Por Roh Dover
O blog TriBooks
conversou por e-mail com a simpática autora de "Lago dos Sonhos", Kim
Edwards. Dentre os vários e-mails trocados, a autora elogiou o país, a
editora Arqueiro, que publica os livros dela aqui no Brasil e comentou
como todos seus leitores brasileiros são maravilhosos. Confira abaixo a
entrevista do TriBooks com Kim Edwards:
TB - Quando você descobriu o seu talento para a escrita? Você
escreve desde cedo?
KE - Eu sempre tive um amor pelas palavras e histórias, desde o
tempo que eu era muito pequena. Minha mãe costumava ler para mim toda a tarde, e
quando eu aprendi a ler e escrever, eu fiz pequenos livros com histórias que eu
inventava. Eu sempre quis ser escritora, mas não sabia como me tornar uma. Eu
tive sorte de estudar com professores que também foram escritores e eles me
ajudaram a achar meu caminho.
TB - Você desenvolveu o hábito da leitura em que fase de sua
vida? Quais seus autores e livros prediletos?
KE - Eu leio bastante, mas sempre volto para a Virginia Woolf,
porque eu gosto muito do jeito do uso da linguagem dela. Eu gosto de
William Trevor, um escritor irlandês, da Alice Munro, canadense. Claro, eu
admiro muito os livros de Jorge Amado e eu recentemente peguei uma cópia do “O
Alquimista” do Paulo Coelho. Eu adoraria conhecer outros trabalhos
comtemporâneos de autores brasileiros também, eu sempre tento aprender mais com
os escritoires estrangeiros.
TB - Acabo de ler seu trabalho mais recente, "Lago dos
Sonhos", e confesso que fiquei encantada com a história de Lucy. De onde surgiu
este resgate dela com o passado de sua família? Fazia tempo que você imaginava
uma narrativa assim?
KE - Obrigada! Eu estou tão contente que você gostou do “O Lago
dos Sonhos”. Lucy é uma das
minhas personagens favoritas dos livros. Eu comecei a história com ela
precisando voltar para sua casa e resolver os problemas de tristeza e perda
sobre a morte do pai dela. Foi depois da página 60 que comecei a pensar sobre
um passado mais profundo na história. No começo eu não percebi que as duas
histórias estavam relacionadas, mas pouco depois eu entendi que elas estavam
profundamente interligadas, e que Lucy não poderia ganhar nenhuma paz na vida
dela até ela entender quem seus ancestrais eram, e porque ela os apagou de sua
vida.
TB - "Lago dos Sonhos" faz com que o leitor queira
conhecer os lugares por onde Lucy passa na narrativa. As descrições são tão
profundas que é quase possível sentir a brisa do lago tocar nosso rosto. Você
escreveu perto destas paisagens? Você tem alguma conexão especial com esta
região onde a história acontece?
KE - A vila do “O Lago dos Sonhos” é ficcional, mas a região
existe. Chama-se região “Finger Lakes” (tradução livre: lago dos dedos), e fica no norte do
estado de Nova York. É muito
lindo. Existem 11 lagos, todos grandes, o maior mede 77km (48miles),
estreito e fundo. Eles se formaram quando as geleiras escavaram antigos leitos
de rios. Do céu, parece que uma mão de gigante prensou a Terra, é por isso que
ele tem esse nome (Lago dos Dedos). Eu cresci nessa área, e um dos prazeres de
escrever esta história foi poder revisitar esse lindo lugar de novo em minha
imaginação.
TB - "Lago dos Sonhos" é uma história onde a personagem
principal busca suas origens para poder entender sua própria vida. Como foi
feito o processo e fonte de pesquisas para esta parte histórica do livro? Você
acredita que conhecer nossas origens é importante para o desenvolvimento de
quem somos?
KE - Sim, eu acredito que conhecer o passado ajuda a entender o que somos no
presente. Em parte, em o “Lago dos Sonhos”, a história do passado da Lucy cresceu
a partir desta definição. O direito de voto da mulher nos Estados Unidos
começou em um lugar chamado Seneca Falls, que fica na parte do Lago dos Dedos,
em 1848. Foi quando um documento chamado “A Declaração dos Sentimentos” foi
escrito e lido pela primeira Convenção dos Direitos da Mulher. Nenhuma pessoa que assinou os termos dos
direitos proclamados viveram para ver isso na prática, levou 72 anos para
acontecer, em 1920. Quanto mais eu leio sobre a história, mais interessante ela
se torna. Porque eu conheci aquele lugar muito bem, as histórias do passado
vivem dentro de mim. Eu fiquei especialmente interessada nos eventos dos anos
que levaram para 1920, o periodo que eu explorei no “Lago dos Sonhos”
TB - "O Guardião de Memórias" é um livro carregado de fortes emoções. Onde você foi buscar inspiração para esta história?
