Por Francine Estevão
Título original: El Amor En Los Tiempos
del Cólera
Autor: Gabriel García Márquez
Editora: Debolsillo
Páginas: 496
Lançamento: 1985
Sinopse:
Segundo o autor Gabriel García Márquez, Prêmio
Nobel de 1982, "O Amor nos Tempos do Cólera" é o seu melhor romance,
superando o grande clássico "Cem Anos de Solidão", que conquistou
gerações de leitores. Esta obra-prima do realismo fantástico teve como ponto de
partida a relação dos próprios pais do escritor, que enfrentaram a resistência
do pai da noiva e a distância física. O livro
conta a história do amor não realizado do telegrafista, violinista e poeta (as
mesmas profissões do pai de García Márquez) Florentino Ariza por Fermina Daza,
uma respeitável donzela de família. Por conta do seu ofício
"principal", e a consequente necessidade de entregar telegramas e
cartas, o protagonista da trama acaba por ter contato com a família da moça.
Daí, nasce uma paixão febril que ainda será mantida no anonimato por algum
tempo. Lorenzo, o
pai, descobre o idílio e envia sua filha a uma viagem de um ano, na tentativa
de fazê-la se esquecer de Florentino. A estratégia funciona. Quando retorna e o
pretendente misterioso finalmente se identifica, Fermina o rejeita e casa-se
com outro homem, considerado um "bom partido". A partir disso, só
resta a Lorenzo duas opções: esperar ou esquecer. A obra foi
adaptada ao cinema e lançada, com o mesmo título, no ano de 2007.
O romance de realismo fantástico de
Gabriel García Márquez nos mostra um amor platônico levado ao extremo do
romantismo dentro do cenário em que se enquadra, nos fins do século XIX, no
Caribe.
No livro, que traz diversos nuances
históricos que nos situam à época em que a história é narrada, abordando
guerras, doenças – principalmente a Cólera – além de preconceitos, hábitos e
fatos daquele período, o autor conta a história de amor de Florentino Ariza e
Fermina Daza ao longo de mais de 50 anos. Um amor que resistiu ao tempo e a
diferentes contratempos até ter um desfecho.
Uma história sobre o amor, o
envelhecimento e a morte que nos leva a refletir sobre estes temas e ainda
sobre obstinação e esperança. Com uma narrativa sem uma sequência rígida quanto
à temporalidade dos fatos, Gabriel García Márquez mescla os pontos de vista e
conta diferentes passagens da vida de ambos a fim de fornecer ao leitor um
conhecimento maior sobre o que cada um está vivendo, sentindo e pensando em
cada fase de suas vidas.
"Pois haviam vivido juntos o bastante para se darem conta de que o amor era amor em qualquer tempo e em qualquer parte, mas ainda mais denso quando mais perto da morte." (p.491)
A paixão entre Florentino e Fermina
começou ainda na adolescência, de forma inocente, por meio de trocas de cartas
e juras de amor eterno. No entanto, o romance foi proibido pelo pai de Fermina
que a mandou para a casa da família, longe de Florentino, a fim de que ela
esquecesse o rapaz. Ao retornar para casa depois de algum tempo e se deparar
com Florentino de repente, no meio da rua, ela sentiu que ele não era quem ela
havia idealizado e pediu que ele a esquecesse.
A essa altura, com o esforço do pai para
que a filha contraísse um bom casamento, Fermina foi aos poucos convencida de
se casar com o médico extremamente bem sucedido Juvenal Urbino, principalmente
na época em que a Cólera levava boa parte da população à reclusão e à morte.
Com o passar dos anos, Fermina aprendeu
a aceitar e a ser feliz ao lado de Juvenal enquanto ia esquecendo cada vez mais
de Florentino, que persistiu em sua jura de amor e nunca teve um relacionamento
sério, sempre esperando pelo seu momento de estar ao lado do amor de sua vida.
