Sinopse: Em pleno marco zero de São Paulo e escondida entre as paredes do edifício Nazareth, uma história que antes fora de amor, se tornará sofrimento, tortura e medo. Em uma noite tranquila, Matias e sua esposa, Felícia, grávida de 6 meses, são atacados por um cão. Para ele, havia sido apenas um susto. Para ela, uma dolorida, mas curável, ferida na perna. No entanto, a ignorante certeza de que tudo acabará bem, ignorando a necessidade de cuidados médicos, causará sérias consequências. O que tal negligência ocasionará às vidas dessa família? Que destino um acidente simples, revelará para o mundo? Matias, enclausurado em seu apartamento com seu filho, Júnior, viverá momentos tenebrosos e sombrios que mudarão para sempre a sua história e das pessoas à sua volta. Um pai, um filho e um destino amedrontador.
Como se fosse uma série, o livro
se inicia contando várias histórias apocalípticas e ficamos refletindo qual
seria o vírus que estaria matando os humanos pouco a pouco.
A gravação em forma de escrita
contida na primeira narrativa me fez sentir dentro da história e fiquei
bastante interessada no que estaria por vir. Depois telejornais e caixa preta
de um avião foi dando um friozinho na barriga. Mais gravações, mais realidade e
curiosidade.
“Nós não estamos seguros. Não
estamos!”
Matias Castro é o personagem
principal. O coordenador de call center está sempre correndo apressado e se
justificando na vida sofrida. Viúvo, perdeu a mãe atropelada por um caminhoneiro
embriagado ainda criança. Deixa seu filho, Júnior, com a vizinha Dona Celina todos
os dias para ir trabalhar. Dona Celina é uma senhora de 70 anos, professora
aposentada. Conhecemos também outro vizinho de Matias, Romeu Torres Gusmão cuja
mãe foi internada em um hospital psiquiátrico e o pai se suicidou após um
escândalo de fraude com a Receita Federal. Sua alternativa foi mudar-se para o
interior do Mato Grosso e crescer com os tios. Quando jovem foi morar em São Paulo para
cursar a Faculdade de Direito e ganhar a vida.
Conhecemos todas as personagens e
a história se desenvolve em um drama da vida real, normal até que....coisas
estranhas começam acontecer com Júnior:
“Violentamente desferia inúmeras
mordidas em seu próprio braço...”
A princípio seria apenas um
perfil patognomônico do garoto, ou seja, um transtorno de conduta, mas não é
bem isso que se passa. Seria mais uma história de zumbis clichê? Dei continuidade
à leitura e não percebi nada de comum, achei bem interessante como a história
se desenvolveu. Não posso contar pra vocês se é um livro sobre vírus, zumbis,
coisas sobrenaturais ou mortos-vivos, pois penso que estragaria o suspense da
trama.
“Ignorá-la, era um remorso que
sua alma para sempre carregaria.”
O livro conta com 252 páginas e
dentro de cada capítulo conhecemos o passado das personagens numa narração “vai
e volta” e vamos tomando conhecimento de suas características pouco a pouco. Algumas
de suas descrições são bem reais e sangrentas. Mais pro fim do livro o
palavreado fica pesado, mas necessário pro assunto do livro. Pra quem curte o
tema acho muito legal, pois valoriza o cenário. Dá um toque cinematográfico. Me
lembrou um pouco do estilo de escrita de Thiago Toy, Alexandre Callari e até um
toque de André Vianco.
“...só conseguiam enxergar suas
pernas e um de seus braços, separado do corpo e caído dentro de uma poça escura
de sangue.”
Soube dosar e descrever essas
partes passado x presente e o drama contido na história de Matias como a morte
de sua mãe, o passado com sua esposa e criar um filho sozinho foram
interessantes e quebram um pouco da narrativa pesada de terror. Nessa parte a
gente respira um pouco e toma fôlego pra que possa enfrentar mais suspense. Achei
bem legal isso.
O livro vai além do terror
contido na trama. Fala de como o humano é podre por dentro, como o homem está
tentando sempre passar por cima do outro e levar a melhor se aproveitando da
inocência de alguns. Achei isso muito interessante já que não fica só preso a
uma história apocalíptica – o mundo morre aos poucos com cada atitude nossa,
não é necessário um vírus ou uma catástrofe, damos conta de fazer isso com a
podridão de alguns.
“Sob esse olhar, as teorias,
provas, explicações, crenças, nada faria sentido diante dos avanços minuciosos
da mãe natureza reforçados pela arrogância humana...”
A única coisa que tenho a
reclamar do livro é o título que, a meu ver, não chama muita atenção. Penso
que o autor poderia ter explorado mais o nome do livro, mas fora isso gostei
muito e recomendo.
“É complicado de se abandonar
aqueles que mais precisam de você. No fundo, no fundo...eu só sei amar assim.”
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