KE - A idéia para escrever esta história foi dada pela pastora da minha igreja na época. Ela tinha lido a minha série “The Secrets of Fire King” (tradução livre: Os Segredos do Rei Fogo) e estas histórias lembraram ela de uma história que ela conhecia e que queria me contar. Foi muito breve, uma história sobre um homem que descobriu quando ele já era de meia idade, que ele tinha um irmão que tinha nascido com Síndrome de Down nos anos 40 e que foi mandado para uma instituição. A família guardou segredo a vida inteira, e foi por acidente que o irmão descobriu ele. Até então o homem com Síndrome de Down faleceu. Eu fui atingida por essa história, um segredo mantido no centro da familia, mas no começo eu não pensei que escreveria um livro sobre isso, porque eu não conhecia nada sobre síndrome de down. Mesmo assim a idéia se manteve comigo, mudou, cresceu e ganhou vida própria. Depois de três anos, eu comecei a escrever e levou mais três anos para finalizar.
TB - "O Guardião de Memórias" é um livro carregado de fortes emoções. Onde você foi buscar inspiração para esta história?
KE - A idéia para escrever esta história foi dada pela pastora da minha igreja na época. Ela tinha lido a minha série “The Secrets of Fire King” (tradução livre: Os Segredos do Rei Fogo) e estas histórias lembraram ela de uma história que ela conhecia e que queria me contar. Foi muito breve, uma história sobre um homem que descobriu quando ele já era de meia idade, que ele tinha um irmão que tinha nascido com Síndrome de Down nos anos 40 e que foi mandado para uma instituição. A família guardou segredo a vida inteira, e foi por acidente que o irmão descobriu ele. Até então o homem com Síndrome de Down faleceu. Eu fui atingida por essa história, um segredo mantido no centro da familia, mas no começo eu não pensei que escreveria um livro sobre isso, porque eu não conhecia nada sobre síndrome de down. Mesmo assim a idéia se manteve comigo, mudou, cresceu e ganhou vida própria. Depois de três anos, eu comecei a escrever e levou mais três anos para finalizar.
TB - A Síndrome de Down é uma questão importante a ser debatida.
Quais foram suas fontes de pesquisa para escrever sobre?
KE - Eu comecei pelo início, pois eu nao sabia nada. Primeiro eu
li sobre tudo que eu conseguia achar sobre o assunto. Então eu comecei a entrevistar as
pessoas. A grande ajuda que tive veio de um grupo de apoio com famílias com
pessoas com síndrome de down. Eu me encontrei com eles e foi maravilhoso poder
conversar horas sobre suas viagens, as brincadeiras e as lutas, os sonhos e os
medos. Foi muito comovente. Eu
não usei nenhuma daquelas histórias, claro, mas conhecer me ajudou bastante entender
sobre essas pessoas que enfrentaram e ainda enfrentam este problema.
TB - Qual foi sua sensação ao ver "O Guardião de Memórias" sendo transformado em filme? Você participou do processo de produção?
TB - Qual foi sua sensação ao ver "O Guardião de Memórias" sendo transformado em filme? Você participou do processo de produção?
KE - Eu não me envolvi em nada do filme, eu passei um dia no set para assistir eles
filmando e foi bem interessante. Você sabe, eles fizeram um bom trabalho com o
filme, pensando nas coisas que eles precisam cortar e tudo. Mas mesmo assim, eu
nunca vou achar que o filme seja tão bom quanto o livro!
TB - Você está trabalhando em um novo romance? Pode contar alguma novidade para os leitores?
TB - Você está trabalhando em um novo romance? Pode contar alguma novidade para os leitores?
KE - Eu comecei a escrever um novo romance, mas ainda é muito
cedo para falar sobre ele.
TB - Qual recado você pode deixar para os seus leitores e fãs do Brasil?
KE - Eu me apaixonei pelo Brasil na viagem que tive quando fui
para o Rio na Bienal do ano passado. Que
cidade linda e de tirar o fôlego aquela! Eu espero retornar um dia para ver mais
coisas no Brasil, e compartilhar minha experiência com minha família. Eu penso
que meu editor na Sextante é maravilhoso, e todos meus leitores brasileiros também!
TB - Qual o segredo do sucesso da escrita de Kim Edwards?
TB - Qual o segredo do sucesso da escrita de Kim Edwards?
KE - Eu faço o que eu amo. Esse é o segredo.
TB -
Nós estamos sorteando para os leitores do blog, seu livro “Lago dos
Sonhos” que a editora do Brasil nos disponibilizou, você pode escrever
uma
cartinha simples e passar para o computador para nós entregarmos para o
ganhador junto com o livro?
KE - Eu irei scanear e mandar para vocês com minha assinatura.
KE - Eu irei scanear e mandar para vocês com minha assinatura.
TB - Muito, muito, muito obrigada Kim pela sua atenção com o
TriBooks. Nós estamos tão felizes de podermos falar com você!
KE - Obrigada
a vocês pelo grande prazer! Desejo o melhor para vocês!
Kim
Edwards é pós-graduada no Seminário de Escritores de Iowa e professora
assistente de inglês na Universidade de Kentucky. Seu livro "O Guardião
de Memórias" publicado no Brasil pela Editora Arqueiro já vendeu mais
de 500 mil exemplares no país, que em 2008 foi adaptado para o cinema.
Em 2011 outro romance de sua autoria "Lago dos Sonhos" foi publicado no
Brasil também pela Editora Arqueiro.

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