Apesar de suas muitas aventuras com diversas mulheres, ele se manteve longe de
qualquer compromisso por mais de 50 anos, até que a morte de Juvenal pudesse
reaproximá-lo de Fermina.
"Até então, havia sustentado a ficção de que o mundo era o que passava, passavam os costumes, a moda: tudo menos ela. Mas aquela noite viu pela primeira vez de um modo consciente como estava passando a vida para Fermina Daza, e como passava a sua própria vida, ainda que ele não fizesse nada mais do que esperar." (p.286
Apesar de ser um clássico e de ter lido
em castelhano, achei a linguagem bastante simples e não encontrei dificuldades
na leitura.

?
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirIniciando a leitura. Obrigado pelo resumo.
ResponderExcluirIndicarei em meu espaço.
Editora Record - 429 páginas.
Leitura maravilhosa,mais um romance daqueles que não se consegue deixar de lado enquanto não terminar.Super recomendável.
ResponderExcluirTô passando uma dor de cotovelo.. e por minha culpa... Não sei se vou aguentar ler apesar de ter vontade...
ResponderExcluirbem isso mesmo. Li há um tempo e o que ficou marcado pra mim apesar de já ter esquecido dos detalhes da história...ela se desiludiu. Ele quis estar a altura do médico para ter chance com ela. E quando finalmente se reecontraram, ela exigiu que ele não fosse o mesmo rapaz simplório que a fez se desiteressar...
ResponderExcluirLinda a resenha. Estamos editando um book trailer da obra:
ResponderExcluirhttps://www.youtube.com/watch?v=PjOGia5F3MM
Reler um livro é sempre interessante. A primeira vez que li Gabriel Garcia Márquez foi como leitor contemplativo. A segunda, foi para aprender como um mestre da literatura usa as regras clássicas do romance. O que descobri? Que quebrou muitas. Lembrando sempre que, para quebrar uma regra, primeiro é preciso conhecê-la.
ResponderExcluirNa primeira frase, ele diz que sua história é sobre "o destino dos amores contrariados."
Gabo vai fisgar o leitor pelo pitoresco. Usa expressões encantadoramente poéticas. Penas de pássaros mágicos e serenatas noturnas nos introduzem nesse idílio.
No primeiro capítulo encontramos um refugiado antilhano. Que não faz parte do enredo. O que faz o personagem Jeremiah de Saint-Amour, esse disfarçado suicida, em uma cena de horror ao lado do seu pobre cão? Juventino Urbano aí comparece como médico para descobrir que nada sabia do passado revolucionário do suposto amigo, de sua vida amorosa, de seu motivo para procurar a morte.
Dr. Urbano relata o declínio do corpo, confessa "seus temores de não encontrar a Deus na escuridão da morte", contempla "o esplendor efêmero daquela tarde a menos, já partindo para nunca mais." Ele nos fala de sua família rica, da epidemia de cólera, de arquitetura caribenha e desigualdades sociais. De repente somos apresentados a cães, gatos, tartarugas, uma lista de pássaros os mais exóticos, páginas certamente bem humoradas mas excessivas. Tudo isso para chegar no louro fujão - fuga de trágica consequência - e na saga dos bombeiros que tentam capturá-lo.
O autor não se limita ao assunto do livro. Pelo contrário, somos convidados a conhecer costumes caribenhos, a história detalhada de um naufrágio e das tentativas de resgate do galeão, as vestes das classes sociais, a refletir sobre o método de ensino dos colégios católicos, as reformas higiênicas impostas pela doença. Muitas outras detalhadas descrições pitorescas, bem humoradas e até politicamente apimentadas se sucedem, para desespero do leitor impaciente e deleite dos curiosos. Uma cena particular choca pela sua impropriedade: o banho em que as duas primas se catam lêndeas. Lêndeas? Ao lado das “numerosas espécies de insetos daninhos que invadiam a casa nos meses de chuva”.
Leitura imperdível.