
maciça, como os best-sellers, conseguir chegar a 2ª edição em uma editora
pequena é um grande fato. Sou muito grato aos leitores. Afinal, o que seríamos
de nós escritores sem eles? O sabor que me vem disso é de vitória, emoção e
muitas coisas boas. O dia que mais me pirou foi quando fui reconhecido em um
ônibus lotado... É demais.
SL: Seus textos tem um
"tom" diferente. Podemos dizer que eles têm uma pegada mais forte.
Para onde você olha quando escreve? Existe uma Ana (personagem principal de
"Arma de Vingança") escondida em algum lugar?
DB: Acho que todo mundo tem uma Ana
em si. É a nossa parte instintiva, a nossa "sombra". Acho que Ana,
mais que uma mulher vingativa, é uma justiceira. Tem seus dias bons, dias
ruins, mas quando vê a injustiça e uma possibilidade de mudar isso, vai à luta.
Todos nós temos que trabalhar esse nosso lado mau de alguma forma. No fundo, os
meus personagens são uma forma de trabalhar o meu. Quanto ao pegar pesado, rs,
as pessoas acreditam que precisamos criar monstros fantásticos para nos
assustar. Eu quis provar que não construindo o Ricardo... Parece que estou
conseguindo, rs.
SL: Qual a parte mais difícil no
momento de criar uma história?
DB: Construir os vilões, com
certeza. Tive cenas que pensei "eu não vou dar conta", mas não podia
parar. Quando finalmente terminei, estava todo tenso, com o corpo dolorido
demais. Olhava determinados trechos e pensava, não acredito que escrevi
isso....
SL: O Danilo publicitário ajuda ou atrapalha o Danilo escritor?
DB: Acho que não. Penso que os dois
se completam. O publicitário permite que eu escreva de forma mais direta,
sedutora, convidativa, entende? O escritor floreia, o publicitário seduz.
SL: Como foi participar da Feira
do Livro de Ribeirão?
DB: Foi demais. A galera vindo ao
estande, querendo tirar foto comigo e conversando nas redes sociais é
maravilhoso. Saber que as pessoas gostam do seu trabalho e se identificam é
prazeroso. Tive leitores que já tinham a primeira edição e compraram a segunda
só para trocarem ideias com o autor (ops, este sou eu!). O contato com os novos
leitores quando conhecem a sua história, mesmo que brevemente, através de sua
versão é extasiante. O olhar que eles te fitam quando descobrem que você é o
autor não tem como descrever. Pela primeira vez me senti verdadeiramente
tietado, quando adolescentes vieram me encontrar com caderninhos, pedindo
autógrafos. Cansa, sem dúvida, ficar o dia inteiro de pé em um estande, comendo
pouco, com os pés doendo e tal, mas ao mesmo tempo é BOM PRA C... Prazer e dor
mesclados de uma forma única.
SL: Além de leitor, escritor,
publicitário...você é muito ligado à literatura de forma geral. Você tem um
blog literário ("Literatura de Cabeça") e um clube do livro
("Clube do Livro de Ribeirão"). Qual o retorno dessa relação tão
próxima com as letras?
DB: Paixão. Amar os livros como
muitas poucas coisas na vida. O que consegui de destaque no mercado, não como
autor, mas mais nos bastidores, foi por fuçar e gostar desse mundo. Entre
livros, sentindo o cheirinho deles e conversando com os autores, me sinto em
casa. É como se um pedaço do meu coração se preenchesse quando me encontro
nesse meio.
SL: E os próximos projetos? O que
podemos esperar depois dessa segunda edição de "Arma de Vingança"?
DB: Várias coisas rolando. Ousando
me adentrar no chick-lit e, paralelamente, um terror e um romance em andamento.
Vamos ver qual sai primeiro. Escrever não é prazeroso, como muitos dizem... Tem
dor, é mostrar facetas suas para o mundo. É literalmente um parto, prazer e dor
sempre se misturando diante da gente. E esse filho ganha o mundo...
Rapidinhas:
Livro favorito: Pergunta difícil para quem vive
cercado de livros. Posso citar O iluminado, A trama da maldade ou até mesmo E o
vento levou. Depende do que você deseja sentir.
Autor
favorito: Stephen King, claro.
Um livro que leu e que gostaria
de ter escrito: O livro
das coisas perdidas.

Obrigado pelo carinho, meninas. Sempre que precisarem, estou por aqui!
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