Por Roh Dover
Título: O Coração da Esfinge - Série Deuses do Egito
Título Original: Recreated
Autora: Colleen Houck
Editora: Arqueiro
Páginas: 368
Sinopse: Lily Young achou que viajar pelo mundo com um príncipe egípcio tinha sido sua maior aventura. Mas a grande jornada de sua vida ainda está para começar.
Depois que Amon e Lily se separaram de maneira trágica, ele se transportou para o mundo dos mortos – aquilo que os mortais chamam de inferno. Atormentado pela perda de seu grande e único amor, ele prefere viver em agonia a recorrer à energia vital dela mais uma vez.
Arrasada, Lily vai se refugiar na fazenda da avó. Mesmo em outra dimensão, ela ainda consegue sentir a dor de Amon, e nunca deixa de sonhar com o sofrimento infinito de seu amado. Isso porque, antes de partir, Amon deu uma coisa muito especial a ela: um amuleto que os conecta, mesmo em mundos opostos.
Com a ajuda do deus da mumificação, Lily vai descobrir que deve usar esse objeto para libertar o príncipe egípcio e salvar seus reinos da escuridão e do caos. Resta saber se ela estará pronta para fazer o que for preciso.
Nesta sequência de O despertar do príncipe, o lado mais sombrio e secreto da mitologia egípcia é explorado com um romance apaixonante, cenas de tirar o fôlego e reviravoltas assombrosas.
Na continuação da saga egípcia, “O
Coração da Esfinge”, Colleen Houck mantem sua zona de conforto, como uma receita
pronta para colocar novos ingredientes, mas dessa vez faltou o tempero tão
conhecido e querido pelas fãs da autora – uma aventura repleta de mitos e lendas
da qual sabemos que Houck domina tão bem.
Depois de se apaixonar por uma
múmia no Metropolitan Museum of Art (MET) em Nova Iorque, e salvar o mundo do
deus Seth, Lily se vê sozinha e perdida no mundo real e concreto a sua volta.
Sem Amon e nem qualquer vestígio de outro deus, Lily se volta para a casa de
sua avó e lá recebe a visita inesperada de Anubis, a partir daí ela precisa
encarar seus medos e enfrentar o inferno – literalmente – para salvar seu amado
e reivindicar uma profecia que nem sabia da existência e da qual faz parte.
No segundo livro da saga Deuses
do Egito, Colleen Houck perde o que lhe era essencial. Seu jeito de contar os
mitos e lendas fica travado na continuação, Lily retrocede como personagem e
sua melhor qualidade - a de conseguir ser uma personagem melhor que Kelsey em A
Maldição do Tigre, desaparece e conseguimos identificar a sombra da personagem
nem tão querida por todos na saga anterior e de sucesso de Houck.
O temperamento forte e
independente de Lily some enquanto ela busca salvar seu amado, e apesar de
entendermos nas entrelinhas o novo romance despertado no livro, ainda sim é
algo não natural e imbuído de força motora da própria autora, deixando claro a
narrativa forçada em muitos aspectos do livro.
Um dos maiores prazeres em se ler
Colleen Houck é a destreza da autora de narrar os muitos mitos existentes nas
diversas culturas distribuídos em variados países e continentes pelo mundo. Em
A Maldição do Tigre, Houck se torna memorável ao escrever uma narrativa cheia
de conteúdos gostosos e aventuras inéditas da cultura indiana e o primeiro
livro da saga Os Deuses do Egito, apesar de ser construído na mesma base,
consegue sugar a mesma essência que fez com que Houck ficasse tão famosa.
Já nessa continuação, os mitos
são narrados como se soubéssemos de sua história e como se a narrativa
construída não precisasse de nenhuma modificação feita pela autora. As lendas
são jogadas aos leitores, que ficam perdidos, e a narrativa trava, deixando
claro a falta daquela essência tão conhecida da autora.
Colleen Houck é dotada de uma
criatividade exuberante, presente nos seis livros já escritos pela autora, a
narrativa, a construção de seus personagens e as histórias inéditas em um mundo
de enredos iguais a faz se sobressair da mesmice que cerca os leitores. Apesar
de “O Coração da Esfinge” fugir à regra conhecida pela autora, não a faz menos
do que ela já conquistou no mundo literário. Continuarei fiel à autora, lendo
os livros que ela lançará no futuro, meu conselho a todos os outros é que
apenas não comece ou não tire conclusões precipitadas ao ler o segundo volume
da saga egípcia. Não só a Colleen, como a todos os outros autores bons, mas que
também tiveram seus momentos ruins.

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