Autor:
Raphael Montes
Editora:
Companhia das Letras
Lançamento:
2014
Páginas:
278
Sinopse: Téo é um solitário estudante de medicina que
divide seu tempo entre cuidar da mãe paraplégica e examinar cadáveres nas aulas
de anatomia. Durante uma festa, ele conhece Clarice, uma jovem de espírito
livre que sonha tornar-se roteirista de cinema. Ela está escrevendo um road
movie sobre três amigas que viajam em busca de novas experiências. Obcecado por
Clarice, Téo quer dissecar a rebeldia daquela menina. Começa, então, uma
aproximação doentia que o leva a tomar uma atitude extrema. Passando por
cenários oníricos, que incluem um chalé em Teresópolis e uma praia deserta em
Ilha Grande, o casal estabelece uma rotina insólita, repleta de tortura
psicológica e sordidez. O efeito é perturbador. Téo fala com calma, planeja os
atos com frieza e justifica suas atitudes com uma lógica impecável. A
capacidade do autor de explorar uma psique doentia é impressionante – e o
mergulho psicológico não impede que o livro siga um ritmo eletrizante, repleto
de surpresas, digno dos melhores thrillers da atualidade. Dias perfeitos é uma
história de amor, sequestro e obsessão. Capaz de manter os personagens em
tensão permanente e pródigo em diálogos afiados, Raphael Montes reafirma sua
vocação para o suspense e se consolida como um grande talento da nova
literatura nacional.
Leia um trecho aqui.
"Não faz sentido...Eu deveria estar com medo, não?" (pág 58)
Eu comecei a ler “Dias Perfeitos” com uma expectativa “x” e conforme a
leitura foi avançando, vi que teria que manter minha cabeça completamente
aberta para o que estava por vir. Era diferente do que eu esperava, mas eu
ainda não sabia se isso era positivo ou negativo. Até que eu tive o primeiro
pesadelo enquanto acompanhava a história de Téo e Clarice. E confesso que, por
alguns dias, fiquei meio que com medo de conhecer qualquer pessoa aparentemente
normal. Porque eu acredito que esse seja o ponto onde o livro nos pega de
jeito. Téo é um cara aparentemente normal, apaixonado e disposto a fazer de
tudo para conquistar o amor de Clarice. No entanto, nesse caso tudo é TUDO
mesmo!
O estudante de medicina e filho dedicado à mãe cadeirante Téo conhece
Clarice totalmente por acaso durante um churrasco. No entanto, ele se apaixona
pela jovem de imediato e dá um jeito de conseguir o telefone dela. Antes de ir
embora, eles trocam um beijo rápido o que o faz pensar que Clarice também se
apaixonou por ele. Sem saber como viver sem Clarice, Téo dá um jeito de se
aproximar dela, no entanto acaba rejeitado quando declara seu amor.
Aparentemente um cara exemplar, Téo acredita que Clarice só não sente o mesmo
por ele porque não teve a oportunidade de conhecê-lo direito e é ai que toda a
loucura começa.
Téo sequestra Clarice (mano, ele coloca ela dentro de uma mala como se
ela fosse uma peça de roupa!) e a mantém refém e longe de tudo e de todos
usando a desculpa de que ela pediu para que ninguém a incomodasse enquanto
finalizava Dias Perfeitos, o roteiro de cinema que vinha
produzindo sobre três amigas que viajam por Teresópolis, Ilha Grande e Paraty,
parte do cenário da história de Téo com Clarice.
O livro tem alguns momentos em que pensei “aff, que besteira, até parece
que ela se comportaria assim com tudo o que está acontecendo”. No entanto,
bastou avançar um pouco nas páginas para ver que tudo tinha um propósito.
Outras vezes, precisei parar a leitura para dar uma respirada de tão chocada
que fiquei (só vou dizer uma palavra - pra não dar spoilers e
ainda assim poder me comunicar com quem já leu o livro – coluna!) e pensava
“meu Deus, como é possível uma pessoa ser tão horrível, fria a calculista
assim?”.
O livro tem reviravoltas e reviravoltas e o leitor passa o tempo todo
torcendo para que a Clarice consiga fazer algo para se livrar de Téo (quer
dizer, eu espero que os leitores torçam por ela né rsrsrs). E todo o final,
tanto de maneira geral quanto até a última palavra, são de deixar o leitor em
choque. Depois de ler a última palavra fiquei alguns minutos olhando para o
nada pensando em absolutamente tudo que havia lido desde que decidi pegar “Dias
Perfeitos” e só uma coisa me veio à mente: genial. Porque é preciso ser um
gênio para pensar em uma mente tão doentia quanto a de Téo e principalmente
para fazer um final tão – inesperado, digamos assim mais uma vez para evitar spoilers.
Raphael Montes, a mente por trás de toda criatividade e maluquice de
“Dias Perfeitos” comentou no Facebook que “O final de DIAS PERFEITOS tem
causado polêmica. Alguns odeiam, ficam com raiva, querem brigar com o autor
(sim, já recebi mensagens indignadas e até ofensivas). Outros amam o final,
enviam elogios e dizem que o rumo não poderia ser outro. Só tenho a dizer uma
coisa: acho tudo isso muito divertido”. Eu não vou dizer nem que amei nem que
odiei. Se eu, como juíza de todo esse caso, faria um final diferente? Com
certeza. Se eu como leitora mudaria algo? Definitivamente não.

Nossa o livro parece ótimo, fiquei doida pra ler!
ResponderExcluirMedo e vontade de ler...O.O
ResponderExcluirÓtimo texto! ;)
Estou super curiosa para ler esse livro porque os comentários são super positivos, sem falar que thrillers psicológicos me agradam bastante, principalmente quando são bem desenvolvidos.
ResponderExcluirAll My Life in Books - Aguardo sua visita!