sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

RESENHA: "Em Chamas" de Suzanne Collins

Por Roh Dover

Esta resenha contém spoiler para quem não leu primeiro livro da trilogia "Jogos Vorazes" de Suzanne Collins.

Título Original: Catching Fire
Título Nacional: Em Chamas
Tradução: Alexandre D'Elia
Ano de Lançamento: 2011
Número de Páginas: 413
Categoria:
Ficcção/Fantasia

Editora: Rocco

Sinopse: Depois da improvável e inustiada vitória de Katniss Everdeen e Peeta Mellark nos últimos Jogos Vorazes, algo parece ter mudado para sempre em Panem. Aqui e ali, distúrbios e agitações nos distritos dão sinais de que uma revolta é iminete. Katniss e Peeta, representantes do apupérrimo Distrito 12, não apenas venceram os Jogos, mas ridicularizaram o governo e conseguiram fazer todos - incluindo o próprio Peeta - acreditarem que são um casal apaixonado. A confusão na cabeça de Katniss não é menor do que a das ruas. Em meio ao turbilhão, ela pensa cada vez mais em seu melhor amigo, o jovem caçador Gale, mas é obrigada a fingir que o romance com Peeta é real. Já o governo parece especialmente preocupado com a influência que os dois adolescentes vitoriosos - transformados em verdadeiros ídolos nacionais - podem ter na população. Por isso, existem planos especiais para mantê-los sob controle, mesmo que isso signifique forçá-los a lutar novamente.

“Que se em tempos desesperadores clamam por medidas desesperadas, então estou livre para agir tão desesperadamente quanto desejar”. pag 86

“Em Chamas” segundo livro da trilogia “Jogos Vorazes” de Suzanne Collins segue a mesma linha do primeiro volume. A semiótica, ou o estudo dos signos que possuem fenômenos cognitivos, continuam existindo entre as linhas de cada frase que Suzanne usa para compor a história.

Enquanto no primeiro livro a autora critica por um lado o sistema que detém o poder atualmente, e por outro o poder que as mídias ostentam, no segundo livro “Em Chamas” ela demonstra as características dos rebeldes, o poder que eles possuem na ânsia de ter a liberdade e dá maior ênfase na alienação, ou a comodidade que existe na própria população.

Katniss que é sobrevivente dos Jogos Vorazes no final do primeiro livro, toma consciência de que ao dar um golpe na Capital na final do Jogo, tendo em vista que tanto Katniss como Peeta sobrevivem, também deu um golpe no sistema que governa o país. O Presidente acaba vendo Katniss e Peeta como inimigos do Estado, pois ao deturparem o sistema do Jogos Vorazes, que não permitia dois vencedores, mostraram ao povo que um golpe efetivo no Estado pode ter sucesso.

A alienação citada na ficção que Suzanne escreveu se mostra clara quando Katniss crítica o modo de ser das pessoas da Capital, suas fixações por objetos frívolos e a quantidade de desperdício de comida que há nos banquetes em que a personagem é obrigada a freqüentar. Dentro desses banquetes, Katniss enxerga remédios que fazem as pessoas vomitarem a comida e comenta que o povo da Capital apenas o faz por que é divertido e está na moda, enquanto o povo dos Distritos passam fome com alimentação racionada. Não há muita diferença da fantasia de Suzanne com o modo de viver da população de classe dominante atualmente, que para se sentirem dentro de um determinado grupo que detém o poder fazem ou compram qualquer coisa para que não sintam-se excluídos, e que não veêm ou não queiram enxergar a pobreza do vizinho. O leitor então começa a perceber que Katniss acaba sendo um símbolo dos rebeldes. Panem acaba demonstrando seu sistema ditatorial, com censuras na mídia para que a população dividida entre os Distritos não enxergue o levante contra o Estado e o que o sistema é capaz de fazer para deter tal levante.

Aos poucos, Katniss percebe que ela é a própria faísca para explodir a segunda rebelião contra o sistema no qual vive, que os revoltados também estão determinados a ter liberdade e já usam Katniss como símbolo da libertação do regime de Estado. Assim a escritora comenta a vida dos rebeldes, o pensamento de quem se revolta para obter os direitos que lhe foram roubados, e acima de tudo, faz a seguinte crítica construtiva em cima dos líderes das revoluções: eles tem mais poder vivos ou mortos? O espírito do líder estará morto, mas sua crença, aquela erguida perante os rebeldes morrerá com ele? 

Os rebeldes tem seus líderes, mas também constroem símbolos que vivem eternamente carregando os principais significados da revolta, como o broche de Katniss, o tordo, um pássaro geneticamente modificado e símbolo do seu Distrito, e também símbolo da destruição do Estado, dos direitos devolvidos a cada cidadão e da busca da liberdade.

Apesar da revolta que começa a acontecer em Panem, Katniss percebe que o sistema não morrerá facilmente e que terá de usar todas as suas forças para deter o império dos revoltados, utilizando sua maior ferramenta, a ideologia do medo, utilizando a violência como sua maior arma. 

No livro “Em Chamas” Panem entra no ano do Massacre Quaternário, que ocorre a cada 25 anos dentro dos Jogos Vorazes, relembrando com maior violência a ideologia do sistema. Katniss percebe então que o maior inimigo é aquele que detém o maior poder. E o Estado não entregará livremente o domínio nas mãos dos rebeldes, e quem terá de sofrer é o símbolo de toda revolta.

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