Por Maju Raz
Título: O Doador de Memórias
Título Original: The Giver
Autora: Lois LowryEditora: ArqueiroPáginas: 188Lançamento: 2014
Sinopse: Ganhadora de vários prêmios, Lois Lowry contrói um mundo aparentemente ideal onde não existe dor, desigualdade, guerra nem qualquer tipo de conflito. Por outro lado, também não existe amor, desejo ou alegria genuína. Os habitantes da pequena comunidade, satisfeitos com suas vidas ordenadas, pacatas e estáveis, conhecem apenas o agora - o passado e todas as lembranças do antigo mundo foram apagados de suas mentes. Uma única pessoa é encarregada de ser o guardião dessas memórias, com o objetivo de proteger o povo do sofrimento e, ao mesmo tempo, ter a sabedoria necessária para orientar os dirigentes da sociedade em momentos difíceis. Aos 12 anos, idade em que toda criança é designada à profissão que irá seguir, Jonas recebe a honra de se tornar o próximo guardião. Ele é avisado de que precisará passar por um treinamento difícil, que exigirá coragem, disciplina e muita força, mas não faz idéia de que seu mundo nunca mais será o mesmo. Orientado pelo velho Doador, Jonas descobre pouco a pouco o universo extraordinário que lhe fora roubado. Como uma névoa que vai se dissipando, a terrível realidade por trás daquela utopia começa a se revelar.
“Haverá mudanças.”
Eu assumo. Comprei o livro, pois
vi o trailer no cinema. Quando vi as suas só 188 páginas pensei: deve ser muito
bom esse livro! Tá bom! Eu assumo também que julguei seu conteúdo por conta do
trailer do filme também... Então comecei a ler e já captei algumas ideias de
temas distópicos já vistos, por exemplo, em 1984, Jogos Vorazes, Divergente sem
um governo ditatorial com uma sociedade reprimida. As pessoas são levadas a
tomar decisões sim, mas elas já são “acertadas”, ou seja, previnem os
sentimentos com remédios, as comunidades são livres, ninguém sente ódio, dor,
raiva, ninguém ameaça ninguém e os únicos que defendem o sistema são os
anciões.
O livro apresenta essa sociedade
e depois introduz Jonas, um Onze (onze anos), que está nervoso, pois está
prestes a fazer sua ultima formatura e se ternar um Doze para sempre. Agora ele
vai saber qual será a sua atribuição (profissão) da vida toda. Ele é então
escolhido para ser o “Guardião das Memórias” e passa a conhecer o Doador, que
vai dar as memórias de muitas antigas gerações a Jonas.
"- Jonas não foi indicado
para uma atribuição, ele foi escolhido. [...] Jonas foi escolhido para ser o
nosso próximo Recebedor de Memória."
Os sentimentos “existem”, mas são
todos mascarados com remédios. A consciência não faz link com as emoções, não
há o que pesar, não há o bem e o mal e eles vivem na mesmice do dia-a-dia
“vivem normais”. Mas é aí que você se questiona – nós também não vivemos a
mesmice? Eles VIVEM?
“Nunca obtivemos domínio completo
sobre a mesmice.”
Entre os pontos negativos, eu
achei que o livro demorou demais contado a história de Jonas, como ele vive, o
que come, o que faz, anda de bicicleta, quando vai ser sua formatura... A gente
não sabe o por quê de o mundo estar como está e aguarda uma explicação sem
sucesso pra isso. E aí você espera,
espera, espera algo acontecer e quando acontece – Pluft! Acabou o livro. Tudo
bem que o livro é uma trilogia e eu posso estar sendo ansiosa e injusta julgando
seu conteúdo primário e seu final um pouco vago por isso. O segundo livro não é uma continuação direta
do primeiro, mas as duas histórias se descobrem no último livro. Então vamos
aguardar para ler e ver se há mais explicações para nós.
“...lembranças causam uma dor
terrível.”
Fora isso a questão das memórias,
dos sonhos, o ponto de sentimento X emoções que Jonas que vai recebendo, das
coisas que ele vai distinguindo e reconhecendo, os cheiros, músicas, cores,
sinestesias foram muito fortes tanto no livro quando mais ainda no filme. Amei
essas partes.
No filme a fotografia começa em
preto e branco, pois é assim que todos da comunidade enxergam. E passa a ganhar
cor quando Jonas enxerga diferente as coisas. Gostei bastante dessa jogada. A
trama ganha fôlego nos flashbacks de memórias mundiais e quando ele difere do
livro – no momento em que Jonas se envolve de amores com Fiona e nos processos
em que percebe que o homem renunciou a tudo – dor, música, paixão, AMOR. Achei que o filme salvou o livro e fez com
que eu gostasse o que não tinha gostado do romance.
“As lembranças precisam ser
partilhadas.”
![]() |
| Jonas e Gabe |
O que tanto o filme quanto o
livro quiseram explorar foi o impacto sensorial
e emocional das lembranças esquecidas pela humanidade - tristeza, dor, família, guerra, descobertas, segredos, paixões, festas, costumes, culturas, decepções e o mais importante: AMOR. Vale a pena trazer tudo isso
de volta pelo amor? O homem é tão egoísta e egocêntrico que briga por
diferenças, que exclui por indiferenças. Vale a pena ter tudo isso quando se
“vive um dia normal em uma sociedade pacata?
Eles mostraram que sim, vale. E eu também acho - O amor vale por tudo,
o amor é tudo. Somos nós que com nossa falta de amor estragamos a beleza das
coisas, das pequenas coisas, de um simples ato de amar uma criança, um irmão
que não é nosso de sangue (como Gabe no romance), mas que é nosso irmão
próximo. Esquecemos o real significado de amor e nossa “memória” se perde em
cada ato de vingança, rancor, ódio, guerra e tudo mais simplesmente pela falta
de amor.
Pode parecer piegas, mas mesmo o
livro não valendo pela falta de uma explicação ou enrolação ele valeu por toda
a mensagem que quis passar. E o filme mesmo tendo sido tachado como “feito para
se encaixar na mediocridade da fantasia juvenil atual”, vale a pena ser visto também pela mesma mensagem. +AMOR <3




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