Por Carla Rojas
Autora: Saskia Sarginson
Editora: Novo Conceito
Lançamento: 2014
Páginas: 313
Sinopse: As gêmeas Isolte e Viola eram inseparáveis na
infância, mas se tornaram mulheres muito diferentes: Isolte tem um emprego
glamouroso em uma revista de moda de Londres, namora um fotógrafo e vive em um
bairro descolado. Viola, desesperadamente infeliz, luta contra um transtorno
alimentar e não faz questão de se ajustar a nenhum grupo. O que pode ter
acontecido para levar as gêmeas a seguirem trajetórias tão desencontradas? À
medida que as duas jovens começam a reviver os eventos do último verão em
família, terríveis segredos do passado vêm à tona – e ameaçam invadir suas
vidas adultas.
Não estava animada para ler este livro. Os
motivos? A capa, apesar de bela, é sombria e eu não estava no clima para um
drama. E a frase na capa: “Elas eram idênticas em todos os sentidos, até que o impossível as separou” me parecia forçada e muuuito melodramática. Eu não me
sinto nem um pouco atraída a ler livros cujo enredo principal trate de alguma
ligação especial entre irmãs gêmeas, o que certamente tem a ver com o fato de
eu mesma ter uma irmã gêmea (não somos idênticas como na obra, mas mesmo assim).
As primeiras 80 páginas não me cativaram, confusão na narração e excesso de
flasbacks me fizeram demorar um mês para voltar a lê-lo (quem me conhece sabe
que isso é totalmente fora do normal rsrsrs). Retomei a leitura para aprender a
aprecia-lo apesar dos tropeços.
A narrativa pode ser confusa no começo. São
dois modos de narração: em terceira pessoa para Isolte, e primeira para sua
irmã, Viola. Essa mudança de pessoa me incomodava e eu não entendia o porquê
dessa diferença. Pensei que talvez fosse uma maneira de diferenciá-las, até me
ocorrer que essa mudança de pessoa fosse apenas um reflexo das personagens. Uma
tentativa de aproximar mais o leitor da dor que Viola sente ao mesmo tempo em
que se mostra um distanciamento maior de Isolte (isso certamente seria algo
condizente com a maneira que ambas tratam seus passados). Se for esse o caso,
parabéns a escritora, uma sutil sacada. Se não o for, bem, devia ter sido
(hahaha!).
Tá certo que lançar um enigma nas primeiras
páginas e fazer o leitor ler o livro
inteiro em busca das respostas é bem comum, mas nesta obra desvendamos o
passado ao mesmo tempo em que acompanhamos o presente. Sim, o livro não segue
uma ordem cronológica. Se você não for um amante da descontinuidade terá sérios
problemas com ele. Para mim, demorou um bocado até que eu me acostumasse a uma
narrativa tão quebrada. Isso não teria sido um obstáculo não fosse a falta de
empatia por qualquer uma das protagonistas, devido ao seu estilo de vida
enquanto crianças ser completamente distante de tudo que eu, e grande parte da população, já vivenciaram. Em
sua infância, Issy e Viola viveram primeiramente em uma comunidade hippie, com
uma mãe fora do usual, logo se mudaram para uma cabana praticamente no meio de
uma floresta. Algo bem livre, fora dos padrões, e quase desregrado. Mais um
elemento para aumentar a áurea de mistério da trama.
Concluindo, este não é um livro para todos.
Mudanças de escrita, de POV’s, descontinuidade, final aberto tendem a causar
certos desagrados ao público. Especialmente quanto combinados. Mas, se você estiver buscando apenas um thriller repleto de ação e incógnitas, leitura recomendada!
Baixe o primeiro capítulo do livro aqui.

Nenhum comentário:
Postar um comentário